Homem fala em suicídio após perder parte da visão em cirurgia oftalmológica do governo de Rondônia
Via Painel Político

As equipes de saúde do governador de Rondônia, Marcos Rocha, são acusadas de provocar problemas de visão ou cegueira em ao menos 40 pessoas que passaram pelos mutirões de cirurgias oftalmológicas realizadas pelo estado no começo deste ano em Porto Velho e contraíram uma infecção ocular.
Na semana passada, o Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero), confirmou casos de infecções oculares em pacientes que foram submetidos às cirurgias realizadas pelo governo.
Após as cirurgias pacientes adquiriram “endoftalmite” que é uma infecção no interior do olho. Ela representa uma emergência médica. Cirurgia ocular, lesão ocular ou infecção na corrente sanguínea podem causar a infecção. Pode ocorrer intensa dor no olho, vermelhidão nos olhos e perda de visão.
Esses vários problemas oculares também é chamado de “uveítes” que são um conjunto de doenças nos olhos, decorrente de uma inflamação do trato uveal ou da úvea, e que corresponde a 03 estruturas íris, corpo ciliar e coróide.
De acordo com os oftalmologistas especialistas em retina, Dr. Wener Passarinho Cella, da Universidade Federal do Maranhão, essa infecção apesar de ser rara é extremamente grave. “O tratamento deve ser iniciado imediatamente a apresentação dos sintomas. Geralmente é necessário inclusive uma cirurgia para a remoção do conteúdo infeccioso do olho na tentativa de salvar a visão do paciente”, explicou.
“Foram registrados no mutirão de cirurgias oftalmológicas ocorrido em fevereiro, 40 casos de endoftalmite (infecção oftalmológica pós cirúrgica). A ocorrência aconteceu durante três dias de mutirão, realizado pela Secretaria de Saúde do Estado de Rondônia (SESAU), quando foram operados na cidade de Porto Velho em torno de 120 pacientes por dia”, explicou o Conselho.
Segundo o Cremero, foram os profissionais de saúde que realizaram os procedimentos que confirmaram as complicações nos pacientes. “Médicos da empresa responsável pelas cirurgias confirmaram as infecções”.
“Um número abusivo de cirurgias realizadas por dia, fica difícil manter a segurança dos procedimentos e pacientes. Dos 40 casos confirmados, 13 foram positivados para a bactéria pseudomonas, a mais grave na especialidade. Esses pacientes correm o risco de perder a visão”, disse a presidente do Conselho, médica Ellen Santiago.
Segundo o Conselho de Medicina “É importante salientar que o paciente precisa ter um pré operatório não só do olho, mas da condição clínica geral também. E em seguida, o acompanhamento médico adequado que evitará possíveis complicações. Um paciente não pode ser operado nessa velocidade sem ter direito a um pós cirúrgico assistido de forma correta pelo médico”.
A Associação Rondoniense de Oftalmologia disse que sempre foi contra a modalidade de mutirões de cirurgias de visão, inclusive já moveram três ações judiciais tentando impedir e alertando dos riscos. “Entendemos que atendimentos coletivos não é a forma mais segura de realização de tais cirurgias”. Segundo a Associação esse surto de infecções em Rondônia é o maior já registrado no Brasil.
REPERCUSSÃO – O caso ganhou mais visibilidade, quando o deputado federal Léo Moraes (Podemos) levou a situação para o Ministério Público Estadual, pedindo investigação e explicações da empresa contratada pelo estado e responsável por todos os procedimentos cirúrgicos.
“Pacientes informaram que os cuidados básicos de higiene não foram respeitados no local, inclusive os pacientes que aguardavam o procedimento reutilizavam a bata cirúrgica dos que ja haviam feito a cirurgia. Um verdadeiro absurdo e negligência”, disse o deputado.
O deputado afirmou que todos os pacientes são humildes e sem condições de custear despesas extras com procedimentos para reverter os problemas de saúde.
“São pacientes em sua maioria que não possuem condições financeiras para custear aplicações de injeção para combater as inflamações ou até mesmo as consultas com oftalmologistas. São pessoas que estão desesperadas e que viram o sonho de enxergar melhor virar um pesadelo”.
De acordo com o parlamentar os problemas poderiam ter sido evitados. “Ficou muito claro de que essa tragédia poderia ter sido evitada. Iremos até o fim para que todos os responsáveis sejam punidos severamente, pois já temos casos de pacientes que tiveram a confirmação da perda da visão. E isso não pode ficar impune!”.
DESESPERO – Alguns pacientes procuraram ajuda do deputado Léo Moraes, para reparar os danos junto ao estado e a justiça.
Um senhor de 70 anos, “Antônio” relatou que pensou em se matar depois que passou a não enxergar.
Ele ficou cego de um olho e com a córnea esbranquiçada. “Do lado esquerdo não enxergo nada, do direito ainda enxergo (vultos). Eu dirijo e não posso mais dirigir”.
“Ontem minha irmã liga desesperado, dizendo que ele quer se matar”, diz o filho do senhor Antônio.
“Eu enxergava pouquinho, mas enxergava, dirigia (carro) tudo. E agora vou ficar cego e não adianta viver, sem ver luz nenhuma”, diz o idoso sobre os pensamentos de tirar a própria vida.
Uma mulher de 70 anos de idade, “dona Maria” perdeu a visão nos dois olhos e só consegue se locomover com ajuda de familiares e amigos.
“Eu só posso andar de guia. Do quarto pra sala e ir comer é tudo com guia. Eu não consigo ver. Se você tá bem aqui na minha frente eu não estou lhe vendo. Meu filho tá aqui comigo, eu não vejo meu filho”, diz a idosa em desespero e chorando. O filho diz que dona Maria era totalmente dependente dentro de casa.
As famílias negam que estejam recebendo ajuda do governo. Todos alegam que foram esquecidos pelo estado, são orientados a comprar “colírios caríssimos” e nada é resolvido. Os pacientes dizem que nenhum exame foi feito antes dos procedimentos cirúrgicos. Todas as declarações estão em um vídeo compartilhado pelo deputado Léo Moraes nas redes sociais.
Maria Guimarães, advogada da empresa responsável pelas cirurgias disse que “desde que o primeiro caso foi apurado, foi aberta uma sindicância para investigação da causa da infecção. Todo o tratamento e assistência aos pacientes estão sendo realizados, tanto transporte quanto medicamento. Todos foram comunicados e está sendo dado todo o suporte necessário para cada um deles. É muito importante que todos realizem o tratamento que está apresentando resultados positivos para que se alcance a melhora visual”.
Cerca de 15 mil pacientes já foram submetidos as cirurgias oftalmológicas feitas pelas equipes do governo estadual. Aproximadamente 550 deles não enxergavam nada e depois dos procedimentos 400 recuperaram a visão.
Mesmo com os riscos de infecções o governo diz que até o meio do ano deve zerar a fila de cirurgias de visão. E que os atendimentos não serão cancelados ou suspensos. O programa de cirurgias continua acontecendo.
A promotoria de Saúde, por meio da Assessoria de Comunicação do Ministério Público confirmou para o PAINEL POLÍTICO que “foi aberto um procedimento para apurar o que aconteceu e as eventuais responsabilidades”.
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