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Justiça dos EUA intima ex-noiva de Vorcaro a depor sobre rastro de bens do Banco Master

Tribunal de Falências do Sul da Flórida marcou para 8 de dezembro o depoimento de Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, a pedido da liquidante do Banco Master, que investiga se recursos desviados da instituição foram repassados a ela ou à sua empresa nos EUA

Justiça dos EUA intima ex-noiva de Vorcaro a depor sobre rastro de bens do Banco Master
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  • A Justiça Federal de Falências do Distrito Sul da Flórida intimou Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, a depor sob juramento em 8 de dezembro, no escritório da banca Sequor Law, em Miami
  • O pedido foi apresentado pela EFB Regimes Especiais de Empresas, liquidante nomeada pelo Banco Central do Brasil para conduzir a liquidação extrajudicial do Banco Master
  • A liquidante investiga se dinheiro desviado da instituição foi repassado a Martha Graeff ou à sua empresa patrimonial, a Graeff Holdings LLC, registrada em Surfside, na Flórida
  • A intimação também exige documentos sobre negociações de obras de arte, imóveis de luxo e contratos de prestação de serviços, com prazo de entrega até 30 de novembro
  • Martha Graeff já declarou publicamente não ter conhecimento de irregularidades na gestão do Master e afirma ter terminado o relacionamento com Vorcaro após a primeira prisão dele
  • O caso ocorre em paralelo a outras ações da liquidante nos EUA e no Brasil, que já miram cerca de R$ 4,8 bilhões em bens e fundos ligados a Vorcaro e familiares, incluindo o pai e a irmã do banqueiro
  • Por que isso importa: o depoimento marca a expansão formal, para o território americano, da tentativa de recuperação de ativos ligados ao colapso do Banco Master — um dos maiores escândalos financeiros recentes do Brasil, que já resultou na prisão de Daniel Vorcaro e na liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. A Justiça da Flórida é hoje um dos principais palcos onde se tenta rastrear, fora do Brasil, o destino de recursos que teriam sido retirados da instituição antes e durante sua quebra — e o nome de Martha Graeff entra nesse rastro não como acusada, mas como possível fonte de informação sobre o patrimônio de Vorcaro.
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O Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida determinou que Martha Graeff, modelo e empresária que foi noiva de Daniel Vorcaro, preste depoimento sob juramento em 8 de dezembro, no escritório da banca de advocacia Sequor Law, em Miami. A decisão atende a um pedido da EFB Regimes Especiais de Empresas, a liquidante responsável pela liquidação extrajudicial do Banco Master desde que o Banco Central determinou a medida, em novembro de 2025.

Segundo a petição apresentada à Justiça americana, a liquidante busca esclarecer se recursos retirados do Banco Master foram transferidos para Martha Graeff pessoalmente ou para a Graeff Holdings LLC, empresa patrimonial dela registrada em Surfside, na Flórida. A ordem judicial também exige a apresentação de documentos bancários, comprovantes sobre origem e destino de recursos, contratos de prestação de serviços e registros relativos à compra, venda ou consignação de obras de arte e itens de luxo negociados ou mantidos pela empresária ou por sua empresa. O prazo para entrega da documentação é 30 de novembro — ou seja, antes mesmo do depoimento presencial.

O que está sendo investigado, e o que ainda é apenas suspeita

É fundamental, neste ponto, aplicar a mesma régua que qualquer apuração envolvendo acusação não condenada: a intimação para depor não representa condenação, nem comprovação de envolvimento de Martha Graeff em qualquer irregularidade. Ela é chamada como testemunha e fonte potencial de informação — não como ré em processo criminal.

O que a liquidante busca verificar, segundo a petição, inclui: se a Graeff Holdings prestou serviços ao Banco Master ou a empresas ligadas à instituição; se a empresa recebeu pagamentos, transferências ou bens movimentados por Vorcaro ou por pessoas que atuavam em nome dele; e se há vínculo entre recursos desviados do banco e a aquisição de bens de alto valor, incluindo obras de arte.

Um ponto específico citado na petição, segundo reportagens que tiveram acesso ao documento, envolve um imóvel de luxo — um apartamento duplex — que teria sido adquirido com recursos supostamente desviados do Banco Master e posteriormente transferido para Fabíola de Almeida Macedo, ex-mulher de Vorcaro, em um acordo de divórcio. A petição também menciona que fundos e trusts offshore ligados ao banqueiro, como o chamado Fortress Legacy Trust, teriam mantido o pagamento de despesas de manutenção do imóvel mesmo após a transferência para a ex-mulher. Até a publicação desta reportagem, não há confirmação pública independente desses detalhes além do que consta na petição apresentada pela própria liquidante — ou seja, trata-se, por ora, de alegação da parte autora do processo, não de fato estabelecido pela Justiça americana.

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A posição de Martha Graeff

Martha Graeff já se manifestou publicamente sobre o caso antes mesmo da intimação formal: ela nega conhecimento de qualquer irregularidade na gestão do Banco Master e afirma ter encerrado o relacionamento com Vorcaro após a primeira prisão dele. Até a publicação desta reportagem, não havia nova manifestação específica da empresária ou de sua defesa sobre o conteúdo exato da intimação de 8 de dezembro — o que deve ser buscado antes de qualquer nova atualização sobre o caso, em linha com o direito ao contraditório.

O pano de fundo: o colapso do Banco Master

Para contextualizar a relevância do depoimento, vale relembrar o histórico do caso. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, no mesmo dia em que a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero — ele teria sido detido ao tentar deixar o Brasil em um jato particular com destino a Malta. A medida se estendeu a outras empresas do grupo, incluindo o Banco Master Múltiplo, o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank e a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada pelo Banco Central como liquidante, com amplos poderes para administrar e vender os ativos do conglomerado em busca de recursos para pagar credores. Desde então, a liquidante vem movendo ações no Brasil e no exterior para rastrear patrimônio: em março de 2026, ela processou o pai e a irmã de Vorcaro, Henrique Vorcaro e Natalia Vorcaro Zettel, sob acusação de terem recebido mais de US$ 1 bilhão desviados da instituição. Decisão judicial brasileira do mesmo período apontou indícios de desvio bilionário de patrimônio antes da liquidação, mirando ao menos R$ 4,8 bilhões em bens — incluindo 19 imóveis, 13 empresas e três fundos de investimento ligados ao banqueiro.

Segundo apurações da imprensa brasileira sobre o funcionamento do esquema, o Master teria se baseado fortemente na venda de CDBs com remuneração muito acima do mercado — chegando a 140% do CDI —, usando a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como argumento de venda, enquanto parte dos recursos captados era, segundo a investigação, desviada através de operações com fundos controlados pelo próprio grupo.

Daniel Vorcaro, que permanece preso em Brasília, nega a acusação de fraude de R$ 12 bilhões e diz ser vítima de perseguição — posição que, por respeito ao contraditório e à presunção de inocência, deve constar de qualquer reportagem sobre o caso até que haja decisão judicial definitiva.

O que falta esclarecer

Permanecem pendentes de confirmação, até a publicação desta reportagem: se a Graeff Holdings LLC efetivamente recebeu recursos ligados a Vorcaro, conforme suspeita da liquidante; o desfecho específico da alegação envolvendo o imóvel transferido a Fabíola de Almeida Macedo e o trust Fortress Legacy; e se o depoimento de Martha Graeff, marcado para 8 de dezembro, resultará em novas informações relevantes para o processo de recuperação de ativos nos Estados Unidos.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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