PF investiga R$ 100 milhões aplicados pelo São Roque Prev
Operação da PF cumpre nove mandados e apura aplicações feitas entre 2022 e 2024 sem parecer técnico. O instituto já tinha sido alvo de CPI por investimentos no Banco Master
📋 Em resumo ▾
- A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta terça-feira (27) nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e Pernambuco, na Operação Entressafras.
- A PF investiga como o São Roque Prev, instituto de previdência dos servidores municipais de São Roque (SP), aplicou cerca de R$ 100 milhões entre 2022 e 2024.
- Segundo a PF, as aplicações foram feitas sem pareceres técnicos e sem justificativas adequadas, e fora dos parâmetros exigidos para esse tipo de investimento.
- A PF não divulgou quem são os alvos nem para quais instituições financeiras o dinheiro foi. Ninguém foi indiciado ou acusado formalmente até agora.
- Por que isso importa: o dinheiro do São Roque Prev paga a aposentadoria dos servidores do município. O instituto já tinha sido alvo de uma CPI na Câmara Municipal por aplicações no Banco Master.
A Polícia Federal (PF) cumpriu nove mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (27), em São Paulo e Pernambuco. A ação faz parte da Operação Entressafras, que investiga possíveis irregularidades em investimentos de cerca de R$ 100 milhões do São Roque Prev, o instituto de previdência dos servidores municipais de São Roque (SP). O período investigado vai de 2022 a 2024.
O que a PF diz ter encontrado
Segundo a Polícia Federal, os investimentos do São Roque Prev nesse período foram feitos:
- sem pareceres técnicos, isto é, sem análise formal que embasasse a decisão de investir;
- sem justificativas adequadas para as escolhas feitas;
- fora dos parâmetros exigidos para aplicações de institutos de previdência pública.
Essa é a suspeita da PF, que motivou os mandados. Não é uma conclusão judicial. Mandado de busca e apreensão serve para recolher provas. Ele não significa que alguém foi acusado ou condenado.
Quais crimes estão sob investigação
De acordo com a PF, a operação apura possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional na gestão dos investimentos. Os crimes investigados são:
- gestão fraudulenta: administrar uma instituição financeira de forma enganosa ou desonesta;
- peculato financeiro: desviar ou se apropriar de recursos que a pessoa administra por causa do cargo;
- lavagem de dinheiro: ocultar a origem ilegal de recursos;
- crimes contra a administração pública.
A investigação está em fase inicial. A PF não informou a identidade dos alvos dos mandados e não detalhou quais instituições financeiras receberam o dinheiro investigado. Por isso, ninguém pode ser apontado como suspeito com base nas informações divulgadas até agora.
A CPI que olhou para o Banco Master
O São Roque Prev já vinha sendo questionado por aplicações no Banco Master, instituição financeira que passou por liquidação. Por isso, a Câmara Municipal de São Roque instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em abril de 2026.
A CPI funcionou por 90 dias e terminou em julho. Nesse período, os vereadores:
- ouviram 14 depoimentos;
- analisaram centenas de documentos;
- produziram um relatório final de 175 páginas.
O relatório recomendou medidas para melhorar a administração e o controle do dinheiro do instituto. A CPI também recomendou que a Prefeitura de São Roque entrasse na Justiça contra três instituições:
- o Banco Master, por possíveis falhas na prestação de serviços e por problemas ligados à sua liquidação;
- a consultoria Crédito & Mercado, por possíveis falhas na prestação de serviços;
- o Banco Central, por possível omissão na fiscalização.
Essas são recomendações políticas da CPI. Elas não são acusações formais, e nenhuma dessas instituições foi condenada por isso. Uma CPI municipal não tem poder para punir. Ela pode apenas recomendar providências e enviar suas conclusões a outros órgãos.
A Câmara informou que mandaria o relatório à Polícia Federal, ao Ministério Público, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).
A ligação entre a CPI e a operação
A PF não informou se a Operação Entressafras foi aberta a partir do relatório da CPI. Também não disse se os investimentos no Banco Master estão entre as aplicações investigadas. O que se sabe é que a Câmara anunciou o envio do relatório à PF e que a operação apura o mesmo período e o mesmo instituto. Qualquer ligação direta entre as duas apurações ainda precisa ser confirmada.
O outro lado
A PF não divulgou os nomes dos alvos, e por isso não foi possível ouvi-los. O Painel Político procurou o São Roque Prev e a Prefeitura de São Roque e aguarda manifestação. (Alan: ajuste esta linha conforme o contato feito, com horário, ou registre que a tentativa ainda será feita.)
A operação chama atenção para um tipo de dinheiro com dono certo. Os recursos do São Roque Prev não são da prefeitura nem dos gestores: são a poupança obrigatória que garante a aposentadoria de servidores municipais. A PF agora vai analisar o material apreendido para responder a duas perguntas. A primeira é se os investimentos foram só mal decididos, sem a análise técnica exigida, o que já seria falha de gestão. A segunda é se houve crime, como desvio ou fraude. São coisas diferentes, e a resposta definirá se o caso termina em responsabilização administrativa ou em denúncia criminal. Enquanto isso, a pergunta prática para os servidores de São Roque é quanto dos R$ 100 milhões ainda pode ser recuperado.
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