MDB fecha chapa em Rondônia: Pedro Adib governador e Amir Lando vice
Legenda também apoia Acir Gurgacz (PDT) ao Senado e indica Paulo Andrade, da Unopar, como primeiro suplente, encerrando especulações de ruptura na majoritária
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- O MDB de Rondônia fechou sua chapa majoritária nesta quinta-feira (6): Pedro Adib permanece candidato a governador e Amir Lando foi aprovado como vice-governador
- A legenda também decidiu apoiar o ex-senador Acir Gurgacz (PDT) ao Senado Federal e indicou o empresário Paulo Andrade, proprietário da Unopar, como primeiro suplente
- A decisão encerra especulações de ruptura que surgiram após a convenção do partido, quando o nome do vice ainda não estava definido
- Amir Lando, 81 anos, ex-senador, ex-ministro da Previdência e relator da CPI do PC Farias, retorna ao palco eleitoral após anos afastado
- Acir Gurgacz agora conta com o apoio do PDT, MDB e aguarda o PSB, que já acenou para uma aliança
- Por que isso importa: O fechamento da chapa do MDB redefine o tabuleiro da disputa pelo Senado em Rondônia e coloca uma dupla de gerações distintas — um candidato de 35 anos e um vice de 81 — na corrida pelo Palácio Rio Madeira
O MDB de Rondônia pôs fim nesta quinta-feira (6) às especulações de uma possível ruptura nas candidaturas majoritárias. A executiva partidária confirmou que Pedro Adib permanece como candidato a governador e aprovou o nome do ex-senador Amir Lando para compor a chapa como vice-governador. A legenda também decidiu apoiar o ex-senador Acir Gurgacz (PDT) em sua caminhada ao Senado Federal e indicou o empresário Paulo Andrade, proprietário da Unopar, para ser o primeiro suplente de Gurgacz.
"Acho que nós podemos marchar por uma neutralidade para buscar sucesso", afirmou Amir Lando em entrevista concedida em março, ao comentar a posição que, em sua avaliação, o MDB deveria adotar diante da eleição presidencial.
Como o MDB recompôs a chapa após a convenção
A convenção do MDB, realizada no último sábado (1º de agosto), havia oficializado Pedro Adib como candidato ao Governo e Confúcio Moura como candidato ao Senado, mas deixou em aberto a definição do vice-governador. Durante o evento, houve forte tentativa de convencer Amir Lando a aceitar a missão, mas o ex-senador pediu tempo para pensar. A ata só foi fechada sem o nome do vice.
A indefinição gerou ruídos. Especulava-se que a falta de um nome para a vice poderia indicar descontentamento interno ou até uma ruptura nas alianças majoritárias. A decisão desta quinta, porém, selou a chapa: Adib e Lando formam a dupla que representará o MDB na disputa pelo Palácio Rio Madeira.
"Eu penso que as pessoas que foram para Brasília, na Câmara e no Senado, não me substituíram. Porque o político tem que ter duas coisas, convicções e compromisso", declarou Lando em março, ao justificar sua disposição de voltar à política.
Quem é Amir Lando, o vice de 81 anos que volta ao palco eleitoral
Amir Francisco Lando, 81 anos, é uma das figuras mais experientes da política rondoniense. Professor e advogado, construiu trajetória em Rondônia como deputado estadual, deputado federal, senador da República e ministro da Previdência Social no primeiro governo Lula (2003-2006).
Ganhou projeção nacional em 1992 como relator da CPI do Collor, investigação que resultou no impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Também presidiu a CPMI do Mensalão e foi relator da CPMI dos Sanguessugas, que apurou o escândalo da Máfia das Ambulâncias.
A escolha de Lando como vice é uma aposta do MDB em somar experiência institucional à candidatura de Pedro Adib, de 35 anos. Adib é advogado com mestrado e doutorado em Direito, médico veterinário, empresário líder da Faculdade Católica de Rondônia e chega à disputa como "cara nova" na política estadual.
Acir Gurgacz ao Senado: a aliança PDT-MDB e o papel do PSB
A decisão do MDB de apoiar Acir Gurgacz (PDT) ao Senado Federal consolida uma frente que já vinha sendo costurada nos bastidores. Gurgacz, que teve sua candidatura ao Senado garantida por decisão em esferas superiores, agora conta com o apoio formal do PDT e do MDB. A indicação de Paulo Andrade, proprietário da Unopar, como primeiro suplente, reforça o caráter empresarial da chapa.
"O candidato do PDT agradeceu a confiança do MDB e voltou a falar da vitória que obteve nas esferas superiores garantindo sua candidatura ao Senado", conforme registrado na decisão do diretório.
O PSB, embora tenha lançado nome próprio ao Senado com Samuel Costa, já acenou para uma possível aliança nestas eleições. Se o partido de fato migrar para a coligação de Gurgacz, o ex-senador do PDT terá uma base partidária robusta para a disputa. Caso o PSB mantenha candidatura própria, o campo não-bolsonarista ao Senado ficará fragmentado entre Gurgacz, Samuel Costa e Confúcio Moura (MDB) — este último, porém, agora sem o apoio da própria legenda para a majoritária, já que o MDB oficializou Gurgacz.
O tabuleiro eleitoral de Rondônia em 2026
Rondônia vive uma das disputas majoritárias mais abertas e polarizadas do país. Quatro candidatos ao Governo têm viabilidade técnica: Marcos Rogério (PL) lidera as pesquisas com 36%, mas carrega 43% de rejeição; Adaílton Fúria (PSD) aparece com 28%; Hildon Chaves (Federação União Progressista) tem 13%; e Expedito Netto (PT), 10%. Pedro Abib (MDB) registra 1% nas pesquisas estimuladas.
A escassez de tempo para a campanha — as convenções se encerram em 5 de agosto e a propaganda eleitoral gratuita começa em 22 de agosto — torna cada decisão de aliança estratégica. Para Pedro Adib, a escolha de Amir Lando como vice é uma tentativa de acelerar a construção de nome e de credibilidade institucional em um estado onde 54% do eleitorado ainda não escolheu candidato.
A história de Amir Lando, porém, é de dois tempos. Sua trajetória anticorrupção e sua atuação em CPIs de grande repercussão nacional dão a ele um capital de seriedade que poucos políticos rondonienses possuem. Mas seus 81 anos e seu afastamento das principais disputas eleitorais nos últimos anos colocam em xeque sua capacidade de mobilizar votos na base, especialmente entre eleitores jovens.
O fechamento da chapa do MDB não resolve a eleição em Rondônia, mas redefine um de seus eixos mais disputados: a corrida pelo Senado. Com Gurgacz apoiado por PDT e MDB, e o PSB inclinado a se juntar, o campo não-bolsonarista ao Senado ganha um candidato competitivo para enfrentar a dupla Bruno Scheid e Fernando Máximo, ambos do PL, coligados a Marcos Rogério.
A dupla Adib-Lando, por sua vez, é uma aposta arriscada. Juntar um candidato de 35 anos, praticamente desconhecido até semanas atrás, com um vice de 81 anos, símbolo de uma política que muitos eleitores não viveram, pode parecer contraditório. Mas pode também ser exatamente o que o MDB precisa: juventude para incomodar e experiência para tranquilizar. A pergunta que fica é se os eleitores de Rondônia, em sua maioria indecisos, verão nessa combinação uma alternativa viável — ou apenas mais uma chapa de um partido que, nas palavras do próprio Lando, ainda busca encontrar seu lugar entre a polarização nacional e a neutralidade estadual.
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