Os bastidores da festa de Maurício Carvalho em Brasília, que agitou o cenário político de Rondônia; veja fotos e os principais assuntos
Recepção reuniu as principais lideranças do estado, gerou fofocas e abriu espaço para debates sobre sucessão, reconciliações e reencontros
Na última terça-feira, 20, o deputado federal Maurício Carvalho conseguiu o que parecia improvável, reuniu praticamente todas as lideranças políticas de Rondônia, além de autoridades de todo o país em uma festa numa casa do Lago Sul, em Brasília.
O evento teve como mote, o festejo da posse de Edilson Silva, conselheiro do Tribunal de Contas de Rondônia, como presidente da Atricon, a Associação Nacional dos Tribunais de Contas de todo o país. Um feito inédito, e uma das posses mais prestigiadas em Brasília, com a presença de autoridades de todo o país. Edilson estava eufórico, afinal, sua ascensão ao cargo mais importante dos tribunais, marca uma trajetória longa, cheia de altos e baixos.
Na festa estavam ainda os desembargadores Raduan Miguel Filho, presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, Francisco Borges, Gilberto Barbosa, corregedor-geral da Justiça, além do presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, Marcelo Cruz, e o vice, Jean Oliveira, além do presidente do Tribunal de Contas do Estado, Wilber Coimbra, pelo menos 8 deputados estaduais, como Luizinho Goebel, Nim Barroso, Ezequiel Neiva, Alan Queiroz e do prefeito de Cacoal, Adaílton Fúria, ostentando um corte de cabelos inovador, acompanhado de sua e esposa, Joliane Tamires. Também presente o deputado federal Lúcio Mosquini, presidente do MDB e um dos virtuais candidatos ao governo em 2026.

Fúria foi um dos políticos mais prestigiados, dado a sua liderança no quarto maior colégio eleitoral do Estado, e incontestavelmente um dos maiores expoentes políticos da atualidade em Rondônia, dada sua popularidade na região.
Também presente, o casal Hildon e Ieda Chaves, prefeito de Porto Velho e deputada estadual, respectivamente. E Hildon era quem mais estava aberto a conversas e reconciliações. Aparou as arestas com Marcelo Cruz, com quem andava meio ‘azedo’, por conta de uma discussão acalorada ano passado em Ji-Paraná, e também fez as pazes com Léo Moraes, ex-deputado federal, líder do Podemos em Rondônia e atual diretor-geral do Detran.
A conversa entre ambos serviu para amenizar o mal estar provocado por duas campanhas eleitorais que disputaram pela prefeitura de Porto Velho, onde no calor das eleições, ‘cruzaram a linha’ algumas vezes. A conversa entre eles foi amigável, com direito a muitas risadas e piadas.

Por volta das 23 horas chegou o senador Marcos Rogério, expoente da direita em Rondônia. Rogério aproveitou a presença de um dos diretores da companhia aérea Azul para cobrar a redução no preço das passagens, além da abertura de novos voos. Uma conversa inócua, mas serviu para mostrar que a indignação é generalizada. Em determinado ponto da conversa, juntou-se Hildon Chaves, fazendo os mesmos questionamentos.
O principal assunto da festa era a sucessão de Hildon Chaves, que não poderá disputar a reeleição, mas vislumbra a possibilidade de ser candidato ao governo em 2026. Mas para que isso ocorra, é necessário superar uma barreira, eleger seu sucessor, no caso a ex-deputada federal Mariana Carvalho, única até agora que assumiu a candidatura. O projeto político de Hildon passa diretamente pela eleição de Mariana, já que sem a força da capital, fica mais difícil convencer o eleitorado do interior. Por “força”, entenda-se a máquina da prefeitura, que é uma vitrine para qualquer um que almeje voos mais altos.

Também falou-se muito sobre a possibilidade de Marcos Rocha, governador de Rondônia, cumprir ou não o acordo com o grupo de Hildon e apoiar a eleição de Mariana. Mas é aí que a coisa começa a complicar. Rocha tem em seu ‘menu’, Mariana, Fernando Máximo e Cristiane Lopes, três nomes de peso que embolam o meio de campo. Neste sábado, aqui mesmo divulguei que Lopes vem recebendo convites de outras legendas e sua entrada complicaria a vida de qualquer outra candidatura, afinal, ela perdeu para Hildon em 2020 por uma. diferença de pouco mais de 10 mil votos no segundo turno (veja abaixo).
De olho na sucessão de Hildon temos ainda Léo Moraes e Marcelo Cruz, sendo que este último não deve entrar na briga, optando por apoiar algum dos candidatos. Suas pretensões para 2024 são as de ampliar sua base política elegendo o maior número de vereadores no Estado, e na mesma viagem a Brasília, ele conseguiu o comando do Solidariedade, anunciando sua migração na quinta-feira.
Expedito Júnior
O ex-senador Expedito Júnior também esteve presente e participou de praticamente todas as rodas de conversa. Júnior anunciou que conseguirá eleger vereadores em todos os municípios nas eleições deste ano, e para isso vem organizando nominatas e segue com intensa agenda de reuniões em todo estado. Ele descartou qualquer candidatura a curto prazo, e trabalha ainda para reconduzir seu filho, o ex-deputado Federal Expedito Netto ao cargo novamente, dai a explicação para agendas intensas. Indiscutivelmente, Expedito Júnior, ao lado de Ivo Cassol, são os maiores líderes. políticos do Estado, já que conseguiram manter seus respectivos capitais políticos ao longo das turbulências que assolaram a classe nos últimos anos.
Candeias do Jamari
Em determinado momento da festa, o senador Marcos Rogério sugeriu a Léo Moraes e Hildon Chaves que eles, como líderes políticos, buscassem o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia para tentar suspender as eleições suplementares que estão marcadas para acontecer em junho deste ano em Candeias do Jamari. A cidade trocou de prefeito por 7 vezes desde 2016, o que vem provocando prejuízos irreparáveis à população. A sugestão de Rogério é simples, todos os partidos que possuem candidatos abririam mão de disputar, deixando para outubro, quando acontecem as eleições de prefeito e vereadores. O atual prefeito, presidente da Câmara, ficaria. no cargo até lá, mas com a condição de não disputar a reeleição para o cargo de prefeito.
Rogério afirmou que já havia conversado com Vinicius Miguel, presidente do PSB, e. que o mesmo havia ‘topado’. Léo Moraes, presidente do Podemos, também acatou a idéia, e ela deve ser levada adiante na próxima semana.
A ‘briga’
Dia amanhecendo, poucas pessoas presentes, e em determinado momento Léo Moraes e Marcos Rogério elevam o tom de voz e o debate chama a atenção. Ambos falam coisas sobre eleições, ofensas que haviam sido trocadas no passado. Falam ainda mais perto um do outro, e chega a turma do ‘deixa disso’. Nada de agressões, apenas tons ríspidos. A paz volta a reinar e a festa acaba.
No geral foi uma noite agradável, de reencontros, articulações e boas idéias, mostrando que quando a classe política supera as vaidades e interesses pessoais, quem ganha é a população .