Eleições 2026

Hildon Chaves ao governo e a aposta em duas mulheres no Senado

A Federação União Progressistas homologou a chapa majoritária e as duas candidatas ao Senado em convenção lotada na Unopar, em Porto Velho

Hildon Chaves ao governo e a aposta em duas mulheres no Senado
📷 Divulgação
📋 Em resumo
  • A Federação União Progressistas (União Brasil e Progressistas) oficializou Hildon Chaves ao governo de Rondônia, com Cirone Deiró como vice, em convenção na Unopar, em Porto Velho.
  • Mariana Carvalho e Silvia Cristina foram homologadas para disputar as duas vagas abertas ao Senado Federal.
  • Maurício Carvalho, irmão de Mariana, foi confirmado como candidato a deputado federal.
  • Hildon centrou o discurso no combate à corrupção e numa crítica direta à situação fiscal do governo estadual.
  • Por que isso importa: com o governador Marcos Rocha fora da disputa e duas cadeiras do Senado em aberto, a federação tenta se firmar como bloco central da sucessão numa eleição de campo cheio
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A Federação União Progressistas, formada por União Brasil e Progressistas, oficializou nesta segunda-feira (3), em Porto Velho, a chapa que disputará o governo de Rondônia nas eleições de outubro. Em convenção lotada no auditório da Unopar, no bairro Lagoa, o ex-prefeito Hildon Chaves (Progressistas) foi confirmado candidato ao governo, com o deputado estadual Cirone Deiró (União Brasil) como vice, enquanto Mariana Carvalho e Silvia Cristina foram homologadas para as duas vagas em aberto no Senado.

O ato reuniu caravanas das regiões norte, centro e sul do estado. O público lotou o auditório e se estendeu para a área externa, onde foi instalado um telão no estacionamento. A abertura oficial estava marcada para as 18h, precedida de coletiva de imprensa às 17h30.

Uma chapa que tenta costurar capital e interior

Ex-promotor de Justiça e por duas vezes prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves apresentou a candidatura como continuidade do trabalho na capital — iniciado, segundo ele, há quase dez anos, no mesmo espaço em que fez sua primeira convenção.

Em discurso, defendeu que os resultados na Prefeitura sustentam um projeto para todo o estado. "Trazemos muita lembrança de como encontramos nossa capital, e hoje a cidade está completamente diferente, refeita, reconstruída. Uma cidade que orgulha", afirmou.

O tom mais duro veio ao tratar das contas públicas. Chaves classificou o momento fiscal do estado como "muito sério" e mirou, sem nomear, a gestão em curso.

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"O governo do estado, por falta de gestão, colocou a gigante Rondônia praticamente de joelhos. As notícias não são boas: o governo está vendendo o almoço para comprar a janta." — Hildon Chaves, candidato ao governo de Rondônia

Segundo o candidato, o desempenho na capital se apoiou em dois pilares que pretende repetir no Executivo estadual: combate à corrupção e gestão. "Não faltou dinheiro na Prefeitura de Porto Velho porque nós tínhamos gestão e combate à corrupção", disse.

Vice na chapa, Cirone Deiró discursou em seguida e explorou o eixo capital–interior, do qual é apresentado como fiador. "Temos aqui hoje a união do interior do estado com a capital. Somos um time de excelência que vai fazer a diferença nesse estado", afirmou.

Duas vagas abertas e uma aposta na representação feminina no Senado

A composição com dois nomes ao Senado não é acaso: a eleição de outubro renova 2/3 da representação de Rondônia na Casa, com duas cadeiras em disputa. A federação preencheu as duas com mulheres — Mariana Carvalho e Silvia Cristina.

Homologada na convenção, a ex-deputada federal Mariana Carvalho (União Brasil) pediu unidade ao grupo e elogiou a gestão Hildon Chaves. "Existe uma Porto Velho antes e outra depois do doutor Hildon", afirmou. Ela também declarou apoio a Cirone Deiró e defendeu a dobradinha feminina.

"Rondônia terá uma oportunidade única de eleger duas mulheres para o Senado, com voz ativa e trabalho voltado para o estado." — Mariana Carvalho, candidata ao Senado

Ao encerrar, cobrou compromisso com o mandato: "No Senado não é lugar para se aventurar, é lugar para trabalhar por Rondônia e pela nossa gente".

Maurício Carvalho reforça a chapa proporcional

Responsável por abrir e encerrar o evento, Maurício Carvalho teve confirmada a candidatura a deputado federal e destacou o simbolismo do palco — o mesmo em que, segundo ele, lançou seu primeiro projeto político, como candidato a vereador.

Irmão de Mariana, viu a candidata ao Senado ser apresentada no palco como a mulher mais votada da história do estado, com mais de 263 mil votos na eleição anterior. Em tom de compromisso, apostou no discurso de resgate ético: "Na vida pública, a única coisa que um homem precisa é ter palavra".

Acompanhado da família, associou o projeto a valores familiares: "Só tem como dar certo se você tiver honestidade, caráter, responsabilidade, e acima de tudo, transformar a vida das pessoas".

O adversário implícito: a herança da gestão que termina

O alvo fiscal do discurso de Hildon é o governo que se encerra em janeiro. O governador Marcos Rocha, hoje no PSD, anunciou que não disputará nenhum cargo em 2026 e permanecerá no cargo até o fim do mandato — decisão tomada em meio ao rompimento público com o vice, Sérgio Gonçalves (União Brasil).

Sem um nome da atual gestão na cabeça de chapa, a sucessão fica aberta, e a federação tenta ocupar esse espaço com um ex-prefeito da capital. É uma aposta que contraria a geografia eleitoral do estado: desde 1990, o interior domina as eleições ao governo, hegemonia quebrada apenas em 2018.

Um tabuleiro cheio para outubro

Hildon não terá caminho livre. Entre os adversários já confirmados estão o senador Marcos Rogério (PL), que abriu mão da reeleição para disputar o Executivo, o ex-prefeito de Cacoal, Adaílton Fúria (PSD) e Expedito Netto (PT), lançado pela federação de esquerda. Pesquisas do primeiro semestre chegaram a apontar Marcos Rogério à frente do cenário estadual.

O calendário aperta o passo: os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.

Mais do que uma convenção de lançamento, o ato na Unopar foi um teste de musculatura — caravanas, telão no estacionamento e uma chapa que se apresenta "de todas as Rondônias". A pergunta que sobra é se um projeto ancorado na capital consegue, desta vez, furar a lógica que há mais de três décadas decide o Palácio Rio Madeira no interior. Outubro dirá se a aposta na memória de gestão de Porto Velho pesa mais do que a máquina do voto rural.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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