Poder e Bastidores

Operação Overclean: Mega-esquema de R$ 1,4 bilhão desviou recursos de emendas parlamentares em cinco estados

PF prende empresários e servidores públicos em força-tarefa que revelou sofisticado esquema de corrupção envolvendo contratos do DNOCS e administrações municipais

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Em uma operação conjunta deflagrada nesta terça-feira (10), a Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público Federal, Receita Federal e Controladoria-Geral da União, desarticulou uma organização criminosa responsável pelo desvio de aproximadamente R$ 1,4 bilhão em recursos públicos. A Operação Overclean, que contou com o apoio da Agência Americana de Investigações de Segurança Interna (HSI), revelou um esquema sofisticado de fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.

O esquema

O grupo criminoso operava através de um elaborado sistema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios, principalmente direcionados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). O modus operandi incluía:

  1. Estrutura Hierárquica:

    • Operadores centrais e regionais que cooptavam servidores públicos

    • Rede de empresas de fachada controladas por "laranjas"

    • Interlocutores estrategicamente posicionados em órgãos públicos

  2. Método de Desvio:

    • Superfaturamento sistemático de contratos públicos

    • Direcionamento de licitações

    • Aplicação de preços muito acima dos valores de mercado

    • Uso de empresas de fachada para movimentação financeira

  3. Lavagem de Dinheiro:

    • Utilização de empresas com grande fluxo de caixa em espécie

    • Sistema sofisticado de ocultação da origem dos recursos

    • Aquisição de bens de luxo como forma de lavagem

Principais alvos e prisões

Entre os principais alvos da operação, destacam-se:

Abaixo, a listagem de alvos já identificados:

Empresas investigadas

Ponto central

Ponto central das investigações, a empresa Allpha Pavimentações e Serviços de Construções Ltda é citada por firmar um contrato com o DNOCS através do Pregão Eletrônico nº. 3/2021 e outros dois pregões. Segundo a decisão, a movimentação indica que as irregularidades estão inseridas em um contexto maior.

A investigação também indicou a existência de elementos que apontam o envolvimento de Lucas Lobão, ex-Coordenador Estadual do DNOCS na Bahia no esquema. Nesse sentido, destaca-se a relação de proximidade existente entre ele e Alex Rezende Parente - também alvo da operação - e sua participação ativa nos Pregões Eletrônicos n. 9/2020 e 3/2021, que culminaram na contratação da Allpha Pavimentações e Serviços de Construções Ltda.

Lobão, enquanto ocupava o cargo no DNOCS, facilitava a aprovação dos contratos e, após sua exoneração, continuou a atuar nos bastidores em favor da Allpha Pavimentações. A partir de então ele passou a trabalhar, informalmente, com a empresa mencionada, visando facilitar e intermediar os pleitos da Allpha junto ao órgão federal.

A análise telemática demonstrou que Lucas Lobão atua, até o momento, como sócio oculto de Alex Parente. Inclusive, foi dele a iniciativa de criar um grupo de WhatsApp intitulado “Allpha Direção”, para, segundo Lobão, “facilitar a comunicação sobre questões estratégicas” da empresa. Além de Lucas Lobão, o grupo inclui Fábio Parente (sócio), Marcos Pio (engenheiro/funcionário) e Alex Parente (sócio).

Conforme o documento, os recursos obtidos ilicitamente eram lavados através da criação de contas bancárias em nome de "laranjas", fracionamento de valores, saques em espécie e repasse de recursos para empresas especializadas em movimentar grandes volumes de dinheiro em espécie, como peixarias e supermercados.

Dimensão da operação

A força-tarefa realizou:

Abrangência territorial

A operação foi realizada em cinco estados:

Consequências legais

Os investigados poderão responder por:

As penas somadas podem ultrapassar 50 anos de reclusão, além das multas previstas em lei.

Medidas administrativas

Como parte das ações, foram determinados:

A investigação continua em andamento, com a análise do material apreendido e a identificação de possíveis novos envolvidos no esquema. As autoridades não descartam novas fases da operação e prisões adicionais conforme o avanço das investigações.

Alvo jogou dinheiro pela janela

Um dos alvos é o vereador Francisco Nascimento, primo do deputado Elmar Nascimento (União-BA). Ele é um dos 17 presos na operação.

O vereador Francisco Nascimento, antes de ser preso, tentou se livrar de dinheiro em espécie que mantinha em casa. E jogou uma sacola de dinheiro pela janela, antes de ser preso. De nada adiantou.

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Ele foi preso preventivamente e o dinheiro, apreendido. O valor ainda está sendo contado e o vereador terá que explicar a origem dele e porque mantinha tanto dinheiro em casa e não optou por deixar no banco , de forma rastreável.

Além do montante encontrado com Nascimento, a PF localizou com outro alvo, Flavio Henrique Lacerda Pimenta, R$ 700 mil em espécie.