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PF prende deputado eleito Márcio Canella e ex-chefe da Polícia Civil do RJ

PF deflagrou a 8ª fase da Unha e Carne nesta quinta (15), prendendo Márcio Canella e Marcus Amim por suspeita de esquema em postos de combustíveis

PF prende deputado eleito Márcio Canella e ex-chefe da Polícia Civil do RJ
📷 Reprodução
📋 Em resumo ▾
  • Márcio Canella (União Brasil), 2º deputado estadual mais votado do RJ nas eleições de outubro, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foram presos nesta quinta (15) pela PF
  • A Operação Unha e Carne 8 apura suposto esquema de lavagem de dinheiro via rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio, que teria movimentado R$ 7,6 bilhões em 6 anos
  • O ministro Alexandre de Moraes (STF) determinou 6 prisões, 16 mandados de busca e apreensão, e o sequestro de bens de 112 empresas
  • A ação é desdobramento da 6ª fase da operação, de julho, quando Canella já havia sido preso por posse de fuzil e posteriormente solto
  • Por que isso importa: Canella foi eleito com 197.178 votos mesmo após a prisão anterior, e a nova operação reacende o debate sobre a relação entre política, policiais e organizações criminosas no Rio, no âmbito da ADPF das Favelas
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A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) — segundo mais votado do Rio de Janeiro nas eleições de outubro, com 197.178 votos — e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. As prisões integram a 8ª fase da Operação Unha e Carne, que apura suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.

O que diz a investigação

Segundo a PF, o objetivo da operação é “desarticular uma organização criminosa armada suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis [...] como plataforma de lavagem de dinheiro”, com participação de “agentes públicos e articulação político-institucional”. Canella e Amim são investigados por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes — é importante destacar que, até o momento, trata-se de fase de investigação e cumprimento de prisão preventiva, não de denúncia ou condenação.

Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que deu origem às apurações apontou que o grupo movimentou R$ 7,6 bilhões em seis anos através de uma rede de 96 postos de combustíveis.

A ação faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa da PF determinada pelo STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas), que prevê investigações sobre relações entre agentes públicos e facções criminosas.

Os mandados e as prisões desta quinta

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o cumprimento de 6 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. Também foi determinado o sequestro de bens e a suspensão da atividade econômica de 112 empresas investigadas — a maioria, postos de gasolina.

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Segundo o G1, Canella foi preso em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. Vale registrar que outras publicações cariocas, como o RioPress, descreveram a prisão como ocorrida em Niterói, na casa de Amim — divergência que ainda não foi esclarecida por uma fonte unificada até o fechamento desta matéria.

Além de Canella e Amim, foram presos os inspetores da Polícia Civil Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukiá Felix Ferreira (conhecido como Pablo Russo). O delegado Gláucio Paz da Silva foi alvo de busca, mas não consta como preso.

“Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações” — Polícia Federal, em nota

Contraditório

A defesa de Canella informou que não vai se pronunciar até ter acesso aos autos do processo. A TV Globo informou que segue tentando contato com os demais investigados; até a publicação desta matéria, não havia retorno das defesas de Amim e dos demais citados.

Histórico: da 5ª à 8ª fase

A Unha e Carne já teve desdobramentos diretos sobre Canella e Amim em etapas anteriores. Na 6ª fase, em julho, ambos foram alvo de busca e apreensão dentro da mesma investigação sobre a rede de postos de combustíveis. Na ocasião, Canella acabou preso em flagrante por posse ilegal de um fuzil encontrado em seu carro — prisão da qual foi solto dias depois, por decisão do próprio ministro Alexandre de Moraes. Esse episódio levou à 7ª fase da operação, no mês passado, quando o vereador carioca Jorge Canella (União, sem parentesco com Márcio) foi preso por posse irregular de armas de uso restrito.

Mesmo após a prisão de julho, Márcio Canella seguiu na disputa eleitoral e se elegeu deputado estadual em outubro como o segundo mais votado do estado, com mandato previsto para começar em fevereiro de 2027. Antes disso, ele havia sido pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — candidatura abandonada após a repercussão da prisão por posse de arma.

Marcus Amim comandou a Polícia Civil do Rio entre 2023 e 2024, indicação atribuída a Canella e ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (hoje cassado e preso, também na Unha e Carne). Para que Amim assumisse o cargo, a Alerj precisou alterar uma lei, já que ele não possuía o tempo de carreira exigido para o posto. Ele foi exonerado em setembro de 2024 pelo então governador Cláudio Castro (PL), e posteriormente passou a chefiar a segurança da Alerj até dezembro do ano passado.

A nova fase da operação reforça que a investigação sobre a relação entre agentes públicos, policiais e organizações criminosas no Rio de Janeiro continua em curso, com novos desdobramentos possíveis à medida que a apuração avança.


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