Eleições 2026

"Gestão amadora", diz Hildon Chaves sobre cancelamento HEURO

Decreto de 14 de julho transfere recursos carimbados da obra para o caixa geral da pasta, acendendo o debate sobre a gestão da saúde e o futuro do setor

"Gestão amadora", diz Hildon Chaves sobre cancelamento HEURO
📷 Assessoria
📋 Em resumo
  • O governo de Rondônia cancelou a reserva de R$ 231,5 milhões destinados à construção do Hospital de Emergência e Urgência (HEURO).
  • O Decreto nº 31.797, de 14 de julho de 2026, utilizou o mecanismo de "crédito adicional suplementar por anulação" para cobrir despesas correntes.
  • O ex-prefeito e pré-candidato Hildon Chaves classificou a medida como "gestão amadora" e prometeu retomar a construção de um novo hospital em três anos.
  • Por que isso importa: A manobra contábil expõe a tensão clássica entre o equilíbrio fiscal de curto prazo e o planejamento de infraestrutura de saúde de longo prazo no estado
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O governo de Rondônia retirou R$ 231,5 milhões do orçamento destinado à construção do Hospital de Emergência e Urgência (HEURO), em Porto Velho. A medida, oficializada em 14 de julho de 2026, transfere os recursos carimbados para o caixa geral da pasta, acendendo um debate acalorado sobre a gestão da saúde pública e o planejamento de infraestrutura no estado.

A manobra contábil e o fim da reserva financeira

O projeto do novo hospital foi formalmente suspenso com a publicação do Decreto nº 31.797, no Diário Oficial do Estado. O documento oficializou uma manobra contábil conhecida como "crédito adicional suplementar por anulação".

Na prática, exatos R$ 231.565.360,00 que estavam reservados exclusivamente para a construção do HEURO foram transferidos para o caixa geral do Fundo Estadual de Saúde (FES). O objetivo declarado da medida é utilizar esses recursos para pagar as despesas correntes e as contas do dia a dia da secretaria.

A reação política e a promessa de reconstrução

A decisão gerou reação imediata no cenário político estadual. O ex-prefeito da capital e pré-candidato ao Governo do Estado pela Federação União Progressistas, Hildon Chaves, classificou a ação como resultado de uma "gestão amadora dos recursos".

Para Chaves, a falta de planejamento levou o secretário estadual da Saúde, Edilton Oliveira dos Santos, a abandonar uma obra urgente para cobrir falhas administrativas cotidianas. "A população foi iludida e o cofre da obra foi esvaziado", disparou o pré-candidato.

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"A falta de competência administrativa fez o secretário de saúde abandonar a construção do hospital, tão urgente e necessário para a população, apenas para pagar despesas do dia a dia."

Além da crítica, Hildon Chaves apresentou uma contraproposta em seu plano de governo. Ele prometeu construir uma estrutura completamente nova para substituir o atual Hospital João Paulo II, que classifica como "completamente abandonado" em suas instalações, apesar de contar com um corpo médico de excelência. O pré-candidato citou a construção da nova rodoviária de Porto Velho, entregue em um ano e oito meses durante sua gestão, como prova de que o prazo de três anos para o novo hospital é "plenamente realizável".

O dilema entre o caixa imediato e o investimento estrutural

A anulação de uma reserva de investimento para cobrir despesas de custeio é um sintoma recorrente de aperto fiscal em gestões públicas. Embora resolva um problema de fluxo de caixa no curto prazo, essa prática gera um custo de oportunidade altíssimo em infraestrutura.

No caso da saúde, o impacto é duplo: a população continua dependendo de instalações precárias, como as do João Paulo II, e o estado perde a oportunidade de modernizar sua rede de urgência e emergência, que é a porta de entrada para casos de alta complexidade.

O cancelamento do HEURO não é apenas um ajuste de planilha; é um sinalizador claro de prioridades. A transferência de verba de investimento para custeio resolve o presente administrativo, mas hipoteca o futuro do setor.

Em um ano eleitoral, a pergunta que resta ao eleitor não é apenas sobre quem geriu mal os recursos, mas sobre a viabilidade real das promessas de reconstrução. Será que a garantia de um novo hospital em três anos é um projeto técnico factível ou apenas mais um capítulo de ilusões em um setor que já não suporta novos testes de resistência? A resposta estará nas urnas e, principalmente, na execução orçamentária do próximo mandato.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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