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Moraes arquiva inquérito contra Marcos do Val, Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio

O ministro Alexandre de Moraes arquivou o inquérito que investigava o senador Marcos do Val e os jornalistas Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, revogando as ordens de prisão contra os dois, após parecer da PGR concluir que as provas não sustentavam as denúncias

Moraes arquiva inquérito contra Marcos do Val, Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio
📷 Agência Brasil
📋 Em resumo ▾
  • O ministro Alexandre de Moraes, do STF, arquivou em 10 de setembro o inquérito contra o senador Marcos do Val (Avante-ES) e os jornalistas Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio
  • A decisão revogou as ordens de prisão contra os dois jornalistas, que vivem no exterior
  • A Procuradoria-Geral da República, chefiada por Paulo Gonet, avaliou que as provas reunidas não sustentavam as denúncias por obstrução de Justiça e incitação ao crime, embora tenha reconhecido que as publicações contra o delegado Fábio Shor ultrapassaram o limite da crítica tolerável
  • Como Shor não apresentou representação por eventual crime contra a honra, a PGR não viu diligências pendentes, e Moraes acolheu o parecer
  • Por que isso importa: o caso envolvia medidas cautelares duras — prisão, bloqueio de bens, tornozeleira eletrônica — contra investigados que nunca chegaram à condição de réus
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes arquivou o inquérito contra o senador Marcos do Val (Avante-ES) e os jornalistas Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, em decisão de 10 de setembro, tornada pública nesta terça-feira (6/10). O magistrado também revogou as ordens de prisão contra Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, que vivem no exterior.

O que a investigação apurava

A investigação tratava de ataques e da divulgação de dados pessoais do delegado da Polícia Federal Fábio Shor nas redes sociais. Foi nesse inquérito que Moraes determinou, em 2024, a prisão dos dois jornalistas e o bloqueio de bens de Marcos do Val. Em agosto de 2025, a PF indiciou o senador, Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio e Ednardo Raposo por obstrução de Justiça e incitação ao crime — indiciamento que, vale frisar, é etapa investigativa e não equivale a denúncia formal nem a condenação.

Após o indiciamento, Moraes enviou o relatório final da PF à Procuradoria-Geral da República. O órgão, chefiado pelo procurador Paulo Gonet, concluiu que as provas reunidas não sustentavam as denúncias: segundo o parecer, o conjunto de provas não indicou articulação estruturada para estimular crimes contra agentes públicos nem para impedir investigações específicas.

O que diz o parecer da PGR

É importante registrar com precisão: a PGR não isentou completamente o teor das publicações. A Procuradoria reconheceu que os ataques contra Fábio Shor "ultrapassaram o limite da crítica tolerável" contra agentes públicos. Mas avaliou que, no máximo, os fatos poderiam configurar crimes contra a honra — categoria que depende de iniciativa do próprio ofendido para avançar na esfera penal. Como Shor não apresentou representação nem queixa, e a PGR não identificou diligências úteis pendentes, Moraes acolheu a manifestação da Procuradoria e encerrou o inquérito.

Segundo a PGR, as publicações contra o delegado Fábio Shor ultrapassaram o limite da crítica tolerável contra agentes públicos — mas, sem representação do próprio ofendido, o caso não poderia avançar como crime contra a honra.

O que muda na prática

Com o arquivamento, as medidas cautelares decretadas dentro desse inquérito perderam fundamento. A decisão revogou as prisões de Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio. As restrições impostas a Marcos do Val já vinham sendo retiradas havia meses: em agosto de 2025, a Justiça havia derrubado o uso de tornozeleira eletrônica e o bloqueio do salário do senador; depois, Moraes devolveu os passaportes do parlamentar, a pedido do Senado e com parecer favorável da própria PGR.

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Segundo a revista Oeste, o advogado de Oswaldo Eustáquio, Ricardo Freire Vasconcelos, confirmou a extinção do processo, mas criticou a falta de comunicação prévia à defesa, afirmando que "nenhum dos advogados teve acesso à decisão" antes da divulgação. Eustáquio classificou o arquivamento como um "primeiro passo" para seu eventual retorno ao Brasil.

É importante registrar: o arquivamento deste inquérito específico não encerra, por si só, toda a situação jurídica dos investigados — Allan dos Santos, por exemplo, segue com prisão preventiva decretada desde 2021 em outro inquérito, não relacionado a este caso.

O contexto do caso

Fábio Shor conduziu investigações sobre a trama golpista que levaram à condenação de Jair Bolsonaro e aliados. O delegado relatou à PF ter recebido supostas ameaças cerca de uma semana depois de indiciar o ex-presidente, em 2024. A denúncia apresentada por Shor deu origem ao inquérito sobre as publicações nas redes sociais, que ficou sob relatoria de Moraes no STF até o arquivamento.


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