PF descobre celulares no freezer e R$ 2,28 milhões em operação contra esquema de compra de votos no Rio
Têmis mira secretário de Transportes do RJ, prefeitos e vereadores, incluindo filha de Beira-Mar; investigação aponta organização que movimentou milhões em esquema de financiamento ilícito de campanha

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (13) a Operação Têmis, que investiga um esquema sofisticado de compra de votos e lavagem de dinheiro na Baixada Fluminense.
A operação, que cumpre 22 mandados de busca e apreensão, tem como alvos principais figuras proeminentes da política local, incluindo o secretário de Transportes do Rio de Janeiro, Washington Reis, o atual prefeito de Duque de Caxias, Wilson Reis (irmão do atual prefeito), e a vereadora Fernanda da Costa, filha do conhecido traficante Fernandinho Beira-Mar.
Principais descobertas da operação:
Apreensão milionária: Na residência de Wellington da Rosa, assessor do deputado Valdecy da Saúde, foram encontrados R$ 2,28 milhões em espécie
Celulares escondidos: Na casa de Netinho Reis, prefeito eleito de Caxias, os agentes localizaram aparelhos celulares escondidos no freezer
Bloqueio judicial: A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões das contas dos investigados
Investigação e esquema
A investigação teve início em outubro, quando um suspeito foi preso em flagrante em Duque de Caxias portando R$ 1,9 milhão em dinheiro vivo, sob suspeita de envolvimento em compra de votos. Segundo a PF, o esquema envolvia empresas contratadas pelo poder público que eram utilizadas para favorecer agentes políticos em suas campanhas eleitorais, visando manter a hegemonia do grupo político na região.
Os investigadores apontam que a organização criminosa operava através de:
Lavagem de dinheiro
Falsidade ideológica eleitoral
Financiamento ilícito de campanhas políticas
Utilização de contratos públicos para desvio de recursos
Posicionamento dos investigados
Washington Reis negou as acusações em entrevista, afirmando: "Tenho 32 anos de vida pública, tenho muita tranquilidade, e não tenho nada a ver com isso. Nossa eleição foi feita com muita transparência."
O prefeito Wilson Reis também se manifestou, declarando não ter envolvimento no caso e colocando-se à disposição da justiça para esclarecimentos.
Impacto na política local
A operação representa um forte abalo na estrutura política da Baixada Fluminense, atingindo três gerações da mesma família política:
Washington Reis (Secretário de Transportes)
Wilson Reis (atual prefeito)
Netinho Reis (prefeito eleito)
A investigação continua em andamento, com a análise dos materiais apreendidos e a possibilidade de novas fases da operação. A Polícia Federal mantém o foco na desarticulação do esquema que, segundo as investigações, atuava há anos na região.
Esta matéria está em atualização conforme novos desdobramentos da operação.
