Licitação de impressoras Braille em Rondônia ignora pareceres técnicos e deixa alunos cegos sem material
Processo iniciado em 2022 supera três anos, custa mais de R$ 5 milhões e é alvo de denúncias por falhas técnicas, atrasos e possível desperdício de recursos públicos

O Governo de Rondônia homologou a aquisição de 209 impressoras Braille destinadas à rede pública estadual de ensino, mesmo diante de laudos técnicos, ensaios independentes e perícia judicial que apontam falhas graves de funcionamento nos equipamentos escolhidos. O processo licitatório teve início em dezembro de 2022, já ultrapassou três anos de duração e envolve recursos superiores a R$ 5 milhões.
De acordo com documentos analisados, a impressora selecionada foi o modelo ViewPlus Columbia, representado no certame pela empresa Exittus. Relatórios técnicos indicam que o equipamento não consegue imprimir livros didáticos completos em Braille, pois apresenta travamentos antes da conclusão de materiais mais extensos. Os testes também apontam que a impressora não atinge a velocidade mínima exigida no edital, com desempenho real até quatro vezes inferior ao informado pela própria fabricante.
Outro ponto considerado crítico é a incompatibilidade do equipamento com o software Braille Fácil, ferramenta desenvolvida pelo Ministério da Educação e utilizada há mais de duas décadas em salas de recursos multifuncionais em todo o país. A ausência de integração inviabiliza o uso da impressora dentro do padrão já adotado pelos professores da educação especial, comprometendo a produção de material pedagógico para estudantes cegos.
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