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Impopularidade de Trump atinge 63% e ameaça republicanos no Congresso

Com economia em queda e guerras externas, presidente americano enfrenta rejeição recorde que pode definir o controle do Congresso nas eleições de novembro

Impopularidade de Trump atinge 63% e ameaça republicanos no Congresso
📷 Jim Watson / AFP
📋 Em resumo
  • Aprovação de Trump cai para 36%, com 63% de desaprovação na pesquisa Reuters/Ipsos
  • Economia e preço dos combustíveis são os principais fatores de desgaste do presidente
  • Eleições legislativas de novembro podem mudar o equilíbrio de forças no Congresso
  • Impactos globais das políticas de Trump afetam aliados e adversários, incluindo o Brasil
  • Por que isso importa: A popularidade de Trump pode definir o rumo da política americana e suas repercussões internacionais nos próximos anos.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), enfrenta o pior momento de popularidade em seu segundo mandato, com 63% de desaprovação segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 11 de maio. Com eleições legislativas marcadas para novembro, os republicanos podem perder o controle do Congresso — cenário que limitaria drasticamente a agenda do presidente.

Economia: o calcanhar de Aquiles do segundo mandato

A trajetória de queda na aprovação de Trump acompanha de perto o desgaste econômico sentido pelo eleitor americano. O índice de 36% de aprovação representa uma leve recuperação ante a mínima histórica de 34% registrada no fim de abril, mas mantém o presidente em patamar equivalente ao pior momento de Joe Biden (Democrata) no fim de 2024.

O núcleo do problema está no bolso do cidadão. Levantamento da Reuters mostra que 64% dos americanos desaprovam a condução econômica de Trump — o pior resultado de seus dois mandatos. A aprovação na área econômica chegou a 27% em abril, abaixo dos 32% registrados por Biden em seus momentos mais críticos.

"Se a economia estivesse indo bem, as pessoas não se importariam tanto com o fato de ele querer construir um salão de festas na Casa Branca. Mas com a economia indo mal, isso tudo ganha uma outra interpretação."

A avaliação é de Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais e especialista em política dos EUA. Para ele, a queda acelerada após o "tarifaço" anunciado em abril de 2025 e, principalmente, após a ofensiva contra o Irã em fevereiro deste ano, que elevou o preço do petróleo e dos combustíveis.

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Guerras externas, desgaste interno

Trump foi eleito em 2024 com um "acordo tácito" com parte do eleitorado: tolerância ao seu estilo em troca de resultados econômicos. O mote "America First" prometia foco interno e redução de conflitos externos. O roteiro, contudo, seguiu direção oposta.

Além da guerra com o Irã, o presidente enfrentou crises de imagem relacionadas aos arquivos do caso Jeffrey Epstein e a mortes de cidadãos americanos em operações antimigratórias — temas que geraram críticas até entre apoiadores.

Poggio resume: "A questão central que explica a aprovação baixa do Donald Trump hoje é a economia". Quando o preço da gasolina sobe e a inflação aperta, a tolerância a ruídos políticos diminui.

O reflexo eleitoral já começou

A impopularidade não é apenas um dado de pesquisa — já produz efeitos concretos nas urnas. Nas eleições locais de novembro de 2025, os democratas conquistaram vitórias simbólicas, como a eleição de Zohran Mamdani (Socialista Democrata) para a prefeitura de Nova York, mesmo com campanha ativa de Trump contra o candidato.

Análise do site Politico em abril indicou que candidatos democratas tiveram, em média, desempenho 5 pontos superior ao registrado pelo partido na eleição presidencial de 2024. Projeções da plataforma Race to the WH, do jornalista Logan Phillips, apontam mais de 70% de chance de os democratas retomarem a Câmara nas Midterms de 3 de novembro.

O Senado deve permanecer sob controle republicano, mas por margem estreita. Para Poggio, reverter o cenário até lá será difícil: "Quanto mais tempo os preços continuarem altos, principalmente os da gasolina, e sem nenhum sinal de queda forte no horizonte, mais difícil fica qualquer reversão".

O mundo observa — e sente os efeitos

Decisões de Trump reverberam além das fronteiras americanas. O tarifaço, a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro na Venezuela e as ameaças contra Groenlândia e Canadá geraram ondas de impacto global.

Na Europa, a aproximação com Trump tornou-se passivo político para aliados. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, sofreu derrota em referendo sobre reforma judicial em março, em meio ao desgaste provocado pela guerra no Irã e pela impopularidade do presidente americano no país. Em abril, Meloni criticou Trump após troca de farpas com o papa Leão XIV — movimento lido como tentativa de distanciamento estratégico.

No Brasil, os efeitos são mais contidos, mas presentes. O país é autossuficiente em petróleo, mas importa derivados. A inflação de abril foi a mais alta para o mês em quatro anos, pressionada pelos efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio.

"Qualquer impacto político no Brasil virá de alguma consequência econômica, se ela acontecer."

A ressalva de Poggio destaca que o Brasil está em situação mais favorável que Japão e nações europeias, mas não imune. Em ano eleitoral brasileiro, turbulências externas podem influenciar o clima político interno — especialmente se o preço da energia seguir pressionado.

O cenário desenhado até aqui sugere que Trump enfrenta um dilema clássico: a necessidade de entregar resultados econômicos rápidos em um contexto de restrições políticas crescentes. A pergunta que fica não é apenas se ele conseguirá reverter a impopularidade até novembro, mas que tipo de presidência emergirá caso os republicanos percam o controle da Câmara.

Uma coisa é certa: o eleitor americano já sinalizou que prioriza o bolso sobre o espetáculo. Resta saber se o ritmo dos eventos permitirá a Trump ajustar a rota — ou se a conta chegará antes.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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