Poder e Bastidores

MPF declara guerra aos símbolos da ditadura: 542 locais podem ter nomes alterados no RN

Órgão dá ultimato para mudança de nomes de ruas, escolas e monumentos que homenageiam ditadores; Natal tem 15 locais na mira

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O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma ofensiva histórica contra as heranças da ditadura militar no Rio Grande do Norte, recomendando a remoção de homenagens a personagens do regime em pelo menos 80 espaços públicos. O número, porém, pode ser ainda mais impressionante: um levantamento do órgão aponta que existem 542 locais que precisarão passar por revisão, incluindo prédios, escolas, ruas, bairros e monumentos.

A primeira fase da operação, conduzida pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), estabeleceu prazos rigorosos para 11 administrações públicas, incluindo o governo estadual, a Assembleia Legislativa e 10 prefeituras. Entre os locais mais emblemáticos está a famosa Ponte Costa e Silva, em Natal, importante via da BR-101.

Cronograma de mudanças

O MPF estabeleceu um cronograma escalonado para as alterações:

"A manutenção dessas homenagens favorece a naturalização e a aceitação de um período autoritário, promovendo continuidades que normalizam tentativas de golpe ainda hoje no Brasil", alertou o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Emanuel Ferreira.

Números impressionantes

Em Natal, capital do estado, foram identificados 15 locais que precisam ser renomeados, incluindo:

O levantamento revelou um padrão comum em várias cidades: ruas com nomes como "31 de Março" (data do golpe de 1964), "Presidente Médici", "Castelo Branco" e "General Figueiredo" se repetem em praticamente todos os municípios investigados.

Consequências do não cumprimento

O MPF advertiu que o descumprimento das recomendações poderá resultar em ações judiciais contra os gestores. A iniciativa se alinha com uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que já proibiu o uso de recursos públicos em comemorações relativas ao golpe de 1964.

Vale ressaltar que esta ação do MPF é respaldada pelo relatório da Comissão Nacional da Verdade, que confirmou 434 mortes e desaparecimentos durante o regime militar - número que pode ser ainda maior, considerando apenas os casos comprovados.


Palavras-chave: MPF, Ditadura Militar, Rio Grande do Norte, Renomeação, Espaços Públicos, Memória Histórica, Direitos Humanos

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