Painel Econômico

Petrobras reduz preço do combustível de aviação em 14,2%

Primeira queda após três aumentos seguidos alivia custos das companhias aéreas. Governo mantém desoneração tributária e parcelamento de pagamentos

Petrobras reduz preço do combustível de aviação em 14,2%
📷 Rovena Rosa/Agência Brasil
📋 Em resumo
  • Petrobras anuncia redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV), primeira queda após três altas consecutivas.
  • Combustível representa 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, segundo a Abear.
  • Governo prorroga desoneração de PIS/Cofins e concede carência em tarifas de navegação aérea.
  • Por que isso importa: A decisão pode influenciar a formação de passagens aéreas e a recuperação do setor no segundo semestre
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A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1º) a redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV) nas refinarias, equivalente a R$ 0,93 por litro. Com o ajuste, o novo preço varia entre R$ 5,48 e R$ 5,69 por litro, marcando a primeira queda após três aumentos seguidos — em abril, o reajuste foi de 55%. A medida impacta diretamente as companhias aéreas, para as quais o combustível representa 45% dos custos operacionais, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

"O preço do QAV da Petrobras permanece competitivo", afirma a estatal.

A decisão da Petrobras ocorre em um momento de pressão sobre o setor aéreo, que acumula alta de 54,5% no preço do QAV desde janeiro — um acréscimo de R$ 1,98 por litro. A redução anunciada reflete, segundo a empresa, a "atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais", após picos motivados pelo conflito no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde circulava cerca de 20% da produção global de óleo e gás.

Como funciona a formação de preços do QAV

A política de preços da Petrobras para o QAV segue uma "fórmula paramétrica contratual que funciona como amortecedor de curto prazo", conforme explica a estatal. Esse mecanismo resulta em reajustes mais moderados que os observados no mercado internacional, onde as oscilações podem ocorrer diariamente.

No acumulado do ano, os reajustes internacionais superam os praticados no Brasil, o que, segundo a companhia, mantém o preço do QAV da Petrobras "competitivo". A revisão mensal, sempre realizada no dia 1º, permite ajustes ágeis às variações do mercado global, mas com um filtro que busca proteger o mercado doméstico de volatilidades extremas.

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Medidas de apoio ao setor aéreo

Além da redução do preço do combustível, o governo federal adotou um pacote de medidas para aliviar a pressão financeira sobre as companhias aéreas. No último sábado (30), foi anunciada a prorrogação por mais dois meses da desoneração do PIS/Cofins incidente sobre o QAV. O benefício, criado em abril, vale agora até 31 de julho.

Outra medida relevante foi a concessão de carência para o pagamento de tarifas de navegação aérea, devidas à Força Aérea Brasileira (FAB). Os valores referentes a julho, agosto e setembro só precisarão ser quitados em dezembro, proporcionando fôlego de caixa para as empresas do setor.

A própria Petrobras manteve a possibilidade de parcelamento da compra do QAV em seis parcelas mensais, opção anunciada juntamente com o reajuste de abril. "Essa medida contribui para diluir o impacto financeiro ao longo do tempo, favorecendo a adaptação gradual às novas condições de mercado", explica a estatal.

Segurança no abastecimento e estrutura de mercado

A Petrobras informou que os volumes de QAV solicitados pelas distribuidoras para o mês de junho estão confirmados, sem risco de desabastecimento. A companhia detém cerca de 85% da produção nacional do combustível, mas o mercado é aberto à livre concorrência, sem restrições para outras empresas atuarem como produtoras ou importadoras.

O fluxo comercial do QAV segue uma cadeia estruturada: a Petrobras comercializa o produto produzido nas refinarias ou importado para distribuidoras, que por sua vez transportam e vendem para companhias de transporte e outros consumidores finais nos aeroportos ou para revendedores. Essa estrutura permite flexibilidade, mas também expõe o setor a pressões de custos em múltiplos elos.

Perspectivas para o setor aéreo brasileiro

A redução do preço do QAV chega em um momento crucial para a aviação comercial no Brasil. Após períodos de alta nos custos operacionais, as companhias aéreas buscam equilibrar suas contas sem repassar integralmente os aumentos aos passageiros — estratégia que pode ser testada agora com a queda nos preços do combustível.

No entanto, especialistas alertam que a volatilidade do mercado internacional de petróleo continua sendo um fator de risco. Novas tensões geopolíticas ou mudanças na oferta global podem reacender pressões inflacionárias sobre o QAV, desafiando a capacidade de planejamento das empresas do setor.

A combinação de redução de preços, alívio tributário e flexibilidade de pagamento cria um cenário mais favorável para a recuperação do setor aéreo no segundo semestre. Mas a pergunta que permanece é: até que ponto esses fatores serão suficientes para estabilizar as tarifas aéreas e estimular a demanda em um contexto econômico ainda incerto?

Enquanto o mercado observa os próximos movimentos da Petrobras e do governo, uma coisa é certa: o preço do combustível de aviação continuará sendo um termômetro sensível das tensões entre economia, geopolítica e mobilidade no Brasil.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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