Moradores reclamam de ruas e bairros com nomes de ditadores em Porto Velho
Via Painel Político

O grupo de pesquisas em Mídias Digitais e Internet (Midi) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), publicou resultados de um projeto de pesquisa e extensão onde revela que marcas da ditadura militar que durou 21 anos no Brasil, continuam presentes em Porto Velho, RO.
O projeto é liderado pelo professor de jornalismo Allyson Martins e mais dois universitários (Juliana Rocha e Alice Belo).
O grupo de pesquisadores criou uma página na internet para mostrar os resultados da conclusão do trabalho.
Eles encontraram uma rua com o nome de Castelo Branco que foi o primeiro presidente da ditadura militar (1964-1985), com mandato de 15 de abril de 1964 até 15 de março de 1967.
Visitaram o bairro Costa e Silva, que tem nome do segundo presidente da ditadura militar (1964-1985), com mandato de 15 de março de 1967 até 31 de agosto de 1969.
E também mapearam a escola estadual Marechal Castelo Branco, o primeiro presidente da ditadura militar (1964-1985), com mandato de 15 de abril de 1964 até 15 de março de 1967.
Em Porto Velho tem a rua Presidente Médici que homenageia Emílio Garrastazu Médici, primeiro presidente da ditadura militar (1964-1985), com mandato de 15 de abril de 1964 até 15 de março de 1967.
O grupo de universitários também coletou opiniões de moradores sobre homenagear ditadores em patrimônios públicos. Os entrevistados tiveram seus nomes preservados para evitar retaliações.
“Eu acho que a gente não deve fazer homenagem para pessoas que não ‘prestam’, mas, quando a pessoa é boa, um presidente bom, um prefeito bom, um governador bom… como foi o Chiquilito [Erse]. O Chiquilito, para mim, foi muito bom. E tiraram até o nome da rua dele, que era aí. É uma coisa que vai se esquecer, e quando a pessoa é boa, a gente não pode esquecer das pessoas que são boas, não. A gente sempre tem que se lembrar. Eu acho que sou a favor, sim, que tenha o nome da pessoa, que tenha respeito… agora, uma pessoa que não tem respeito, não tem moral, eu não concordo” – moradora idosa da rua Castelo Branco.
“Eu sou contra esse negócio de ficar mudando nome de rua, sou contra esse negócio. Que nem a Rio Madeira, aí. Todo mundo conhece ela como Rio Madeira, aí, para ‘babar ovo’ de político, colocaram Francisco Chiquilito Erse. Uma rua tradicional dessa, de muitas e muitas décadas, e mudam o nome” – morador de meia-idade da rua Castelo Branco.
“Eram tempos difíceis [os da ditadura militar], eu e minha família não comíamos carne ou frango, passamos por muitas dificuldades e eu era apenas uma criança, não acho justa essa homenagem” – moradora de meia idade do bairro Costa e Silva, após seu marido se mostrar contrário à mudança mesmo ciente da história brasileira.
“Fiz alguns períodos de História, sei o que aconteceu naquela época por causa do curso, mas percebi que, durante a escola, não se pegavam a fundo sobre a repressão que rolou” – morador jovem do bairro Costa e Silva.
A pesquisa nas ruas Castelo Branco e Presidente Médici revelou que os moradores entrevistados não conhecem os ditadores e não são favoráveis ao nome deles nas ruas. O mesmo aconteceu no bairro Costa e Silv
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