Marcos Rogério não deixou o personagem da CPI e mergulha no negacionismo para cooptar corações bolsonaristas
Via Painel Político

O senador Marcos Rogério, candidato ao governo de Rondônia não conseguiu abandonar o personagem que ele construiu na CPI da Pandemia, que defendia Jair Bolsonaro mesmo quando confrontado por provas (e não convicções) de diversos crimes cometidos pelo ainda chefe do executivo.
E o ‘ainda’ se deve ao estado de abandono que se encontra Bolsonaro, que também ficou refém do discurso e isso, evidente, se reflete no processo eleitoral.
Ainda em 9 de fevereiro de 2017, quase dois anos antes das eleições presidenciais, escrevi artigo aqui mesmo em PAINEL POLÍTICO onde eu dizia que Jair Bolsonaro seria o próximo presidente, e a culpa era da esquerda.
Jair Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil; e a culpa é da esquerda
Minha avaliação à época, se deu em função de todo o movimento que vinha se agregando no entorno da ainda em debate, candidatura daquele deputado do centrão que era ridicularizado pela imprensa. Em 2018, Bolsonaro foi eleito e estamos aqui atualmente.
O discurso fácil e o personagem construído por Bolsonaro durante a campanha, tomou corações e mentes dos brasileiros em primeiro momento, em um Brasil contaminado pelo ódio disseminado pelos meios de comunicação e redes sociais, em momento de grande turbulência. Passada a ressaca, veio a dura realidade, Bolsonaro é pior do que se imaginava.
No ápice da pandemia, fez discurso minimizando cuidados, ridicularizou os doentes e ainda recusou comprar vacinas meses antes, pela metade do preço. Tudo isso foi provado e comprovado através de documentos e depoimentos na CPI, onde Marcos Rogério fazia a alegria dos apoiadores de Bolsonaro, com interrupções e teses enfadonhas. A CPI acabou e Bolsonaro deverá responder por todos os seus crimes no futuro próximo. Ele sabe disso, seus assessores mais próximos sabem, e até Marcos Rogério, mas ele prefere ignorar que o fato que todos já pularam do barco e os que ficarem, vão afundar.
Até Blairo Maggi, o maior produtor de soja do país, já desembarcou e declarou apoio a Lula em seu estado, Mato Grosso. E o agro é um dos setores mais engajados na campanha de reeleição.
O bolsonarismo fecha portas para segmentos importantes da sociedade, que trazem exatamente a pluralidade, como sindicatos, pequenos agricultores, movimentos sociais, que são a base de sustentação da esquerda e da sociedade, que até flerta com o centro-direita, mas nunca com a direita radical. Ela encontra eco maior no segmento evangélico.
Em 2012, Rondônia tinha 528.150 pessoas que se declaravam evangélicas, representando 27,2% do total de habitantes. Atualmente são 33,8% da população. E é neste segmento, que também tem a menor taxa de educação (sem instrução e fundamental incompleto – 57.91%) que Marcos Rogério aposta suas fichas, além, é claro, nos que preferem acreditar que a culpa da inflação, da pandemia e da tragédia econômica que o país atravessa, é culpa do Supremo Tribunal Federal que não deixa Bolsonaro trabalhar e por isso ele passa os dias passeando de moto e jetski..
Marcos Rogério construiu para si uma narrativa, de um ferrenho e leal defensor de Jair Bolsonaro, tomando o lugar de Marcos Rocha no ‘coração do capitão’. Mas isso sequer foi levado em consideração. Bolsonaro já deu indicativos de que não vai apoiar a candidatura de Marcos Rogério, nem de Rocha, porque assim ele ganha dos dois lados. E o senador acha isso normal. Em seus perfis em redes sociais, segue contrariando fatos em defesa de um Bolsonaro que diminui a cada pesquisa. Nesta quinta-feira, 18, o DataFolha mais uma vez indicou que Lula deve vencer no primeiro turno, enterrando de uma vez por todas as expectativas de reeleição.
Sem Bolsonaro no segundo turno, o que restará para Marcos Rogério, caso ele chegue lá? Como ele pretende direcionar sua campanha?
Faltou tanto a Marcos Rogério quanto Marcos Rocha, personalidade política própria. Ambos são frutos de um movimento que vem encolhendo e tende a ser repudiado mais fortemente nos próximos anos, seja pela truculência, seja pelo negacionismo. E o brasileiro já comprovou que as sandices pregadas pela extrema direita, como negar a vacina, não se criam. Atualmente temos 80,5% da população imunizada. O que resta é exatamente o tamanho de Jair Bolsonaro e seus seguidores.

O discurso radical de fraude nas urnas é a maior besteira que circula nas eleições deste ano. Se em 2018 tínhamos a ‘mamadeira de piroca’, em 2022 temos o ‘voto impresso auditável’. Alexandre de Moraes, em sua posse no Tribunal Superior Eleitoral, enterrou a palhaçada, deixando um Jair desconfortável e isolado. A sociedade brasileira quer a volta da normalidade institucional, quer pagar suas contas, quer emprego, comida no prato, estudar e viver. O Brasil de 2022 é uma ante-sala de Gilead.
E se os representantes da direita em Rondônia não conseguem compreender o momento de virada que se aproxima, vão querer condenar o Estado ao atraso. Rondônia foi um dos poucos estados que não ingressou no Supremo pedindo compensação pela perda de ICMS resultante das políticas populistas e irresponsáveis de Jair Bolsonaro e seus cúmplices no Centrão. O estado sempre trabalhou com caixa apertado, com aumento da dívida pública em 2023, o cenário para investimentos, obras e equipamentos é nebuloso.
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