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Gladson Cameli é alvo da 4ª fase da Operação Ptolomeu

Quarta fase de investigação que já dura anos, a operação cumpriu 28 mandados e apreendeu o celular do ex-governador — candidato ao Senado que recorre de condenação

Gladson Cameli é alvo da 4ª fase da Operação Ptolomeu
📷 Secom Gov Ac
📋 Em resumo
  • O ex-governador do Acre e candidato ao Senado Gladson Cameli (PP) foi alvo, nesta terça (22), da quarta fase da Operação Ptolomeu, da PF e da CGU, com o celular e três veículos apreendidos em sua casa.
  • Foram 28 mandados de busca em Rio Branco e Cruzeiro do Sul (AC), Maringá (PR) e Navegantes (SC), autorizados pelo STJ; Cameli não foi preso.
  • A nova fase investiga a construção da sede do Imac, com indícios apontados pela CGU de cerca de R$ 1,2 milhão em serviços pagos e não executados, além de suposto desvio de recursos de contratos.
  • Não é a primeira vez: a Ptolomeu tramita desde 2021 (fases I e II), teve uma fase III em 2023 (bloqueio de R$ 120 mi) e culminou, em maio de 2026, na condenação de Cameli pelo STJ a 25 anos e 9 meses — decisão da qual ele recorre e que levou o TRE-AC a barrar sua candidatura.
  • Por que isso importa: a operação atinge um ex-governador já condenado em instância colegiada e com candidatura sub judice, em plena campanha — e a defesa a classifica como "perseguição eleitoral"
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O ex-governador do Acre e candidato ao Senado Gladson Cameli (PP) foi alvo, nesta terça-feira (22), da quarta fase da Operação Ptolomeu, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Em sua residência, no condomínio Recanto Verde, em Rio Branco, agentes apreenderam o celular e três veículos. Ao todo, foram cumpridos 28 mandados de busca em quatro cidades, autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Cameli não foi preso. A ação, porém, está longe de ser a primeira: a investigação se arrasta desde 2021 e já resultou na condenação do político.

O que a Ptolomeu IV investiga: a obra do Imac

Segundo a PF, uma das frentes desta fase analisa a construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac). Uma auditoria da CGU teria encontrado indícios de cerca de R$ 1,2 milhão em serviços que foram medidos e pagos, mas não integralmente executados. A investigação apura ainda a suspeita de que recursos de contratos públicos tenham sido desviados para despesas particulares e para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

A PF examina também a empresa contratada depois para concluir a obra, buscando eventuais indícios de sucessão empresarial e de vínculos com pessoas e companhias que já apareceram em etapas anteriores da Ptolomeu. Todas as suspeitas, frise-se, seguem sob investigação, e a responsabilidade de cada envolvido dependerá da apuração e das decisões judiciais.

Não é a primeira vez: a linha do tempo da Operação Ptolomeu

A Ptolomeu é uma das mais longas investigações da história recente do Acre. Suas fases I e II foram deflagradas em 2021, quando a PF diz ter identificado uma organização criminosa controlada por agentes políticos e empresários ligados ao Executivo estadual. Já na primeira etapa, o imóvel de Cameli foi alvo de buscas, e a PF apreendeu mais de R$ 3 milhões em veículos, relógios, joias e dinheiro. À época, o então governador reagiu com a frase que ficou conhecida: "quem não deve, não teme".

A fase III, em março de 2023, foi uma megaoperação em sete estados, com quase 90 mandados e apoio de PGR, CGU e Receita. O STJ, pela ministra Nancy Andrighi, bloqueou cerca de R$ 120 milhões em bens, suspendeu 15 empresas e afastou 25 servidores; Cameli teve o passaporte apreendido e ficou proibido de contatar outros investigados. A apuração apontava pagamentos de R$ 286,6 milhões a empresas do suposto esquema desde 2019, com recursos da saúde, da educação e do BNDES.

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Em 2024, a PGR denunciou Cameli, que se tornou réu na Ação Penal 1076 — entre os denunciados estavam sua ex-mulher, dois irmãos, empresários e supostos "laranjas". O prejuízo estimado passava de R$ 11,7 milhões, ligado à contratação da empresa Murano Construções.

A condenação de 2026 — e por que ela é contestada

O ponto que redimensiona todo o caso veio em 6 de maio de 2026: a Corte Especial do STJ condenou Cameli a 25 anos e 9 meses de reclusão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. É preciso registrar com precisão: trata-se de condenação em instância colegiada, da qual a defesa recorre, e que ainda não transitou em julgado.

A disputa jurídica é intensa. Em dezembro de 2025, a Segunda Turma do STF (HC 247.281) declarou nulos elementos produzidos entre maio de 2020 e janeiro de 2021. O STJ retirou parte desses documentos, mas manteve a condenação com base em um relatório do Coaf (RIF nº 50.836) considerado "fonte autônoma". A defesa sustenta a tese da "árvore envenenada" — de que toda a prova estaria contaminada — e mantém no STF um habeas corpus (HC 273.968), sob o ministro Gilmar Mendes, que pode trancar a ação penal.

A candidatura barrada pela Ficha Limpa

Como a condenação foi imposta por órgão colegiado, ela aciona automaticamente a Lei da Ficha Limpa. Por isso, em 11 de setembro de 2026, o TRE-AC indeferiu, por unanimidade, o registro da candidatura de Cameli ao Senado. Ele, no entanto, segue como candidato sub judice: enquanto não houver decisão definitiva nos recursos, seu nome permanece na disputa.

A reação da defesa: "abusiva" e "perseguição eleitoral"

A defesa reagiu de imediato. O advogado Erick Venâncio classificou as medidas como "abusivas", "sensacionalistas" e uma "clara perseguição" com fins eleitorais, questionando a realização da operação a semanas do pleito e denunciando um suposto vazamento seletivo de informações a blogs e influenciadores ligados a adversários.

"Mais uma vez, tanto o candidato quanto sua assessoria jurídica se colocaram à disposição da Justiça (...) pela certeza de inocência." — Erick Venâncio, advogado de Gladson Cameli

A saga Ptolomeu já atravessou dois mandatos e agora colide com uma eleição. De um lado, acumulam-se buscas, bloqueios e uma condenação milionária; de outro, a defesa aposta em nulidades e no argumento de que o momento da ação revela perseguição. No meio, o eleitor acreano. A pergunta que fica é quem decidirá primeiro o futuro de Cameli: os tribunais, que ainda analisam os recursos e a validade das provas, ou as urnas de novembro — e o que acontece se as duas respostas não coincidirem.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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