Indígena de Rondônia ganha coluna na Folha de São Paulo
Via Painel Político

Ativista indígena de Rondônia, Txai Suruí, Coordenadora da Associação de Defesa Etnoambiental – Kanindé e do Movimento da Juventude Indígena estadual, ganhou destaque em um dos maiores jornais do país, a Folha de São Paulo.
Txai Suruí escreve sobre direitos dos povos tradicionais da Amazônia e meio ambiente. Desde o dia 18 de fevereiro deste ano ela faz suas publicações no jornal. Os textos trazem reflexões sobre política e poder dentro do contexto das questões climáticas mundiais.
Ela é a a primeira ativista indígena de Rondônia, não reconhecida em seu estado, mas que se populariza mundo a fora pelo seu trabalho com jovens e em defesa dos povos da Amazônia, que escreve para um veículo de comunicação de circulação nacional e até internacional.
No texto desta semana ela reflete sobre os ataques e ameaças aos indígenas no Brasil.
“Confesso que esta semana foi difícil. Dia 18 de abril fará dois anos da morte do meu amigo e guardião da floresta Ari Uru Eu Wau Wau, que prossegue ainda sem respostas. No entanto, o luto e a dor de sua perda continuam.
Lembro bem quando minha família teve que ser escoltada por quase um ano pela Força Nacional por causa das ameaças que meus pais estavam recebendo pelas denúncias de invasões em nosso território. Ameaças que persistem até hoje.
Assim são tratados os defensores do meio ambiente neste país. O Brasil é o quarto país que mais mata defensores ambientais no mundo, e a maioria dos casos aconteceu na Amazônia. O assassinato de indígenas aumenta a cada ano.”
Em outro artigo publicado em 26 de fevereiro, escreveu sobre como os poderosos ditadores interferem no clima.
“Urge que os povos do mundo se unam e fundem uma nova ordem no planeta, na qual não existam mais oprimidos e opressores, vencedores e perdedores
Onde a política social e econômica estejam fundadas no respeito, cooperação, sustentabilidade ambiental, fim das desigualdades sociais e na libertação e autonomia dos povos
Que os ditadores, tiranos e os que a esses se assemelham não dominem a sociedade
E que homens, mulheres, crianças, jovens e idosos possam andar por seus países, ruas, campos e cidades na certeza de que mesmo havendo fronteiras o amor e a paz prevalecerão”.
E em 18 de março, publicou um texto sobre o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que se auto homenageou com a Medalha do Mérito Indigenista.
“Os que deveriam proteger os indígenas, a Funai e seu presidente, atacam esses povos.
Não posso esquecer que, depois de eu ter discursado na ONU durante a COP-26, fui atacada por Bolsonaro, o que gerou um ataque sistemático de racismo nas redes sociais contra mim por seus seguidores.
Um governo que institui a censura e destrói a cultura não pode receber a Medalha do Mérito Indigenista; até porque nem sabem o que é ser indigenista.
Finalizo dizendo que os povos indígenas repudiam o ato de auto-homenagem com a Medalha do Mérito Indigenista aos inimigos dos indígenas e que os povos originários exigem respeito!”.
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