Morte de ‘guardião da floresta’ continua impune após dois anos em Rondônia
Via Painel Político

Vídeos de protestos pedindo justiça nas redes sociais, outdoors foram espalhados em Porto Velho (RO) lembrando a impunidade. Os movimentos indígenas fizeram uma mobilização para dizer que há dois anos, foi morto o índio Ari Uru-eu-wau-wau e a família ainda não sabe quem cometeu o crime e por quais motivos.
Uru-eu-wau-wau trabalhava como “guardião da floresta” registrando e denunciando extrações ilegais de madeira dentro do seu território que pertence ao povo indígena Uru-Eu-Wau-Wau.
Foi morto de maneira violenta, durante a noite de 17 de abril de 2020, em Tarilândia, distrito da cidade de Jaru, distante 293 quilômetros da Capital.
O corpo foi encontrado na manhã seguinte, com sinais de lesão contundente na região do pescoço, que ocasionou uma hemorragia aguda.
A morte do índio foi lembrado por Txai Suruí na Conferência da Cúpula do Clima (COP26) na Escócia, ano passado.
“Enquanto vocês fecham os olhos para a realidade, o defensor da terra Ari Uru-Eu-Wau-Wau, meu amigo desde que eu era criança, foi assassinado por defender a floresta. Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática e nós precisamos estar no centro das decisões tomadas aqui”, disse Txai.
“Durante esses dois anos, não tivemos nenhuma resposta das autoridades que estão acompanhando o caso. O povo Uru-Eu-Wau-Wau ainda está de luto e muito triste por não saber quem mandou matar e quem matou Ari. Exigimos justiça”, disse em um vídeo na internet Bitate Uru Eu Juma, amigo de Ari.
As lideranças indígenas cobram providências e respostas do Ministério Público Federal e Estadual, Tribunal de Justiça, Polícia Federal e das polícias militar e civil.
No governo do presidente, Jair Bolsonaro, os ataques aos povos indígenas e ao meio ambiente só cresceu. Em Rondônia, a violência no campo e as agressões ambientais também aumentaram, no mandato do governador, Marcos Rocha, com aval dos deputados estaduais.
O estado é um dos três da federação, mais violentos na área rural, segundo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de 2021. Há dois anos, uma mulher LGBTQIA+ foi vítima de violência policial. Sem-terra e lésbica, a CPT, relatou que ela foi torturada por cinco policiais em Nova Mutum Paraná, distrito de Porto Velho.
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