Painel Rondônia

EXCLUSIVO: Veja os detalhes da operação da PF que desbaratou grupo especializado em fraudes bancárias em Rondônia

Bando acessou dados de servidores públicos, abriu contas bancárias, pegou empréstimos e até tentou comprar carro; esquema envolve ainda despachantes do Detran; 73 pessoas são investigadas

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A Justiça Federal em Rondônia autorizou uma operação da Polícia Federal contra um grupo criminoso especializado em fraudes bancárias, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. A organização criminosa, que atuava principalmente nas cidades de Ariquemes, Ji-Paraná e Cacoal, utilizava documentos falsos de servidores públicos para obter empréstimos consignados fraudulentos junto à Caixa Econômica Federal.

De acordo com a decisão do juiz federal da 3ª Vara Criminal da Seção Judiciária de Rondônia, foram autorizadas buscas e apreensões contra 12 investigados dos 73 inicialmente apontados pela PF. Entre os alvos principais estão Julio Cesar Dorneles Sudatti Filho, Fernando Amorim Alves Feitosa, Lianna Charlene Silva de Moura e Wagner de Souza.

A ação ocorreu simultaneamente em Porto Velho (RO) e Fortaleza (CE) e foi deflagrada na quarta-feira da semana passada (dia 12/03). Durante as confirmações de endereço dos alvos, a PF indicou que em Fortaleza, um dos criminosos reside em área comandada com facções.

Início das investigações

Caso Gatilho - Jhonatas R. A. P.

A investigação ganhou força quando a Coordenadora e Gerente de Centralizadora – Segurança e Fraude da Caixa Econômica Federal identificou e comunicou uma nova conta bancária suspeita:

O documento apresentado para abertura da conta, uma CNH, mostrava a foto de uma outra pessoa, ao invés da vítima:

CNH falsa apresentada na hora da abertura da conta

O documento apresentava um QR Code, que direcionava para um site registrado pelo bando, que já está fora do ar.

O contra-cheque da vítima foi acessado por uma servidora, identificada através do horário em que o mesmo foi emitido:

A PF consultou o sistema e identificou a suspeita.

Documentos falsos também foram usados para abrir uma conta. o Mercado Pago, para receber o dinheiro proveniente do golpe. A PF descobriu que o titular do documento, não era o mesmo da imagem, encaminhada ao Mercado Pago:

A outra conta no Mercado Pago também foi criada usando um RG falso, desta vez em nome de Wagner Luiz de Souza. A foto é a mesma usada para abertura da conta na Caixa Econômica Federal. O verdadeiro Wagner, mora na Bahia e sequer sabia da existência de uma conta em seu nome.

RG falso em nome de Wagner. Criminoso usou a mesma foto da CNH

Elementos iniciais suspeitos

  1. Dados de cadastro suspeitos:

    • Telefone: (69) 9999-12XX

    • Email: jhonatas@

  2. Documentação apresentada:

    • Contracheque falsificado da SEDAM (Secretaria de Estado do Des. Ambiental)

    • Boleto bancário falso da CLARO como comprovante de endereço

    • CNH com QR Code direcionando para site fraudulento

Desdobramento das investigações

A partir deste caso inicial, as investigações se expandiram quando outras vítimas começaram a reportar fraudes similares, incluindo:

  1. Renata B. R., que reportou:

    • Tentativa de financiamento de veículo no feirão da Loja Thales Veículos

    • Fraude bancária no Banco Bradesco

    • Emissão fraudulenta de CNH

  2. Identificação de padrão:

    • Uso de despachantes para emissão de CNHs

    • Abertura de contas em agências do interior

    • Transferências via PIX para mesmos beneficiários

    • Uso de sites falsos para validação de documentos

Elementos que auxiliaram na investigação

  1. Registros bancários:

    • Logs de acesso às contas

    • Registros de transferências PIX

    • Documentação apresentada nas agências

  2. Evidências visuais:

    • Imagens de câmeras de segurança

    • Vídeos de estabelecimentos comerciais

    • Fotos dos documentos falsos

  3. Registros de telecomunicações:

    • IPs de acesso

    • Registros de linhas telefônicas

    • Dados de operadoras

  4. Colaboração institucional:

    • Caixa Econômica Federal

    • DETRAN-RO

    • Operadoras de telefonia

    • Empresas de hospedagem de sites

Modus operandi

As investigações revelaram um esquema sofisticado onde os criminosos, principalmente através de Lianna Charlene Silva de Moura, se apresentavam nas agências da CEF utilizando documentos falsos em nome de servidores públicos. Em um dos casos documentados, a quadrilha conseguiu obter dois empréstimos consignados nos valores de R$ 78.154,50 e R$ 40.000,00, usando dados da servidora Daniely da C.O.S.A.

Conta no Mercado Pago em nome de Antônio Welde Coelho Serafim, que na verdade era operada por Julio Cesar Dorneles Sudatti Filho.

O dinheiro obtido fraudulentamente era transferido para uma conta no Mercado Pago em nome de Antônio Welde Coelho Serafim, que na verdade era operada por Julio Cesar Dorneles Sudatti Filho. A partir desta conta, os valores eram distribuídos entre os demais integrantes do grupo, principalmente para a empresa F A Alves Feitosa Ltda (GLK Distribuidora) e seu proprietário Fernando Amorim Feitosa, que receberam aproximadamente R$ 213.601,50 do total fraudado

F A Alves Feitosa Ltda (GLK Distribuidora) e seu proprietário Fernando Amorim Feitosa, que receberam aproximadamente R$ 213.601,50 do total fraudado

Rastreamento do dinheiro desviado

Caso Jhonatas R. A. P.

Conta de Origem: CEF - Agência 1831, conta nº 1831.001.349304

Transferências detalhadas (Total: R$ 126.108,60)

1. Antonio de Sousa Mourão (CPF XXX.XXX.053-00)

2. Antonio Welde Coelho Serafim (CPF 077.584.583-35)

3. Wagner Luiz de Souza (CPF 058.799.421-55)

4. Gilberto Machado Morais (CPF 851.456.292-49)

5. Treviso Corretora de Câmbio S.A. (CNPJ 02.992.317/0001-87)

Características das movimentações

  1. Padrão temporal:

    • Maioria das transferências realizadas entre 23/03/2023 e 13/04/2023

    • Concentração de grandes valores no início de abril

  2. Padrão de valores:

    • Transferências menores (R$ 200-2.000): possivelmente para teste

    • Transferências médias (R$ 2.000-10.000): distribuição do dinheiro

    • Transferências grandes (>R$ 25.000): principais desvios

  3. Destinos finais:

    • Maior concentração para Antonio Welde Coelho Serafim (72% do total)

    • Conversão parcial em dólares via corretora

    • Distribuição para contas intermediárias com documentação falsa

  4. Meios utilizados:

    • Exclusivamente transferências PIX

    • Maioria para contas do Mercado Pago

    • Uma transferência para corretora de câmbio

Participação de servidores públicos

Um aspecto grave revelado pela investigação foi a participação de servidoras públicas que teriam facilitado o esquema. N. M. L. S e D. P. B, segundo as investigações, utilizaram suas permissões de acesso aos sistemas governamentais para emitir contracheques que foram utilizados nas fraudes.

Estrutura criminosa

O grupo contava ainda com o apoio do despachante José Milton de Aguiar Araújo, responsável pela emissão de documentos falsos, e Jonas Oliveira Gomes de Abreu, que também se apresentava nas agências bancárias com documentos fraudulentos. Em maio de 2023, Jonas chegou a ser preso em flagrante durante uma tentativa de fraude.

Mercya Rafaella Rocha dos Santos também foi identificada como participante do esquema, tendo acompanhado Lianna em uma fraude contra a loja Thales Veículos, onde tentaram realizar o financiamento de um veículo usando documentos falsos junto ao banco Santander.

Mulheres foram filmadas tentando comprar um carro na Thales Veículos, em Porto Velho. A. que está de frente não foi identificada

Medidas judiciais

A decisão judicial autorizou a busca e apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos, aparelhos celulares, chips telefônicos e dinheiro em espécie em valores superiores a R$ 2.000,00. A Polícia Federal teve acesso a todo o conteúdo armazenado nos dispositivos eletrônicos apreendidos, incluindo dados em nuvem.

O juiz estabeleceu um prazo de 60 dias para o cumprimento dos mandados, que devem ser executados durante o período diurno. A PF terá 120 dias para realizar a perícia nos equipamentos eletrônicos apreendidos e 30 dias para apresentar o auto circunstanciado das buscas.

Investigação continua

Dos 73 investigados inicialmente apontados pela Polícia Federal, o magistrado considerou que havia indícios suficientes para autorizar medidas cautelares contra apenas 12 pessoas. Para os demais, o juiz entendeu que as evidências apresentadas, principalmente baseadas apenas em transações financeiras, eram insuficientes para justificar as buscas.

As buscas foram autorizadas contra:

  1. JULIO CESAR DORNELES SUDATTI FILHO

  2. FERNANDO AMORIM ALVES FEITOSA

  3. F A ALVES FEITOSA LTDA (GLK DISTRIBUIDORA)

  4. LIANNA CHARLENE SILVA DE MOURA

  5. WAGNER DE SOUZA

  6. JONAS OLIVEIRA GOMES DE ABREU

  7. JOSE MILTON DE AGUIAR ARAUJO

  8. RODRIGO RIBEIRO DA SILVA

  9. JAQUELINE SOUZA ARAUJO

  10. MERCYA RAFAELLA ROCHA DOS SANTOS

  11. N. M. L. S.

  12. D. P. B.

A decisão autorizou:

Fraude com documentos

Emissão de CNHs fraudulentas

Esquema de fraudes de CNH no DETRAN

Despachantes investigados

1. José Milton de Aguiar Araújo

2. Antonio Alvaro Marques Facundo

Modus Operandi

  1. Obtenção de Dados

    • Acesso a dados de servidores públicos

    • Possível vazamento de informações internas

    • Foco em servidores com margem consignável

  2. Emissão de CNHs

    • Solicitação de 2ª via sem conhecimento dos titulares

    • Adulteração de fotografias

    • Uso de sistema de validação falso (detranautenticidade.com)

  3. Sistema de Validação Fraudulento

Vítimas Identificadas

  1. Jhonatas R.A.P

    • Servidor da SEDAM

    • CNH fraudulenta usada para abrir conta na CEF

    • Prejuízo: R$ 126.108,60 em transferências fraudulentas

  2. Outras Vítimas com CNHs Fraudadas:

    • Jussara R. A.

    • Daniely C.O.S.A

    • Valdeir S. S.

    • Renata B.R.

Cronologia das emissões fraudulentas

Elementos da fraude

1. Documentação falsa

2. Validação Fraudulenta

3. Uso dos Documentos

Indícios de participação interna

Caso Específico - Contracheques

Consequências para as vítimas

  1. Financeiras

    • Empréstimos fraudulentos em seus nomes

    • Negativação em serviços de proteção ao crédito

    • Bloqueio de margens consignáveis

  2. Documentais

    • CNHs invalidadas

    • Necessidade de renovação de documentos

    • Processos de contestação

Investigação em curso

  1. Linhas de Investigação

    • Participação de funcionários públicos

    • Rede de despachantes envolvidos

    • Conexões com fraudes bancárias

  2. Evidências Coletadas

    • Registros de acesso aos sistemas

    • Documentação fraudulenta

    • Movimentações financeiras

    • Registros de IP e conexões

  3. Órgãos Envolvidos

    • Polícia Federal

    • DETRAN-RO

    • Caixa Econômica Federal

    • Outros bancos afetados

Sites falsos para validação

2. Fraudes bancárias

Caso Jhonatas R. A. P.

A investigação continua em andamento para identificar outras possíveis vítimas e determinar a extensão total dos prejuízos causados pela organização criminosa. O caso está sendo conduzido pela 3ª Vara Federal Criminal, especializada em crimes financeiros, lavagem de capitais e organizações criminosas em Porto Velho.