O confisco da poupança no Plano Collor: um trauma econômico que marcou o Brasil completa 35 anos
Durante a campanha, Collor chegou a acusar Lula de planejar confiscar a poupança dos brasileiros, mas o plano era dele...

Em 16 de março de 1990, o Brasil acordou com uma notícia que abalaria a vida de milhões de cidadãos e deixaria cicatrizes profundas na memória coletiva do país. Um dia após sua posse como o primeiro presidente eleito diretamente após quase três décadas de regime militar, Fernando Collor de Mello anunciou o Plano Brasil Novo, popularmente conhecido como Plano Collor.
Entre suas medidas mais drásticas estava o confisco de cerca de 80% dos valores depositados em cadernetas de poupança, contas correntes e aplicações financeiras, como o overnight, que excedessem 50 mil cruzados novos (equivalente a cerca de 6 mil a 8 mil reais em valores atuais, ajustados). A justificativa? Combater uma hiperinflação galopante que, naquele momento, atingia 84% ao mês. O que se seguiu, porém, foi uma onda de perplexidade, desespero e revolta, cujos reflexos ecoam até hoje.
Contexto histórico: A crise da hiperinflação
Na década de 1980, o Brasil atravessava um período de turbulência econômica conhecido como a "Década Perdida". A inflação, que já era um problema crônico desde o regime militar, saiu completamente do controle no governo de José Sarney (1985-1990), o primeiro presidente civil após a redemocratização.
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