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Nelson Wilians tem registro suspenso em meio a investigações

OAB-SP suspendeu preventivamente a inscrição do advogado após operações da PF e do MP-SP que investigam suposta lavagem de dinheiro, fraude em créditos de ICMS e vínculos com o escândalo do INSS

Nelson Wilians tem registro suspenso em meio a investigações
📷 Divulgação
📋 Em resumo ▾
  • OAB-SP decretou suspensão preventiva de 90 dias da inscrição de Nelson Wilians, que hoje consta como “Ativo-Suspenso” no cadastro da seccional
  • A medida vem após três operações distintas em 2026: Operação Distrato (fraude em ICMS), Operação Arena (lavagem via apostas esportivas) e o capítulo mais recente do caso INSS, que já havia gerado pedido de indiciamento em relatório da CPMI
  • Segundo investigadores, o escritório Nelson Wilians Advogados teria recebido mais de R$ 200 milhões da casa de apostas Pixbet; na busca à residência do advogado foram apreendidos bens de luxo, incluindo uma Ferrari SF90 Stradale
  • Wilians nega irregularidades e classificou a suspensão como uma decisão que recebeu “com indignação”
  • Por que importa: o caso envolve um dos escritórios de advocacia mais influentes do país, prestador de serviços a órgãos públicos e empresas de grande porte, e testa os limites da autorregulação da OAB diante de investigações ainda em curso — sem decisão judicial definitiva contra o advogado até o momento
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A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) suspendeu, de forma preventiva e pelo prazo de 90 dias, a inscrição profissional do advogado Nelson Wilians Fratoni Rodrigues. A decisão, divulgada nesta sexta-feira (17/10), ocorre em meio a investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre suposta lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e fraude em créditos de ICMS. A situação de seu registro no site da OAB-SP passou a constar como “Ativo-Suspenso”.

O que motivou a suspensão

A medida da OAB-SP é cautelar — ou seja, não representa condenação e pode ser revista — e está ligada à Operação Arena, deflagrada pela PF em agosto. Segundo a corporação, o grupo investigado teria usado estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem de recursos obtidos com jogos de azar e apostas esportivas. Wilians é apontado pelos investigadores como suposto operador financeiro do grupo, podendo responder, conforme sua participação, por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional — hipóteses ainda sob apuração, sem denúncia formal até a publicação desta matéria.

Segundo a revista piauí, documentos da investigação apontam que o escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV) teria recebido mais de R$ 200 milhões em pagamentos da casa de apostas Pixbet, cujo controlador é identificado nas reportagens como Ernildo Junior. Durante o cumprimento de mandado na residência do advogado, em São Paulo, agentes apreenderam bens de alto padrão — entre eles uma Ferrari SF90 Stradale, obras de arte, esculturas de bronze, relógios de luxo e bebidas raras.

Apesar da suspensão, Wilians segue listado como sócio do escritório que leva seu nome. Procurado, o advogado reagiu à decisão:

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“Recebi com indignação a decisão da OAB que determinou a suspensão do meu exercício profissional.”

Histórico: três frentes de investigação em menos de 12 meses

O episódio desta sexta-feira é o mais recente de uma sequência de apurações que atingiram Wilians ao longo de 2026, somadas a um caso que já havia chegado ao Congresso Nacional em 2025:

  1. Setembro de 2025 — caso INSS: Wilians prestou depoimento à CPMI do INSS como testemunha, mas, amparado por habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF), optou por não responder à maioria das perguntas. Dias depois, a comissão aprovou pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal do advogado e encaminhou ao STF um requerimento de prisão preventiva, negado monocraticamente pelo ministro André Mendonça.
  2. Março de 2026 — relatório final da CPMI: o parecer do relator, deputado Alfredo Gaspar (PP-AL), pediu formalmente o indiciamento de Wilians e de sua mulher, a advogada Anne Wilians, por suspeita de lavagem de dinheiro e organização criminosa, citando suposta atuação em parceria com o empresário Maurício Camisotti. O relatório, no entanto, não foi aprovado pelo colegiado da CPMI (derrotado por 19 votos a 12), de modo que o pedido de indiciamento não teve efeito formal.
  3. 15 de julho de 2026 — Operação Distrato: o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA-SP), formado pelo Ministério Público estadual e pela Secretaria da Fazenda, cumpriu mandados contra Wilians sob suspeita de participação em esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS, com prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos.
  4. 13 e 14 de agosto de 2026 — Operação Arena: a PF cumpriu novos mandados de busca na residência do advogado, agora sob suspeita de lavagem de dinheiro ligada a apostas esportivas. No dia seguinte, Wilians anunciou afastamento por tempo indeterminado da gestão do NWADV, repassando a administração do escritório a um comitê executivo — decisão que, segundo ele, visava “proteger a própria família”.
  5. 17 de outubro de 2026 — suspensão da OAB-SP: a mais recente medida, desta vez de natureza disciplinar e administrativa, não penal.


Vale registrar que, segundo apuração do site BRA 1, não houve expedição de mandado de prisão contra Wilians no âmbito mais recente das investigações.

O que diz a defesa

Em notas públicas ao longo do ano, o escritório NWADV afirmou que as operações mencionadas nas investigações envolvendo créditos de ICMS eram administradas exclusivamente por outro escritório, a De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem vínculo societário com a banca de Wilians. Em outras ocasiões, o próprio advogado negou qualquer ligação com os esquemas apurados pela CPMI do INSS, declarando desconhecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

Até a publicação desta matéria, o espaço segue aberto para novos posicionamentos de Wilians ou de sua defesa sobre a suspensão decretada pela OAB-SP.

Nenhuma das investigações citadas resultou, até o momento, em condenação transitada em julgado contra o advogado — todas seguem em fase de apuração ou de tramitação judicial e administrativa.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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