Eleições 2026

Mariana Carvalho percorre Cone Sul em busca da 2ª vaga no Senado

Candidata pelo Republicanos cumpre agenda em seis municípios do Cone Sul de Rondônia, reforça prestação de contas e articula com prefeitos e lideranças locais. Com 12% nas pesquisas, ela disputa posicionamento em campo aberto pela sucessão de Marcos Rogério

Mariana Carvalho percorre Cone Sul em busca da 2ª vaga no Senado
📋 Em resumo
  • Ponto-chave 1: Mariana Carvalho (Republicanos) cumpriu agenda de quatro dias em seis municípios do Cone Sul de Rondônia, entre 4 e 7 de agosto.
  • Ponto-chave 2: A candidata destacou a estruturação da UTI Neonatal do Hospital Regional de Vilhena como resultado de sua atuação parlamentar.
  • Ponto-chave 3: Pesquisa Real Time Big Data (julho/2026) mostra Dr. Fernando Máximo (PL) na liderança com 19%; Mariana aparece com 12%, empatada tecnicamente pela 2ª vaga.
  • Ponto-chave 4: A região do Cone Sul concentra cerca de 300 mil habitantes e é polo agrícola e comercial estratégico para o estado; Vilhena é o 3º maior município de Rondônia.
  • Por que isso importa: A agenda testa a capacidade de Mariana de converter capital político construído na capital em votos no interior — variável decisiva em uma eleição para Senado em que a 2ª vaga está tecnicamente em aberto.
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A candidata ao Senado Mariana Carvalho (Republicanos) cumpriu, entre os dias 4 e 7 de agosto, uma agenda de quatro dias em seis municípios do Cone Sul de Rondônia: Colorado do Oeste, Pimenteiras do Oeste, Cabixi, Corumbiara, Cerejeiras e Vilhena. A roteirização, que incluiu reuniões com prefeitos, vereadores, ex-prefeitos, empresários e representantes da sociedade civil, marca a primeira grande incursão da candidata no interior do estado desde a homologação de sua candidatura pelo partido, no início de agosto.

A estratégia não é casual. O Cone Sul é a segunda região mais populosa de Rondônia — atrás apenas do Vale do Jamari — e concentra cerca de 300 mil habitantes distribuídos em municípios de médio porte com forte vocação agrícola. Vilhena, ponto final da agenda e maior cidade da região, é o terceiro município mais populoso do estado, com 109.651 habitantes estimados pelo IBGE para 2025, PIB per capita de R$ 40.328 e vocação diversificada entre agricultura (soja, milho), pecuária, indústria e serviços.

"Quero continuar sendo uma voz ativa em defesa dos municípios de Rondônia, trabalhando para que as políticas públicas cheguem, de forma concreta, a quem mais precisa. O Cone Sul pode contar com a nossa dedicação e com uma atuação responsável, próxima das pessoas e focada em resultados."

— Mariana Carvalho, candidata ao Senado por Rondônia

Prestação de contas no território: da UTI Neonatal à Agrocer

O tom da agenda foi de prestação de contas misturada a escuta de demandas. Em Vilhena, Mariana destacou a estruturação da UTI Neonatal do Hospital Regional — iniciativa voltada ao atendimento de recém-nascidos que precisam de cuidados especializados. A unidade, segundo a candidata, permite que famílias da região tenham acesso ao atendimento neonatal no próprio município, evitando, em determinados casos, o deslocamento para outras cidades em momento de fragilidade. O dado é politicamente relevante: a mortalidade infantil em Vilhena é de 11,44 óbitos por mil nascidos vivos (2023), índice que, embora em queda histórica, ainda representa uma demanda sensível para a população local.

Em Cerejeiras, a candidata participou da exposição da cidade promovida pela Associação Agropecuária de Cerejeiras (Agrocer) — evento que reúne produtores rurais e lideranças do setor primário, base econômica da região. As demandas discutidas abrangeram saúde, educação, cultura, esporte, infraestrutura e causa animal. A escolha do evento não foi acidental: a Agrocer é um dos principais agregadores de influência política e econômica do Cone Sul, e sua feira anual atrai público de toda a macrorregião.

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Ainda em Vilhena, Mariana encerrou o roteiro com encontros políticos, religiosos e comunitários, incluindo representantes do bairro Embratel, que apresentaram reivindicações relacionadas à saúde, infraestrutura, esporte e espaços de convivência. O bairro, criado nas décadas de 1970 e 1980 durante a expansão da cidade, é uma das áreas mais populosas de Vilhena e concentra eleitores de perfil variado — de trabalhadores do comércio a servidores públicos.

O cenário eleitoral: uma 2ª vaga em aberto e um campo fragmentado

A agenda de Mariana Carvalho no Cone Sul ocorre em um cenário eleitoral fluido. A pesquisa Real Time Big Data divulgada em 16 de julho mostra Dr. Fernando Máximo (PL) na liderança isolada para o Senado, com 19% das intenções de voto. A disputa pela segunda vaga, porém, está tecnicamente em aberto: Silvia Cristina (PP) tem 14%; Confúcio Moura (MDB) e Bruno Bolsonaro Scheid (PL) aparecem com 13% cada; e Mariana Carvalho registra 12% — todos dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Confúcio deixou a corrida eleitoral, anunciando que não será mais candidato.

Os números revelam uma característica do eleitorado rondoniense: a fragmentação. Com 54% dos entrevistados não sabendo ou não respondendo em pesquisa espontânea para o governo do estado, o eleitor rondoniense ainda está em formação — o que abre janela para movimentações de campanha nos dois meses finais.

A eleição para Senado em Rondônia em 2026 tem uma dinâmica particular: são duas vagas em jogo, uma delas deixada por Marcos Rogério (PL), que migrou para a disputa pelo governo do estado. O outro titular é Confúcio Moura (MDB), que inicialmente buscava a reeleição, mas desistiu da candidatura em 30 de julho — abrindo espaço para uma reorganização das forças de centro e centro-direita.

A saída de Confúcio altera o tabuleiro. Máximo, médico e ex-secretário estadual de Saúde, herda parte da base bolsonarista que Marcos Rogério deixou no Senado. Silvia Cristina (PP), ex-deputada federal, tem forte atuação em Ji-Paraná e no Vale do Jamari. Mariana, por sua vez, precisa converter o capital político acumulado em Porto Velho — onde foi vereadora (2008-2012), deputada federal (2015-2023) e candidata à prefeitura em 2012 e 2024 — em votos no interior.

A trajetória que explica a aposta no interior

Mariana Carvalho tem 37 anos e uma trajetória que mistura ascensão meteórica e derrotas recentes. Eleita vereadora de Porto Velho em 2008 pelo PSDB com apenas 1.829 votos, saltou para a Câmara dos Deputados em 2014, quando obteve 60.324 votos (7,55%) e foi a terceira candidata mais votada do estado. Reeleita em 2018 com 38.776 votos (4,95%), chegou a presidir o PSDB de Rondônia e a ocupar a 2ª Secretaria da Câmara dos Deputados entre 2017 e 2019 — cargo que a tornou a primeira mulher a integrar a Mesa Diretora da Casa.

A trajetória, porém, tropeçou nas urnas municipais. Em 2024, candidata à prefeitura de Porto Velho pelo UNIÃO, venceu o primeiro turno com 111.329 votos (44,53%), mas foi derrotada no segundo turno por Léo Moraes (PODE), que obteve 105.406 votos (43,82% dos válidos) — uma reviravolta que expôs a dificuldade da candidata de capitalizar liderança em disputas mano a mano.

A derrota em Porto Velho explica, em parte, a aposta no interior. Na eleição para Senado, o voto não é municipal — é proporcional ao eleitorado de todo o estado. E o interior de Rondônia, especialmente o Cone Sul e o Vale do Jamari, concentra população e produtividade agrícola crescentes. Vilhena sozinha tem quase 64 mil eleitores registrados no TRE-RO — número significativo em um estado com pouco mais de 1,2 milhão de eleitores.

O que está em jogo: da prestação de contas à construção de coalizão

A agenda de Mariana no Cone Sul não foi apenas de campanha — foi de coalizão. Ao reunir-se com prefeitos, vereadores e ex-prefeitos em seis municípios em quatro dias, a candidata sinalizou que pretende construir uma rede de apoio que vá além da estrutura partidária do Republicanos, partido de médio porte em Rondônia. A estratégia é clássica para quem disputa uma vaga de Senado sem a máquina de um governo estadual ou a estrutura de um partido grande: usar o tempo de TV e o radiofônico para se posicionar, mas usar o corpo a corpo no interior para viabilizar o voto.

O risco, porém, é real. Com 12% nas pesquisas e quatro candidatos tecnicamente empatados pela segunda vaga, Mariana precisa não apenas crescer — precisa se diferenciar. Sua aposta na prestação de contas (UTI Neonatal, infraestrutura) e na proximidade com lideranças locais é uma tentativa de construir uma narrativa de "trabalho concreto" em contraste com candidatos mais identificados com polarizações nacionais.

A pergunta que a campanha precisa responder nas próximas oito semanas é se o eleitor rondoniense, em um ano de alta fragmentação e com mais da metade do eleitorado indeciso, vai premiar a candidata que aposta no território — ou se vai se render à lógica da polarização nacional que, em Rondônia, se traduz na força do PL e na candidatura de Marcos Rogério ao governo.


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