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Jornalista é morto a tiros em Oaxaca; é o 6º caso no México em 2026

Francisco Alejandro Leyva Aguilar, crítico do governo estadual, foi baleado enquanto comia em San Pablo Etla. México segue como o país mais letal do continente para a imprensa.

Jornalista é morto a tiros em Oaxaca; é o 6º caso no México em 2026
📷 reprodução
📋 Em resumo
  • Francisco Alejandro Leyva Aguilar, ex-diretor da emissora pública CORTV e colunista crítico do governador Salomón Jara, foi morto a tiros por homens armados em motocicleta em San Pablo Etla, Oaxaca, na quarta-feira (22/07)
  • Uma mulher também ficou ferida no ataque; a Fiscalia de Oaxaca (FGEO) ainda não confirmou suspeitos nem motivação e pediu apoio da Procuradoria-Geral da República via unidade especializada em crimes contra a liberdade de expressão (FEADLE)
  • É o sexto jornalista assassinado no México em 2026, segundo a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP); a Artigo 19 contabiliza 13 mortes de comunicadores desde o início do governo de Claudia Sheinbaum, em outubro de 2024
  • O país aparece na 122ª posição entre 180 nações no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa 2026 (RSF), à frente até de países em guerra como Ucrânia e Síria em letalidade contra jornalistas
  • Por que isso importa: o caso expõe a persistência da violência contra a imprensa em governos estaduais mesmo sob discurso oficial de proteção, e reforça o padrão de impunidade que atinge mais de 90% dos crimes contra comunicadores no país (RSF)
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O jornalista Francisco Alejandro Leyva Aguilar, ex-diretor da Corporação Oaxaquenha de Rádio e Televisão (CORTV) e autor da coluna "El Zumbido del Moscardón", foi assassinado a tiros na manhã desta quarta-feira (22) no município de San Pablo Etla, no estado de Oaxaca, sul do México. Segundo testemunhas ouvidas pela imprensa local, ele comia em uma barraca de comida no bairro La Esmeralda quando pelo menos dois homens armados, em motocicleta, dispararam repetidas vezes contra ele.

Uma mulher também ficou ferida no ataque, segundo a polícia local. Leyva Aguilar chegou a receber os primeiros socorros de paramédicos acionados por testemunhas, mas morreu no local em decorrência dos ferimentos por arma de fogo, conforme apurou o jornal El Financiero.

Crítico declarado do governo estadual

Leyva Aguilar dirigiu a CORTV durante a gestão do ex-governador Alejandro Murat Hinojosa e era filiado ao PRI (Partido Revolucionário Institucional). Mais recentemente, se dedicava ao jornalismo de opinião pela coluna e pelo canal em vídeo "El Zumbido del Moscardón", difundidos no Facebook e no TikTok, onde era um dos críticos mais contundentes do governador Salomón Jara Cruz (Morena). Segundo o site Proceso, o jornalista acusava Jara Cruz de atos de corrupção, nepotismo e abuso de autoridade dentro do que chamava de "Primavera Oaxaquenha".

"Fue un periodista crítico de nuestro gobierno, como muchos otros comunicadores que ejercen todos los días su derecho a cuestionar, señalar y expresar libremente sus opiniones", declarou o governador Salomón Jara em nota oficial.

Jara Cruz também afirmou que seu governo "seguirá sendo respeitoso da crítica e da liberdade de expressão" e que nenhuma divergência derivada do exercício jornalístico pode justificar um ato de violência, segundo trecho reproduzido pelo El Informador.

Investigação e pedido de apoio federal

O governador informou ainda que solicitou à Fiscalia Geral do Estado (FGEO) que estabeleça coordenação com a Procuradoria-Geral da República (FGR), por meio da unidade especializada em delitos contra a liberdade de expressão (FEADLE), para reforçar as investigações. A Agência Estatal de Investigações (AEI) já isolou a área, recolheu indícios periciais e analisou câmeras do sistema de monitoramento urbano C5 em busca de imagens dos atacantes, segundo o site Proceso. Até o fechamento das primeiras apurações, a Fiscalia não havia confirmado detidos nem uma linha oficial de investigação sobre o motivo do crime, de acordo com o El Financiero.

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Sexto caso do ano expõe padrão de violência

O assassinato de Leyva Aguilar é, segundo a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), o sexto registrado contra jornalistas no México em 2026. A entidade classificou o crime como parte de "um padrão alarmante de violência contra a imprensa no país" e cobrou das autoridades "ações urgentes e efetivas" para conter a onda de ataques, segundo comunicado da SIP. A organização também lembrou que, na semana anterior, havia condenado a morte do jornalista Josué Martínez Contreras, diretor do portal Noticias San Martín Texmelucan, baleado por atiradores em motocicleta em frente à própria casa, no estado de Puebla, na presença da mãe e do filho de 13 anos.

A lista de comunicadores mortos neste ano inclui ainda um repórter policial em Poza Rica, Veracruz, morto em janeiro dentro de um restaurante; a jornalista Roxana Guzmán, sequestrada em casa em vídeo divulgado nas redes sociais e cujo assassinato foi confirmado em julho após cerca de um mês de desaparecimento; e um repórter de nota policial, também em Poza Rica, morto em junho enquanto contava com medidas cautelares de proteção, segundo levantamento do site Sergio Valle.

A organização Artigo 19 contabiliza um quadro ainda mais amplo: 13 jornalistas assassinados no México desde o início do governo da presidente Claudia Sheinbaum Pardo, em outubro de 2024, até 16 de julho de 2026, dos quais cinco ocorreram somente neste ano, segundo dado citado pela revista Punto de Vista.

México lidera letalidade contra a imprensa nas Américas

O caso reacende o alerta sobre a posição do México na Classificação Mundial de Liberdade de Imprensa 2026, da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que colocou o país na 122ª posição entre 180 nações avaliadas, com pontuação de 45,23 — uma leve subida de dois postos em relação a 2025, mas que a própria RSF classificou como "ilusória", já que reflete antes a piora de outros países do que uma melhora real nas condições mexicanas. Segundo reportagem da Infobae, mesmo com essa subida no ranking geral, o país segue como o mais letal do continente americano para o exercício do jornalismo havia pelo menos 15 anos, à frente inclusive de nações em guerra declarada como Ucrânia e Síria em número de mortes de comunicadores.

O relatório da RSF também destacou que a conivência entre autoridades locais e o crime organizado persiste como ameaça direta a quem exerce o jornalismo no país, um fator citado recorrentemente em casos como o de Oaxaca, onde a vítima denunciava publicamente, segundo a Infobae México, atos de assédio e perseguição por parte de autoridades estaduais nos meses anteriores ao crime.

Impunidade como padrão

Levantamentos citados pela emissora TV Azteca apontam que, historicamente, mais de 90% dos crimes contra jornalistas no México ficam sem punição para os mandantes, o que alimenta um ciclo de violência que combina disputas políticas locais, atuação de grupos criminosos e ausência de mecanismos eficazes de proteção. O Mecanismo de Proteção a Pessoas Defensoras de Direitos Humanos e Jornalistas, criado pelo governo federal mexicano, é frequentemente citado por entidades como a própria RSF como estrutura "débil", incapaz de evitar ameaças, assédio e atentados mesmo contra comunicadores já amparados por medidas cautelares — caso do repórter morto em junho em Poza Rica, que tinha proteção formal da Comissão para a Proteção de Jornalistas quando foi assassinado.

Enquanto a Fiscalia de Oaxaca não aponta suspeitos nem motivação oficial, o caso de Leyva Aguilar se soma a uma lista que cresce a cada mês em 2026 e que testa, mais uma vez, a capacidade do Estado mexicano de proteger vozes críticas dentro e fora dos grandes centros urbanos.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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