MPF abre inquérito contra faculdade em Ariquemes por emissão de documentos irregulares
Procedimento investiga supostas práticas da Faculdade e Colégio do Vale (FAV), que opera sem credenciamento no MEC e no Sistema Estadual de Ensino

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar a Faculdade e Colégio do Vale (FAV), localizada em Ariquemes, Rondônia, por suposta emissão reiterada de documentos escolares irregulares. A ação, formalizada por meio do Procedimento Preparatório nº 1.31.000.001205/2024-66, foi convertida em inquérito com base no artigo 129 da Constituição Federal, que atribui ao MPF a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.
A investigação teve início após denúncias que apontam que a FAV, embora não esteja credenciada pelo Ministério da Educação (MEC) nem autorizada a funcionar pelo Sistema Estadual de Ensino de Rondônia, estaria emitindo certificados e diplomas sem validade legal. Segundo informações do próprio MEC, a instituição não possui credenciamento para oferta de cursos superiores, o que classifica seus cursos como “livres” — uma categoria que proíbe a emissão de diplomas com reconhecimento oficial.
A prática, caso confirmada, viola princípios constitucionais que garantem a proteção do consumidor, como a transparência, a boa-fé e o direito à informação, previstos nos artigos 5º e 170 da Constituição. Além disso, compromete a segurança jurídica de estudantes que, ao buscarem qualificação profissional, podem estar sendo enganados por uma instituição que opera à margem da legislação educacional.
Defesa do Consumidor e patrimônio público
O MPF destaca que a tutela do consumidor é uma garantia fundamental da República Federativa do Brasil, conforme previsto na Constituição. A Política Nacional das Relações de Consumo reforça a necessidade de segurança e transparência nas relações entre instituições e cidadãos. Nesse contexto, a emissão de documentos escolares sem validade configura uma prática que pode lesar o patrimônio público e social, além de prejudicar diretamente os direitos dos alunos envolvidos.
A procuradora da República responsável pelo caso determinou a conversão do procedimento preparatório em inquérito civil, com o objetivo de aprofundar as investigações. Para isso, foram reiterados ofícios (nº 135/2025/GABPR6-LTC e nº 136/2025/GABPR6-LTC) solicitando informações adicionais. A Secretaria do MPF foi orientada a registrar a portaria e proceder com as diligências necessárias para esclarecer os fatos.
Impactos para a comunidade de Ariquemes
A situação da FAV levanta preocupações na comunidade de Ariquemes, onde a instituição atua. Estudantes que confiaram na legitimidade dos cursos oferecidos podem enfrentar dificuldades para validar seus certificados no mercado de trabalho ou em processos de continuidade acadêmica. O caso também acende um alerta sobre a importância de verificar o credenciamento de instituições de ensino antes de realizar matrículas.
O inquérito civil conduzido pelo MPF é um passo crucial para garantir a proteção dos direitos dos consumidores e a regularidade do sistema educacional na região. A expectativa é que as investigações esclareçam a extensão das irregularidades e promovam medidas para reparar possíveis danos causados aos alunos e à sociedade.
Próximos passos
Com a conversão do procedimento em inquérito, o MPF aguardará as respostas aos ofícios enviados para dar continuidade à análise do caso. Dependendo dos resultados, novas medidas judiciais ou administrativas podem ser tomadas, incluindo a possibilidade de uma Ação Civil Pública para proteger o patrimônio público e os interesses coletivos.
Veja a portaria do MPF:

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