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Mark Zuckerberg e a mina de ouro eleitoral no Brasil: como o Facebook fatura milhões com as eleições

Em quatro anos, os gastos com impulso digital cresceram mais de 69%, revelando a força das redes sociais em campanhas eleitorais no Brasil, mas será que o processo é realmente democrático?

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As eleições de 2024 confirmaram a crescente importância das redes sociais no cenário político brasileiro, e o Facebook, de Mark Zuckerberg, saiu como o maior beneficiado. Com um faturamento de R$ 98,2 milhões em impulso de conteúdo eleitoral, a plataforma reforça seu papel como a principal ferramenta de propaganda digital, utilizada tanto por candidatos de pequenas cidades do interior quanto pelos maiores nomes das capitais.

Curiosamente, outros dois grandes fornecedores, DLocal Brasil e Adyen , movimentaram juntos mais de R$ 64 milhões . Embora essas empresas não atuem diretamente no impulso de conteúdo, elas desempenham um papel fundamental como intermediadoras financeiras. Isso significa que muitos dos recursos que passam pela DLocal e Adyen acabam desembocando no próprio Facebook, financiando os impulsos que são essenciais para as campanhas. Essas empresas viabilizam a transferência de recursos para as plataformas digitais, facilitando a compra de anúncios eleitorais.

Quando comparamos com as eleições de 2020, o salto nos investimentos é expressivo. Naquele ano, os três maiores fornecedores movimentaram cerca de R$ 96 milhões . Já em 2024, esse número saltou para mais de R$ 162 milhões , representando um aumento de 69% . Esse crescimento mostra que as campanhas estão cada vez mais dependentes das redes sociais para alcançar os concorrentes e disputar o voto.

Contudo, essa expansão traz à tona uma reflexão importante. O marketing digital, de fato, democratizou o acesso à publicidade política. Desde o candidato de uma pequena cidade do interior até os postulantes às maiores prefeituras, todos entenderam a importância de se posicionar nas redes sociais. No entanto, ainda que qualquer candidato possa fazer uso dessas ferramentas, a realidade é que o poder aquisitivo continua a ser um factor decisivo.

Além disso, em 2024, uma mudança significativa foi o posicionamento do Google, que não permitiu o impulso de conteúdo eleitoral . Isso levou os candidatos a concentrarem ainda mais seus investimentos no Facebook e em outras plataformas que mantiveram essa opção. Com isso, o Facebook se fortaleceu como o principal canal de propaganda digital, enquanto o Google decidiu se afastar dessa prática.

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Se por um lado as redes sociais abrem um campo de disputa mais amplo e acessível, por outro, quem tem mais recursos financeiros consegue transferir mais conteúdo, ampliando sua visibilidade. Isso não garante a vitória, mas cria uma desigualdade significativa em termos de exposição e alcance. Assim como nas campanhas tradicionais, em que quem tinha mais recursos poderia chegar a mais participantes, o universo digital segue o mesmo princípio: o dinheiro compra mais visibilidade.

Como cientista político, pondero que o ambiente digital é um universo a ser explorado, e a internet é, sim, um espaço democrático no sentido de permitir a participação de qualquer candidato. No entanto, ela não equaliza o processo eleitoral. O poder aquisitivo continua sendo um elemento central no alcance das campanhas, dando vantagem àqueles que podem investir mais em impulsionamentos.

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As eleições de 2024 reafirmam que, no Brasil, vencer uma corrida eleitoral exige não apenas boas propostas, mas também uma presença forte e estratégica no ambiente digital. E, nesse cenário, plataformas como o Facebook se tornaram grandes vitoriosas, enquanto empresas como DLocal e Adyen seguem operando nos bastidores, garantindo que o motor financeiro dessas campanhas continue funcionando.