Léo Moraes e Maurício Carvalho são os grandes vencedores das eleições municipais em Porto Velho
Moraes enfrentou o maior arco de alianças já montado para uma candidatura; Maurício foi o grande articulador político da irmã; Avante, de Jair Montes também fez bonito

Contra todas as possibilidades e apostas, Léo Moraes (Podemos) está no segundo turno de uma das disputas mais acirradas e desiguais da história política de Rondônia. A expectativa no comitê de campanha de Mariana Carvalho (União Brasil) é que a vitória se daria logo no primeiro turno, 'de lavada', mas não foi bem assim. Apesar da diferença significativa (44,53% de Mariana contra 25,69% de Léo), no segundo turno a situação deve ser bem diferente.
E quem explica isso é a matemática. Se somarmos os votos dos candidatos derrotados Célio Lopes, Euma Tourinho, Benedito Alves, Ricardo Frota e Samuel Costa (74.559), mais os votos de Léo, teremos 138.684 votos, o que daria uma diferença de 27.355 votos em relação a votação de Mariana no primeiro turno. A lógica desse raciocínio é bem simples, quem não votou em Mariana no primeiro turno, não votará no segundo. Evidente que isso não é uma lógica fechada, há muitas variantes nessa conta, incluindo as abstenções e aqueles que vão mudar de ideia. Temos que levar em consideração ainda aqueles que não querem votar em nenhum dos dois.
Lógica matemática do segundo turno
Pontos Positivos
Eleitores que não apoiaram Mariana no primeiro turno podem se concentrar em Léo no segundo, tornando a disputa mais acirrada.
Esta análise ajuda a entender os possíveis padrões de comportamento dos eleitores.
Pontos Negativos
Cálculos simples ignoram a complexidade e variabilidade do comportamento dos eleitores.
O resultado do segundo turno também é influenciado por abstenções e mudanças de atitude dos eleitores.
Mas, vamos deixar os exercícios de futurologia para outra ocasião, e nos ater ao que passou no primeiro turno.
Mariana Carvalho despontou como favorita logo nas primeiras sondagens, que vinham sendo realizadas desde o ano passado. Os principais concorrentes então eram o deputado federal Fernando Máximo e Léo Moraes, que ocupava o cargo de diretor do Detran. Esses, nas contas do entorno de Mariana, seriam derrotados com certa facilidade.
Seu staff errou porém em um ponto, Maurício Carvalho deveria ter sido o candidato do grupo, e a história possivelmente teria sido outra. Maurício, irmão de Mariana foi vice de Hildon Chaves e não carrega consigo o desgaste político natural de sua irmã, que foi vereadora, deputada federal por dois mandatos e candidata derrotada ao Senado em 2022. E foi por conta da expressiva votação obtida por ela naquela ocasião que seu grupo apostou na candidatura à prefeita.
E foi uma aposta alta, com vários players de peso. Maurício, bem articulado e com perfil agregador, tratou de construir um arco de alianças considerado ‘imbatível’. Primeiro conseguiu tirar de cena o então favorito, Fernando Máximo. Em uma manobra de ‘cima para baixo', trabalhando nos bastidores, evitou a candidatura de Máximo, que desapareceu do processo. Ao mesmo tempo, amealhou o apoio do governador Marcos Rocha, do presidente da Assembleia, Marcelo Cruz, do prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, um dosprincipais cabos eleitorais de Mariana e de grande parte da Câmara de Vereadores. Numa cidade cuja economia depende, e muito, dos salários dos servidores públicos, o céu parecia de brigadeiro.
Mas…
As variantes eram muitas. Moraes se viu isolado, com praticamente todos os candidatos a vereador coligados ou apoiando Mariana Carvalho. Com a esquerda dividida entre Célio Lopes e Samuel Costa, além do MDB apostando em candidatura própria, parecia que realmente a vitória, até hoje inédita, aconteceria em primeiro turno.
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O eleitor preferiu ir contra a maré. Moraes e Mariana estão no segundo turno que promete ser um dos mais disputados.
O resultado obviamente importa, mas o que realmente vem sendo construído são duas lideranças novas, com forte potencial para 2026. Se Moraes for eleito prefeito, afirmou que pretende cumprir todo o mandato, mas será um importante apoio para quem for disputar governo e senado em 2026. Já Maurício mostrou que, independente de sua irmã, seu futuro como articulador e liderança política está garantido. Se Mariana for prefeita, ótimo, do contrário, isso não afetará o cenário.
Quem sobra nessa conta é Hildon Chaves, atual prefeito e cabo eleitoral de Mariana. Chaves aposta suas fichas na eleição da pupila para buscar ser candidato em 2026 ao governo ou senado. Mas as variáveis são inúmeras, a começar pelo resultado do segundo turno deste ano. Sem Mariana na prefeitura, Chaves fica isolado. Rocha deve apoiar seu atual vice, Sérgio Gonçalves para o governo, ele próprio é candidato natural ao Senado e teremos ainda Silvia Cristina, Fernando Máximo, Lúcio Mosquini, Adaílton Fúria, os atuais senadores, Confúcio e Marcos Rogério, além é claro, do próprio Maurício Carvalho, que estreou como gente grande no atual contexto.
Como disse anteriormente, os excercícios de futurologia são muitos, mas a realidade costuma bater à porta e constuma deixar muitos desconfortavéis. Certo mesmo é que Léo Moraes mostrou que não dá para ser subestimado. Tal qual seu pai, Paulo Moraes, comprovou que sabe se reinventar e é bom de campanha. Já Maurício provou que é um player que sabe jogar, e vai fazer a diferença nas próximas disputas. Independente do resultado deste segundo turno, ambos saíram gigantes.
Avante fez bonito
Outro que também mostrou que sabe manobrar nos bastidores foi o ex-deputado Jair Montes (Avante). Conseguiu eleger 8 vereadores, dois em Porto Velho (Zé Paroca e Breno Mendes), além de Clébim Fúria (Cacoal), Luciana Saldanha e Marcos da Hora (Candeias), Rafael Silva (Castanheiras), Fábio Júnior e Professora Angela (Itapuã) e ainda o prefeito de Itapuã, Nei Martins.
Com esse resultado, Montes se consolida como uma importante liderança partidária no Estado, organizou uma legenda minúscula e vem conseguindo construir nominatas vencedoras.
