Painel Rondônia

Minerva Foods: como o segundo maior frigorífico do Brasil lucra com práticas controversas na Amazônia

Investigação revela que empresa usa recursos do mercado financeiro para financiar fornecedores ligados ao desmatamento ilegal e pressão sobre terras indígenas

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Em uma investigação inédita que expõe as complexas relações entre o mercado financeiro e o desmatamento na Amazônia, documentos revelam que a Minerva Foods, segunda maior processadora de carnes do Brasil, captou R$ 10,8 bilhões através de títulos de dívida desde 2019, recursos estes que acabam financiando indiretamente práticas controversas na região amazônica.

A investigação, conduzida pelo jornal O Joio, com apoio do Pulitzer Center, identificou que parte desses recursos, obtidos através de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e fundos Fiagro, está sendo utilizada para pagar fornecedores com histórico de desmatamento ilegal e envolvimento em conflitos com terras indígenas.

Mercado financeiro e desmatamento: uma conexão direta

Pelo menos 11 fundos de investimento do agronegócio incorporaram CRAs da Minerva em seus portfólios, incluindo gestoras renomadas como:

O caso mais emblemático envolve o "CRA Minerva VI", que levantou recursos para reembolsar pagamentos a fornecedores de gado, alguns dos quais possuem áreas embargadas pelo IBAMA por desmatamento ilegal.

Pressão sobre terras indígenas

Um dos aspectos mais preocupantes revelados pela investigação é a conexão com fazendas que pressionam a Terra Indígena Tanaru, conhecida internacionalmente por ter sido o refúgio do "Índio do Buraco", último sobrevivente de seu povo, encontrado morto em 2022.

Resposta da empresa

Em nota, a Minerva Foods afirmou que "considerando o fornecimento direto, não foram identificados passivos ambientais ou comercialização irregular". A empresa reconheceu, porém, que ainda não monitora fornecedores indiretos, meta estabelecida apenas para 2030.

Impacto no mercado

Recentemente, o Citi rebaixou sua recomendação para as ações da Minerva (BEEF3) de compra para neutra, estabelecendo preço-alvo de R$ 5,50, conforme informações do Money Times. Esta mudança pode refletir preocupações crescentes do mercado com questões ESG.

Contexto atual

O caso da Minerva ilustra um paradoxo do mercado financeiro brasileiro: enquanto 65% das empresas não estão preparadas para adotar normas globais de sustentabilidade, segundo pesquisa recente da ESG Latin America Landscape 2024, o setor continua canalizando bilhões para atividades potencialmente prejudiciais ao meio ambiente.

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Perspectivas

A pressão por maior transparência e práticas sustentáveis deve aumentar em 2025, especialmente após as discussões do Fórum Econômico de Davos sobre soluções para a crise climática. O caso da Minerva evidencia a necessidade urgente de maior escrutínio sobre como recursos do mercado financeiro impactam a preservação da Amazônia.

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