No dia da eleição, Lula promete reforma do Judiciário e defende seu governo
Após votar em São Bernardo do Campo, presidente defendeu mandato fixo para ministros do STF, criticou pesquisas eleitorais e fez apelo a eleitores com mais de 70 anos para comparecerem às urnas
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- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, após votar neste domingo (4) em São Bernardo do Campo (SP), que vai propor uma reforma do Poder Judiciário em 2027 se for reeleito, incluindo mandato fixo para ministros do STF
- Ele defendeu formar um conselho com juristas e consulta à sociedade para definir os critérios de escolha dos futuros ministros da Corte, e disse que dois ou três ministros devem se aposentar no próximo mandato
- Lula minimizou pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos dias, chamou a apuração de "pesquisa definitiva" e fez apelo para que eleitores com mais de 70 anos, não obrigados a votar, compareçam às urnas
- Por que isso importa: é a primeira vez, nesta campanha, que o presidente detalha publicamente um plano de reforma do Judiciário caso seja reeleito — tema que tende a gerar debate institucional nos próximos meses
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste domingo (4), após votar em São Bernardo do Campo (SP), que pretende propor, já em 2027, uma reforma do Poder Judiciário caso seja reeleito. "Eu, ganhando as eleições, eu vou propor para o ano que vem uma reforma no Poder Judiciário. E também tem que ter uma reforma na política. Tem que ter uma profunda na política", disse.
O que Lula propõe para o Judiciário
Segundo o presidente, dois ou três ministros do Supremo Tribunal Federal devem se aposentar no próximo mandato, e caberá ao presidente da República indicar os substitutos ao Senado — hoje responsável por aprovar as indicações, conforme prevê a Constituição. Lula disse que pretende definir um tempo de mandato para os ministros da Suprema Corte, hoje vitalícios até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.
O presidente defendeu ainda critérios mais rígidos para quem ocupa a Corte: "quem quiser integrar o tribunal não pode 'querer ser rico'. É incompatível. Aquilo é um sacerdócio", afirmou.
Sobre o processo de escolha, Lula disse que pretende consultar a sociedade e montar um conselho para selecionar os futuros ocupantes das vagas, reunindo juristas e "pessoas que conhecem o mundo do direito" para definir os critérios. Segundo ele, não pretende "inventar uma reforma" — a proposta final seria, em suas palavras, "aquela que a sociedade entender que deva ser feita". Até o momento, o presidente não detalhou um texto ou projeto de lei para a mudança — trata-se, por ora, de uma intenção anunciada verbalmente, sem proposta formalizada.
"Pesquisas não valem nada", diz Lula sobre levantamentos recentes
O presidente minimizou pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos dias, dizendo que os levantamentos "de ontem e anteontem não valem nada" diante do resultado da apuração, previsto para as 17h. Para ele, a votação de hoje é a "pesquisa definitiva, sem variação" — "é o resultado final das eleições", disse. "Seja boa ou ruim, é a pesquisa que vai valer."
Lula fez também um apelo direto a eleitores com mais de 70 anos — faixa etária para a qual o voto é facultativo, não obrigatório, pela legislação eleitoral — para que compareçam às urnas: "a pessoa tem que pensar no Brasil, nos seus filhos, nos seus netos."
Balanço do governo e crítica ao caso Banco Master
Ao defender a própria gestão, Lula afirmou que o país foi "recuperado", citando controle da inflação, retomada do crescimento e aumento do salário mínimo, além do que chamou de "uma verdadeira revolução na educação". Reconheceu, por outro lado, que "ainda falta muito": "são 500 anos de atraso, e você não resolve 500 anos em dez anos", disse, defendendo a necessidade de "fazer o dobro" nos próximos anos.
O presidente também criticou o que chamou de "orgia" em torno da "quadrilha do Banco Master" — termo usado por ele sem detalhar a quem especificamente se refere. É importante separar a fala do presidente do que está de fato apurado: o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após suspeitas de irregularidades em seu processo de crescimento; o caso é hoje objeto de investigações em andamento — do próprio Banco Central, da Polícia Federal e do Tribunal de Contas da União —, incluindo apuração sobre uma tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB). O controlador do Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso no Aeroporto de Guarulhos. Até o momento, não há condenação definitiva relacionada ao caso — as investigações seguem em curso, e a fala de Lula classificando o episódio como obra de uma "quadrilha" é uma caracterização política do presidente, não um fato juridicamente estabelecido.
Lula também criticou a venda de armas como caminho de desenvolvimento: "O Brasil não irá pra frente facilitando a venda de armas", disse, afirmando que o país avança "com a distribuição de livros didáticos nas escolas, e não 'com miliciano'".
Educação e minerais críticos
Sobre educação, o presidente disse ser preciso "formar, formar e formar" cada vez mais jovens para a "revolução industrial digital e a transição energética", e afirmou que o Brasil deve aproveitar oportunidades como o setor de minerais críticos, processando e agregando valor internamente em vez de repetir o modelo de exportação de commodities dos ciclos do ouro e do minério de ferro. "A gente vai querer processar aqui dentro do Brasil, transformar e produzir as coisas com valor agregado", disse.
São Paulo: Lula cita Haddad, Marina e Tebet
Em São Paulo, Lula disse confiar na vitória de Fernando Haddad (PT) ao governo do estado e de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado, afirmando que São Paulo "nunca teve a chance de votar em duas pessoas" com a qualificação das duas candidatas.
Contexto: dia de votação em todo o país
A votação das Eleições Gerais de 2026 começou às 8h e segue até as 17h, no horário de Brasília. Em caso de necessidade de segundo turno, a data prevista é 25 de outubro.
Versão em áudio disponível no topo do post.