Filho de ex-vereador de Cerejeiras (RO) e recém-formado, médico rondoniense morre em MG
Aprovado no Revalida dias antes, médico de Cerejeiras (RO) morreu em acidente em Minas Gerais, onde atuava pelo programa federal há três anos
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- Tragédia: Abzair Zigue Eugênio, de 28 anos, morreu em acidente de trânsito em Minas Gerais no último sábado (13).
- Sonho Interrompido: O médico havia sido aprovado na primeira fase do Revalida poucos dias antes do acidente.
- Trajetória: Natural de Cerejeiras (RO), ele estudou no Paraguai e atuava pelo Mais Médicos em Chapada do Norte (MG).
- Homenagens: Prefeitura mineira e familiares lamentaram a perda de um profissional descrito como "humano e incansável".
- Por que isso importa: A morte precoce expõe a perda irreparável de talentos formados no exterior para a saúde pública do interior do país.
O médico rondoniense Abzair Zigue Eugênio, de 28 anos, morreu no sábado (13) após sofrer um acidente de trânsito em Minas Gerais, onde atuava pelo programa Mais Médicos. A tragédia ocorre poucos dias após ele ser aprovado na primeira fase do Revalida, interrompendo a trajetória de um profissional que deixou o interior de Rondônia para servir comunidades carentes. Ele é filho do ex-vereador Ifraim Zigue.
Acidente em curva de rodovia mineira interrompe trajetória
A fatalidade aconteceu na rodovia que liga os municípios de Minas Novas e Chapada do Norte, no interior mineiro. Segundo as informações preliminares, Abzair conduzia seu veículo quando saiu da pista e atingiu um barranco em um trecho de curva. A causa exata do acidente segue sob investigação pelas autoridades competentes.
O corpo do jovem médico foi transladado para Rondônia, onde foi velado e sepultado em Cerejeiras, sua cidade natal, na segunda-feira (15).
De Cerejeiras ao Paraguai: a rota para a saúde pública
A história de Abzair reflete a realidade de milhares de jovens do Norte do país que buscam além-fronteiras a oportunidade de cursar Medicina. Natural de Cerejeiras, ele deixou o município aos 18 anos para se formar em Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
Após a graduação, ingressou no programa federal Mais Médicos, sendo lotado em Chapada do Norte (MG). Há aproximadamente três anos, ele era a face da saúde básica na cidade, levando qualificação a uma região que depende fortemente desses profissionais para manter sua rede de atendimento.
"Era um menino novo, recém formado que buscava seus sonhos. Tinha uma carreira inteira pela frente", relata Abner Souza, primo do médico.
A aprovação na primeira fase do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), conquistada menos de uma semana antes do acidente, era a concretização de um longo esforço. Era o passo final para que ele pudesse exercer a profissão em solo brasileiro de forma plena, sem as amarras burocráticas que ainda limitavam sua atuação.
A lacuna deixada no Mais Médicos e a comoção em Minas Gerais
A morte de Abzair Zigue Eugênio gerou uma onda de comoção que atravessou as fronteiras de Minas Gerais e chegou a Rondônia. A Prefeitura de Chapada do Norte, município onde ele exercia suas funções, emitiu uma nota de pesar destacando a dedicação do profissional.
"Expressamos nossa eterna gratidão pelos inestimáveis serviços prestados à nossa rede de saúde e à nossa comunidade. Sua ausência deixa uma lacuna imensa no coração de todos os colegas de trabalho e dos pacientes que tiveram o privilégio de serem cuidados por ele", afirmou a gestão municipal, descrevendo o médico como "dedicado, humano e incansável".
Cenário: A perda de talentos e a fragilidade das estradas
A morte de Abzair não é apenas a perda de um filho, primo e amigo. É a subtração de um médico que, tendo vencido as barreiras geográficas e acadêmicas, estava a um passo de consolidar sua carreira no Brasil.
O episódio coloca em evidência não apenas a tragédia pessoal de uma família de Cerejeiras, mas a vulnerabilidade das rodovias que cortam o interior do país — e a dependência crônica de municípios pequenos em relação a profissionais que, muitas vezes, cruzam o continente para suprir uma lacuna histórica do Estado na formação de médicos para o SUS. Resta à comunidade de Chapada do Norte lidar com o vazio deixado por quem dedicou a juventude a cuidar da vida dos outros, enquanto as causas de mais uma tragédia nas estradas mineiras seguem, como de costume, sob investigação.
Versão em áudio disponível no topo do post.