Eleições 2026

OAB e MP apuram prisão de porteiro após panelaço contra Flávio em Maceió

Edmilson foi conduzido à Central de Flagrantes durante protesto na Ponta Verde, em Maceió, horas antes da entrevista de Flávio Bolsonaro à TV Globo; OAB/AL e MP Eleitoral já apuram o caso

OAB e MP apuram prisão de porteiro após panelaço contra Flávio em Maceió
📷 Reprodução
📋 Em resumo ▾
  • Porteiro identificado como Edmilson foi abordado pela Polícia Militar e conduzido à Central de Flagrantes, em Maceió, após participar de um panelaço contra o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)
  • O protesto, organizado pelo deputado federal André Janones, coincidiu com a entrevista de Bolsonaro à TV Globo, no contexto do segundo turno das eleições de 2026
  • Segundo o advogado Matheus Gonzaga, Edmilson recebeu voz de prisão por suposto desacato; na delegacia, o enquadramento mudou para perturbação do sossego — versão contestada pela defesa
  • A OAB/AL encaminhou ofícios à Polícia Civil e ao Ministério Público de Alagoas; o Ministério Público Eleitoral também anunciou apuração do caso
  • Por que importa: o episódio levanta questionamento sobre o uso de voz de prisão em manifestações políticas às vésperas do segundo turno, com acusação de tratamento desigual por parte da corporação
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Um porteiro identificado como Edmilson foi conduzido à Central de Flagrantes de Maceió na noite de sexta-feira, 16 de outubro, após participar de um panelaço contra o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), no bairro de Ponta Verde. Ele trabalhava no condomínio quando se juntou ao protesto e recebeu voz de prisão sob suspeita de desacato a um policial militar. Segundo o advogado Matheus Gonzaga, que acompanhou o caso, Edmilson foi liberado ainda na madrugada, após prestar esclarecimentos.

Como começou a confusão

O panelaço fazia parte de uma mobilização convocada pelo deputado federal André Janones, e ocorria simultaneamente em diversas cidades do país, coincidindo com a entrevista de Flávio Bolsonaro à TV Globo. Segundo relato de Felipe Verlaine, morador que presenciou a cena, moradores batiam panela nos apartamentos quando Edmilson, que estava em seu posto de trabalho, se juntou à manifestação — assim como ocorria em prédios vizinhos da região.

De acordo com o advogado Gonzaga, um princípio de confusão entre moradores de edifícios diferentes levou ao acionamento da Polícia Militar. Ao chegar ao local, os agentes pediram que o porteiro liberasse o portão do condomínio; como ele estava afastado da guarita no momento, houve demora no atendimento, o que, segundo a defesa, motivou a abordagem mais dura.

“Trata-se de uma violação, de um cerceamento da liberdade de expressão e do direito à livre manifestação do senhor Edmilson, que estava em seu posto de trabalho, juntou-se a tantos outros manifestantes e acabou sendo conduzido pela Polícia Militar à Central de Flagrantes.”

A frase é do próprio Matheus Gonzaga, em vídeo publicado nas redes sociais horas após a liberação do porteiro.

Mudança no enquadramento e acusação de tratamento desigual

Segundo a defesa, a voz de prisão dada ainda no local foi por suposto desacato — mas, já na delegacia, a ocorrência passou a ser tratada como perturbação do sossego, mudança que o advogado também contesta.

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O caso ganhou repercussão política em Alagoas. O deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT), presidente do partido no estado, criticou publicamente a atuação da corporação e cobrou explicações do coronel Paulo Amorim, comandante da Polícia Militar de Alagoas. Medeiros relatou ainda uma suposta assimetria no tratamento dado pelos agentes: segundo ele, um homem identificado como bolsonarista teria agredido outra pessoa na mesma ocasião e recebido proteção policial, enquanto o porteiro foi detido — relato que, até a publicação desta matéria, não teve confirmação por fonte oficial da PM-AL, nem pôde ser checado de forma independente por esta reportagem.

“A gente fica estarrecido com policiais, três, quatro policiais, prendem um porteiro de um prédio porque ele democraticamente se expressou.”

OAB e Ministério Público Eleitoral apuram o episódio

Neste sábado (17), a Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL) anunciou que vai apurar a condução do porteiro, com ofícios encaminhados à Delegacia-Geral da Polícia Civil e à Promotoria de Justiça responsável pelo controle externo da atividade policial, vinculada ao Ministério Público de Alagoas. O Ministério Público Eleitoral também informou que vai acompanhar o caso, dado o contexto de manifestação política em período eleitoral.

Até a publicação desta matéria, a Polícia Militar de Alagoas não havia se manifestado publicamente sobre o episódio, nem sobre a cobrança feita pelo deputado Ronaldo Medeiros.

O episódio em Maceió não foi isolado: segundo registros nas redes, panelaços contra Flávio Bolsonaro ocorreram em diversas capitais no mesmo horário da entrevista à TV Globo, no que configura um dos primeiros testes de tensão de rua da reta final do segundo turno.


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