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Justiça homologa plano de recuperação da Avibras em meio à crise financeira

Decisão pode salvar maior indústria bélica do Brasil, mas trabalhadores ainda enfrentam desafios com salários atrasados

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A Justiça homologou, na segunda-feira (30), o plano alternativo de recuperação judicial da Avibras Indústria Aeroespacial, sediada em Jacareí (SP), uma das principais empresas do setor de defesa do Brasil. A decisão, assinada pelo juiz Matheus Amstalden Valarini, da 2ª Vara Cível de Jacareí, foi publicada no Diário Oficial e divulgada na terça-feira (1º), trazendo esperança para a retomada das atividades da companhia, que enfrenta uma grave crise financeira há cerca de três anos. O plano, aprovado em assembleia de credores em 26 de maio de 2025, foi proposto pela Brasil Crédito, uma das maiores credoras da empresa, e conta com o apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, do Ministério Público e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A Avibras, fundada em 1961 por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), é peça-chave na indústria de defesa brasileira, responsável pelo desenvolvimento do sistema Astros 2020, um projeto estratégico do Exército Brasileiro. O sistema, que inclui o míssil tático de cruzeiro AV-TC (MTC-300), é capaz de atingir alvos a 300 quilômetros com precisão de até nove metros, tecnologia dominada por apenas 11 países. No entanto, desde 2022, a empresa enfrenta dificuldades financeiras, acumulando uma dívida estimada em R$ 1,5 bilhão, incluindo débitos com trabalhadores, governo federal, bancos e fornecedores.

Um plano para evitar a falência

O novo plano de recuperação substitui integralmente a proposta inicial, que não avançou devido ao descumprimento de obrigações pela empresa. Entre os pontos centrais, está a destituição do atual proprietário, João Brasil Carvalho Leite, e a nomeação de um interventor judicial para gerir a transição. A Brasil Crédito, que apresentou o plano, também negocia a possível aquisição da Avibras, o que pode representar um novo capítulo para a companhia. Caso o plano não seja cumprido, a Justiça alerta que a falência da empresa poderá ser decretada, o que seria um golpe significativo para a indústria de defesa nacional e para os cerca de 900 trabalhadores ainda vinculados à empresa.

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