Machadinho d’Oeste: MPF cobra respostas sobre cerco e excessos em reintegração de posse onde morreram dois
Em um embate entre cumprimento de ordens judiciais e direitos de trabalhadores rurais, o incidente de 23 de novembro expõe fragilidades na mediação de conflitos fundiários

O Ministério Público Federal (MPF) em Rondônia intensificou suas ações de fiscalização em meio a um conflito agrário que ganhou contornos de tensão extrema em Machadinho d’Oeste, no interior do estado. Na última semana, o órgão expediu ofícios à Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec) e à Superintendência do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) em Rondônia, solicitando esclarecimentos detalhados sobre episódios ocorridos em 23 de novembro de 2025. Esses documentos visam apurar supostos abusos durante uma operação de reintegração de posse, que resultou na interrupção de uma reunião oficial da Ouvidoria Agrária Nacional com trabalhadores rurais acampados e na morte de dois camponeses em circunstâncias consideradas suspeitas pelo MDA.
O cerne do incidente remete a uma comitiva federal composta por servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do MDA, que se deslocou a Machadinho d’Oeste para realizar uma reunião com famílias acampadas. O objetivo era investigar denúncias de violência contra acampamentos que reivindicam imóveis rurais do Grupo Di Gênio para fins de reforma agrária. De acordo com nota oficial emitida pelo MDA no mesmo dia 23, a equipe recebeu “inúmeras denúncias de excessos no cumprimento de ordens judiciais de reintegração de posse, incluindo a destruição de acampamentos que estavam fora das áreas em litígio e a morte de dois trabalhadores rurais pela Polícia Militar (PM) em circunstâncias vistas como suspeitas”
A nota enfatiza que a reunião ocorria “fora dos locais que são objeto do conflito agrário e das ordens judiciais”, quando dois oficiais de justiça do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ/RO), acompanhados por dezenas de policiais militares, cercaram o local. Segundo o MDA, a saída das pessoas só foi permitida mediante a prestação de dados pessoais e assinatura, sob o pretexto de “realizar a citação de réus nos processos de reintegração de posse”.
Este conteúdo é exclusivo para assinantes.
Por menos de um café por semana, leia sem limites.