"Nunca foi sorte": advogado Nelson Canedo relembra 14 anos à frente do jurídico eleitoral em RO
Em entrevista ao Painel Político, o advogado eleitoral Nelson Canedo relembra 14 anos coordenando juridicamente campanhas decisivas em Rondônia — de Mauro Nazif, em 2012, à eleição de Marcos Rogério em primeiro turno, em 2026
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- O advogado Nelson Canedo coordenou juridicamente as campanhas de Marcos Rogério (governador) e Dr. Fernando Máximo (senador), ambos eleitos no primeiro turno de 2026
- Rogério teve 56,86% dos votos válidos — só a segunda vez em 36 anos que Rondônia decide o governo em primeiro turno; Máximo foi o senador mais votado da história do estado, com 570.799 votos
- Canedo também coordenou o jurídico da reeleição de Marcos Rocha em 2022 — justamente contra o mesmo Marcos Rogério — e da virada histórica de Léo Moraes à Prefeitura de Porto Velho em 2024
- Por que isso importa: o relato dá um raro olhar sobre o papel do Direito Eleitoral nos bastidores das principais disputas políticas de Rondônia na última década
Antes de coordenar as campanhas que o levaram a comandar juridicamente a eleição de governadores e senadores em primeiro turno, Nelson Canedo já havia construído reputação como uma espécie de "santo milagreiro" dos políticos considerados "fichas sujas" — aquele capaz de reverter o que parecia perda definitiva de direitos políticos. Foi ele quem defendeu o governador Marcos Rocha diante de representações pesadas na campanha de reeleição de 2022, quem devolveu os direitos políticos ao ex-presidente da Câmara de Porto Velho Edwilson Negreiros, preso sob acusação de corrupção, e quem reverteu a cassação do mandato do deputado federal Natan Donadon, condenado a 13 anos de prisão.
A lista de casos emblemáticos inclui ainda a defesa do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia Valter Araújo, preso na Operação Termópilas em 2011, cuja soltura Canedo obteve via liminar no STJ; e a do ex-senador Acir Gurgacz (PDT-RO), que concorreu ao governo do estado graças a uma liminar conquistada pelo advogado após o indeferimento de seu registro de candidatura. Atualmente, é também Canedo quem defende o deputado federal Lebrão (MDB-RO), filmado na Operação Reciclagem supostamente recebendo propina de um empresário do setor de coleta de lixo.
Com taxa de sucesso próxima de 100% nos processos que conduz, Canedo ampliou a atuação nos últimos anos e passou a oferecer uma mentoria voltada a candidatos — ensinando, segundo ele, desde a escolha correta do partido de filiação até como navegar nas redes sociais sem esbarrar na Justiça Eleitoral. É esse acúmulo de experiência, tanto na defesa de candidaturas ameaçadas quanto na prevenção de problemas antes que eles aconteçam, que está por trás de cada uma das cinco campanhas que ele relembra nesta entrevista ao Painel Político.
Painel Político — Você descreve sua trajetória no Direito Eleitoral dizendo que "nunca foi sorte". O que isso significa pra você?
Nelson Canedo — Quando olho para trás, percebo que minha trajetória foi construída ao longo dos anos justamente nas campanhas em que o resultado parecia mais difícil, mais improvável ou dependia de detalhes que poucos enxergavam.
Painel Político — Vamos começar por 2026. Você coordenou duas campanhas que entraram para a história política do estado. Como foi?
Nelson Canedo e Marcos Rogério
Nelson Canedo — Tive a responsabilidade de coordenar juridicamente duas campanhas que entraram para a história política de Rondônia. Marcos Rogério foi eleito governador ainda no primeiro turno, com 56,86% dos votos válidos. Um feito raríssimo em Rondônia: em 36 anos de eleições diretas, o Estado só havia decidido uma eleição para governador no primeiro turno uma única vez, e mesmo assim na reeleição, nunca em eleição. Na mesma eleição, Fernando Máximo foi eleito senador com 570.799 votos, tornando-se o candidato ao Senado mais votado da história de Rondônia.
Duas campanhas simultâneas. Duas estruturas. Duas disputas com desafios completamente diferentes. E a responsabilidade de comandar juridicamente ambas até uma vitória histórica.
Painel Político — Mas você diz que talvez a campanha que melhor explique o que é trabalhar com Direito Eleitoral tenha sido outra, quatro anos antes. Pode contar?
Nelson Canedo e Marcos Rocha
Nelson Canedo — Em 2022, coordenei o jurídico da campanha de reeleição do governador Marcos Rocha. Foi uma das eleições mais difíceis que já acompanhei. No primeiro turno, Rocha teve 38,96% e Marcos Rogério 36,89%. No segundo, a disputa terminou em 52,47% contra 47,53%. Foram 458.370 votos contra 415.278. Uma eleição acompanhada voto a voto, município a município, detalhe por detalhe, sem esquecer da batalha jurídica para manter os eleitos no mandato: e deu certo! De lá para cá sou responsável pelo jurídico pessoal do governador.
E há uma ironia que só a política proporciona: o adversário daquela disputa era justamente Marcos Rogério, cuja campanha para governador eu viria a coordenar juridicamente quatro anos depois.
Painel Político — Em 2024, você esteve na campanha de Léo Moraes para a Prefeitura de Porto Velho. O que lembra desse episódio?
Nelson Canedo — 2024 trouxe outro capítulo inesquecível. Na campanha de Léo Moraes para prefeito de Porto Velho, novamente à frente da coordenação jurídica, acompanhamos uma das maiores reviravoltas eleitorais daquele ano. Léo terminou o primeiro turno com 25,65%, quase 19 pontos atrás da primeira colocada. No segundo turno, virou a eleição e venceu com 56,18%. Foi a maior virada entre todas as capitais brasileiras no segundo turno das eleições de 2024. Tive a grata honra de integrar a equipe de transição do prefeito eleito, além de permanecer como seu advogado pessoal.
Canedo e Léo Moraes
Painel Político — E antes disso, em 2016?
Nelson Canedo — Em 2016, veio outro desafio decisivo. No segundo turno da eleição de Porto Velho, reforcei a coordenação jurídica da campanha de Hildon Chaves justamente na reta final. Hildon havia terminado o primeiro turno com 27,20% e, no segundo, alcançou 65,15% dos votos. A relação profissional continuou depois das urnas: nos anos seguintes, também atuei como advogado de Hildon em questões relevantes de sua administração.
Painel Político — E a sua primeira grande campanha, em 2012?
Canedo e Mauro Nazif
Nelson Canedo — Em 2012, veio outra campanha que marcou minha trajetória: Mauro Nazif para prefeito de Porto Velho. Mauro chegava àquela eleição depois de sucessivas derrotas — duas disputas anteriores pela Prefeitura e uma candidatura ao Governo. Era uma candidatura em que muita gente já não acreditava. Mas ele chegou ao segundo turno e venceu com mais de 63% dos votos válidos.
E minha participação não terminou com a vitória. Depois da eleição, fui nomeado coordenador da equipe de transição do prefeito eleito Mauro Nazif, ao lado de Mário Medeiros e de uma equipe técnica responsável por preparar a passagem para a nova administração. Permaneci como advogado pessoal do prefeito pelos quatro anos seguintes. Foi uma daquelas campanhas que ensinam que, na política, muitas vezes a vitória começa justamente quando quase ninguém mais acredita nela.
Painel Político — Olhando para essas cinco campanhas, o que você diria que é, na prática, coordenar juridicamente uma disputa eleitoral?
Nelson Canedo — Foram muitas eleições, madrugadas, liminares, recursos, crises, reuniões e decisões tomadas sob pressão. Porque coordenar juridicamente uma campanha nunca foi, para mim, apenas fazer petição. É antecipar problema. É entender a estratégia. É proteger a campanha. É decidir rápido quando um detalhe pode mudar o rumo de uma eleição.
Painel Político — Fica alguma reflexão final desse balanço?
Nelson Canedo — 2012. 2016. 2022. 2024. 2026. E essas são apenas algumas das campanhas que marcaram minha trajetória. Houve outras eleições importantes, outras vitórias e muitas histórias que também merecem ser contadas. Mas essas ficam para outro momento de reflexão. Por enquanto, fica a gratidão por cada candidato, cada equipe e cada projeto que confiaram a mim uma das áreas mais sensíveis de uma campanha. Nunca foi sorte. Foi uma história construída eleição após eleição, sempre na linha de frente.
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