Poço de Lobato: Investigação revela como Grupo Refit ocultou R$ 26 bilhões em sonegação de impostos
Em ação coordenada que mobilizou centenas de agentes em seis unidades da Federação, autoridades desmantelam estrutura complexa de offshores e fundos que deu aparência de legalidade a crimes fiscais

Na manhã desta quinta-feira, 27 de novembro de 2025, uma megaoperação batizada de “Poço de Lobato” sacudiu o setor de combustíveis no Brasil. O nome da ação faz referência ao primeiro poço de petróleo perfurado no país, descoberto em 1939 no bairro de Lobato, em Salvador (BA), simbolizando o início da exploração de recursos que, ironicamente, agora são alvo de investigações por desvios bilionários.
Liderada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (Cira-SP), a operação cumpriu 190 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e empresas ligadas ao Grupo Refit, conglomerado comandado pelo empresário Ricardo Magro e proprietário da antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, o esquema causou prejuízos estimados em R$ 26 bilhões aos cofres estaduais e federais, configurando o Grupo Refit como o maior devedor de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em São Paulo, o segundo maior no Rio de Janeiro e um dos principais da União.
Os suspeitos são acusados de integrar uma organização criminosa dedicada a crimes contra a ordem econômica e tributária, além de lavagem de dinheiro. A mobilização envolveu 621 agentes, incluindo promotores de Justiça, auditores fiscais da Receita Federal, secretarias de Fazenda estadual e municipal de São Paulo, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, além de policiais civis e militares.
Este conteúdo é exclusivo para assinantes.
Por menos de um café por semana, leia sem limites.