Painel Econômico

Haddad bate o martelo: Arcabouço Fiscal é a chave para driblar Selic alta e impulsionar o Brasil

Ministro defende harmonia entre políticas fiscal e monetária enquanto taxa de juros sobe a 14,25% em 2025

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Em um discurso firme durante o evento “Rumos 2025”, promovido pelo jornal Valor Econômico em São Paulo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saiu em defesa do arcabouço fiscal como pilar essencial para o equilíbrio das contas públicas e o crescimento econômico do Brasil.

Nesta segunda-feira (24), ele reafirmou o compromisso do governo com as metas fiscais, destacando que a harmonia entre as políticas fiscal e monetária é crucial para aliviar os impactos da Selic, que alcançou 14,25% ao ano – o maior patamar desde 2016. “O Brasil não pode ficar refém de juros altos para sempre”, declarou Haddad, sinalizando um embate velado com o Banco Central (BC).

Selic em alta: O peso nos ombros da Economia

A taxa básica de juros, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), subiu 1 ponto percentual na última reunião, refletindo a pressão inflacionária que persiste em 2025. Dados do IBGE apontam que o IPCA, índice oficial de inflação, bateu 1,31% em fevereiro, acumulando 5,06% em 12 meses – bem acima do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O aumento da Selic visa conter a demanda aquecida, mas encarece o crédito e pressiona a dívida pública, que cresce R$ 48 bilhões a cada ponto percentual de alta, segundo cálculos do governo. O Copom já anunciou que o próximo ajuste, em maio, será “em menor magnitude”, mas o mercado prevê que a taxa pode atingir 15% até o fim do ano, conforme o Boletim Focus.

Arcabouço Fiscal: Oescudo de Haddad

Diante desse cenário, Haddad aposta no arcabouço fiscal, implementado em 2023, como solução para dar previsibilidade às contas públicas e abrir espaço para a queda dos juros. A regra limita o crescimento das despesas a 70% da variação da receita, com bandas de tolerância para o resultado primário – de déficit zero em 2024 a superávit de 1% do PIB em 2026. “Nosso compromisso é com a sustentabilidade fiscal, mas sem sacrificar os investimentos sociais”, afirmou o ministro.

Ele criticou gestões passadas por “rombos de R$ 300 bilhões” e destacou que o atual governo já reverteu esse quadro com medidas como a revisão de incentivos fiscais e o aumento da arrecadação em R$ 155 bilhões projetados para 2025.

Harmonia em xeque: Governo x Banco Central

A fala de Haddad reforça uma tensão latente com o BC, que mantém a Selic elevada para segurar a inflação, enquanto o governo busca crescimento econômico. “A política monetária precisa dialogar com a fiscal. Não é só subir juros e esperar milagres”, disse o ministro, ecoando críticas do presidente Lula ao presidente do BC, Roberto Campos Neto. Apesar do atrito, Haddad evitou ataques diretos e enfatizou a busca por “entendimento técnico” com a autoridade monetária. Para ele, o arcabouço é a prova de que o governo faz sua parte, cabendo ao BC responder com “gestos de confiança”.

Economia aquecida, mas com ressalvas

O Copom reconhece que a economia brasileira segue aquecida, embora com sinais de desaceleração. A alta nos preços de energia elétrica e serviços mantém os núcleos da inflação pressionados, justificando a postura cautelosa do BC. Haddad, por outro lado, projeta alívio nos preços dos alimentos ainda em 2025, graças a uma safra agrícola promissora. “A agricultura pode ser o motor do PIB”, destacou, apostando em um crescimento acima da média mundial nos próximos anos.

Um chamado à ação

O ministro concluiu com um recado claro: o arcabouço fiscal não é negociável, e sua execução rigorosa é o caminho para reduzir a dependência de juros altos. “Estamos harmonizando o fiscal e o monetário para o Brasil voltar a crescer com justiça social”, afirmou.

Enquanto o governo e o BC medem forças, o brasileiro segue no aguardo: será que a promessa de equilíbrio fiscal vai, enfim, trazer alívio ao bolso?


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