Flávio muda de posição e agora apoia fim da escala 6x1
Após semanas evitando se posicionar e comparando a PEC a uma “promessa de picanha” de Lula, candidato do PL anuncia voto a favor — mas aliados próximos votaram contra na CCJ do Senado
📋 Em resumo ▾
- Flávio Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (13) que vai votar a favor do fim da escala 6x1
- Até a semana passada, evitava se posicionar e chegou a comparar a PEC a uma “promessa de picanha” de Lula
- Rogério Marinho (coordenador de sua campanha), Jaime Bagattoli, Tereza Cristina e Hamilton Mourão votaram contra o texto na CCJ do Senado
- PEC já havia sido aprovada na Câmara em maio, por 472 a 22 no 1º turno e 461 a 19 no 2º
- PL vai liberar parlamentares
O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, anunciou nesta terça-feira (13), em Brasília, que vai votar a favor da PEC que acaba com a escala 6x1. A declaração representa uma mudança em relação à postura que ele vinha adotando nas semanas anteriores, de evitar se posicionar publicamente ou de criticar a proposta.
O que Flávio dizia antes da virada
Em 1º de setembro, ao chegar ao Senado, Flávio evitou dizer se votaria a favor ou contra a PEC, mesmo diante de insistência dos jornalistas: “Vamos defender o nosso texto, que é a liberdade do trabalhador. Primeiro, vota-se a nossa proposta, depois vê o que faz”. Ele se referia ao projeto alternativo apresentado pelo senador Rogério Marinho (PL), coordenador de sua campanha, que propõe a livre negociação da escala de trabalho entre patrões e empregados — modelo distinto do fim direto da 6x1.
Dias depois, em 7 de outubro, a fala ficou mais crítica. Flávio comparou a PEC a uma promessa de campanha de Lula: “Ele [Lula] chega com mais uma promessa de picanha que não vai resolver a vida de ninguém”. Na mesma ocasião, afirmou que “Lula pensa no poder, não no trabalhador” e defendeu que o texto fosse analisado somente depois das eleições — ou seja, pedia para adiar a votação, não para aprová-la.
A virada desta terça-feira
Nesta terça, Flávio mudou o discurso: “Eu estou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores quer o fim da 6x1” e “Vou votar a favor do fim da 6x1, mas a gente defende algo ainda melhor, sempre”, disse.
“A gente tem que fazer com que o trabalhador tenha direito a uma folga maior sim.”
— Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL
Apesar de declarar voto a favor, ele manteve parte do discurso anterior, defendendo mais flexibilidade de horários — citando casos de trabalho em home office e de mães que precisam conciliar emprego e cuidado dos filhos.
E os aliados? Não há sinal de que tenham acompanhado a mudança
Aqui está o ponto que não pode ser simplificado: os aliados mais próximos de Flávio não acompanharam, até o momento, a virada dele. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em votação simbólica que antecedeu o anúncio de hoje, registraram voto contrário à derrubada da 6x1:
- Rogério Marinho (PL) — coordenador da campanha de Flávio e autor do texto alternativo de livre negociação de escala
- Jaime Bagattoli (PL-RO)
- Tereza Cristina (PP-MS) — pré-candidata à presidência do Senado
- Hamilton Mourão (Republicanos-RS) — vice-presidente no governo Jair Bolsonaro
Segundo a coluna de Tales Faria no Correio da Manhã, o comando do PL orientou os senadores do partido a ignorar as críticas de Lula e chegou a cogitar atrasar a tramitação da matéria no Senado — e, se não conseguisse, não temeria votar contra em plenário. O mesmo texto registra que aliados do partido avaliam ter votos para derrubar a PEC em segundo turno, após as eleições, e que, em caso de vitória de Flávio, a proposta de escala flexível de Marinho seria implementada em seu lugar.
Não há, nas fontes consultadas, nenhuma declaração desses quatro nomes revendo a posição após o anúncio de Flávio nesta terça — o que significa que, por ora, candidato e principais aliados do partido estão em posições divergentes sobre o mesmo tema.
Contexto: PEC já passou pela Câmara
A proposta já havia sido aprovada na Câmara dos Deputados em maio de 2026, por 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo — placar amplamente favorável, inclusive com votos de deputados do PL, caso do mineiro Nikolas Ferreira, que votou a favor apesar de criticar a proposta durante os debates. Agora o texto tramita no Senado, sob relatoria prevista para discussão em cinco sessões, segundo o presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Também é importante registrar, para evitar desinformação: a agência de checagem Aos Fatos desmentiu um boato que circulou nas redes atribuindo a Flávio a promessa de revogar o fim da 6x1 caso fosse eleito — segundo a checagem, não há registro dessa fala nem na imprensa nem nas redes do senador.
Insistência de Marinho irrita até aliados do próprio PL
Segundo apuração do O Bastidor, a resistência de Rogério Marinho à PEC — incluindo o projeto paralelo que ele apresentou, de pagamento por hora trabalhada, e a tentativa frustrada de convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a adiar a discussão — passou a irritar não apenas parlamentares de oposição, mas também dirigentes do próprio PL, entre eles o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. Segundo a mesma apuração, esses grupos chegaram a acusar Marinho de estar perseguindo uma agenda própria, distinta da prioridade do partido de eleger Flávio Bolsonaro. A reportagem não traz, porém, declaração literal de Valdemar sobre essa acusação específica.
Vale registrar que, em matéria publicada anteriormente pelo Painel Político, o próprio Valdemar havia elogiado Marinho como o nome mais bem posicionado para presidir o Senado em 2027, condicionando essa articulação à vitória de Flávio na eleição presidencial — o que indica que o desgaste em torno da PEC não significa, até onde a apuração mostra, um rompimento entre os dois dentro do partido.
PL sinaliza liberação da bancada no Senado
Também nesta terça-feira (13), o presidente Lula (PT) comentou a movimentação do PL em torno da PEC, afirmando que o partido “resolveu votar o fim da escala 6x1” e atribuindo a mudança à pressão das manifestações de rua. Segundo apuração da CNN Brasil, senadores do PL avaliam que a proposta já tem votos suficientes para ser aprovada e defendem que a bancada seja liberada para votar conforme a convicção de cada parlamentar — o que é diferente de uma posição oficial unificada do partido a favor do texto. O PL deveria divulgar um parecer formal sobre o tema na tarde desta terça; até o fechamento desta apuração, esse parecer ainda não havia sido confirmado publicamente, e nenhum dos senadores que registraram voto contrário na CCJ (Marinho, Bagattoli, Tereza Cristina, Mourão) havia se manifestado revendo a posição.
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