Radar do Judiciário

Ingratidão: Fernando Máximo e sertanejos Cleber e Cauan estão sendo processados em GO por não prestarem contas a sócios

Sócios que investiram na carreira da dupla desde 2015 cobram na Justiça de Goiás a prestação de contas de seis anos e o ressarcimento dos valores.

Ingratidão: Fernando Máximo e sertanejos Cleber e Cauan estão sendo processados em GO por não prestarem contas a sócios
📷 Painel Político
📋 Em resumo
  • Secretário de Saúde de Rondônia, Fernando Máximo, e a dupla Cleber e Cauan são alvo de ação na Justiça de Goiás movida por sócios que investiram na carreira da dupla e cobram prestação de contas desde 2015.
Compartilhar: WhatsApp X LinkedIn

“A fortuna (destino ou sina), em poucos instantes, produz grandes mudanças.” A frase é do imperador romano Júlio César (101 a.C. – 44 a.C.) e cai como uma luva em uma história de ingratidão que foi parar em um tribunal goiano, envolvendo o secretário de Saúde de Rondônia, Fernando Rodrigues Máximo e os cantores sertanejos Cleber e Cauan (Charlles Rodrigues Máximo, irmão de Fernando).

O caso teve início em 2015, quando Fernando, ainda inexpressivo no cenário político, procurou alguns parentes bem sucedidos financeiramente, para que investissem na dupla Cleber e Cauan, que na época já caminhava para o sucesso, mas faltava ‘aquele gás’. Convencidos os parentes, o primeiro aporte dos novos sócios, que teriam 20% dos lucros da dupla a partir daquele momento, foi feito.

O contrato prevê que sejam repassados a todos os sócios, relatórios mensais de gastos, investimentos, entradas e saídas, e claro, o pagamento dos dividendos. E é aí que começam os problemas. Desde 2015 foram repassadas apenas algumas planilhas aleatórias, feitas de qualquer jeito, e sem nenhuma nota anexada, comprovando gastos, mostrando entradas. A dupla, e Fernando, nunca deram qualquer tipo de satisfação aos sócios, pelo contrário, quando eram cobrados, ignoravam os pedidos.

Mas, por outro lado, os cantores melhoraram de vida. Passaram a ostentar um novo padrão de vida, e, como disse Júlio César “a fortuna (destino ou sina), em poucos instantes, produz grandes mudanças.”. Os cantores, e Fernando Máximo pararam de atender as ligações dos sócios que acreditaram na dupla e investiram tempo, dinheiro e carinho, afinal, por mais que seja ‘um negócio’, não fosse a relação familiar, dificilmente eles teriam se aventurado pelo ramo musical.

Além de não estar dando satisfação sobre as finanças da empresa, Fernando Máximo, que atualmente ocupa o cargo de secretário de Saúde em Rondônia, fez várias retiradas do caixa da dupla, que apareceram nas poucas planilhas que foram enviadas ao longo de 6 anos. Também foram feitos empréstimos, patrimônio como um ônibus da dupla que foi vendido, estrutura de palco e cenários que integravam o inventário, desapareceram.

Apoie o jornalismo independente
Leia o Painel Político por inteiro
Assine e tenha acesso ao arquivo completo e a tudo que publicamos. Você sustenta um jornalismo que não se dobra ao poder.
Assinar por R$ 19/mês
ou acompanhe de graça
São canais, não grupos: só o Painel publica, ninguém comenta, seu número fica oculto. Saia quando quiser.

A banca Castro e Alarcão Advogados, que representa os sócios lesados, ingressou com uma ação requerendo que Fernando Máximo, seu irmão Charlles (Cauan) e Cleber prestem contas dos últimos 6 anos. A banca pediu ainda a quebra dos sigilos fiscais e bancários e perícia judicial além de buscas por veículos e patrimônio do trio.

A partir do resultado contábil, os advogados devem requerer o ressarcimento dos valores que deveriam ter sido repassados aos sócios.

‘O que dói é a ingratidão’

Um dos sócios que está movendo o processo contra Fernando Máximo, em conversa com a reportagem, disse que independente do dinheiro, o que mais pesa nessa história toda é o desprezo e a ingratidão, “eu tinha um carinho imenso por Fernando, era como se fosse um filho, foi por conta dele que entramos nessa sociedade”, disse um dos investidores, e completou, “a ingratidão com pessoas que ajudaram no momento mais difícil abala a gente. Você estende a mão quando a pessoa mais precisa e hoje em dia ele até bloqueou meu número, realmente isso não é coisa de gente bem intencionada”, disse.

Midiático e dramático

Fernando Máximo vem se notabilizando à frente da secretaria de Saúde de Rondônia não por sua competência em administrar a pandemia, mas por coletivas e vídeos apelativos. Em 2020 o secretário contraiu Covid-19 e chegou a divulgar um vídeo onde ele aparecia usando um capacete elmo para auxiliar na respiração. Como resultado, contraiu hepatite medicamentosa, provocada possivelmente pelo uso de medicamentos sem eficácia contra o coronavírus, mas agressivos ao sistema hepático.

Recentemente gravou um vídeo fazendo um apelo dramático para que a população evitasse aglomerações, alegando que faltam leitos de UTI em Rondônia, o Estado que está entre os três mais complicados do país quando o assunto é coronavírus.

Formado em medicina no Amazonas, Máximo chegou a morar no Acre e em seguida migrou para Rondônia, onde trabalhou na Unir. O secretário dividia seu tempo entre atender pacientes e cuidar paralelamente da carreira da dupla, na qual seu irmão integra.

Fernando Máximo vem ensaiando alçar voos mais altos na política, chegou a cogitar uma candidatura a prefeito em 2020, mas desistiu. Agora sonha com uma vaga no Senado ou uma cadeira na Câmara dos Deputados. Se na política ele agir igual vem agindo na vida empresarial, já sabemos qual vai ser o resultado. Mais um para fazer promessas sem cumpri-las.

💬 Comentários

Carregando comentários…

#fernandomaximo #cleberecauan #rondonia