Prêmio Oceanos 2026 anuncia 12 finalistas; 6 são brasileiros
O maior prêmio da literatura em língua portuguesa escolheu 12 finalistas entre 3.086 livros inscritos. Seis são brasileiros. Os vencedores levam R$ 150 mil cada
📋 Em resumo ▾
- O Prêmio Oceanos 2026 anunciou 12 finalistas, seis em prosa e seis em poesia, com autores de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal.
- A lista mistura nomes consagrados, como Adélia Prado, José Eduardo Agualusa e Helder Macedo, com estreantes, como Julia Codo.
- Seis dos 12 finalistas são brasileiros: dois na prosa e quatro na poesia.
- Os vencedores de cada categoria serão anunciados em 11 de dezembro e recebem R$ 150 mil.
- Por que isso importa: o Oceanos é a principal vitrine da literatura em língua portuguesa e ajuda a fazer circular autores entre os países que falam o idioma.
O Prêmio Oceanos 2026, um dos mais importantes da literatura em língua portuguesa, chegou à fase final com 12 livros de escritores de Angola, do Brasil, de Moçambique e de Portugal. A lista, anunciada na quarta-feira (28) no Teatro YouTube, em São Paulo, tem seis obras de prosa e seis de poesia. Elas foram escolhidas entre 3.086 livros inscritos, de autores de 13 nacionalidades.
Entre os finalistas estão nomes consagrados, como a mineira Adélia Prado, o angolano José Eduardo Agualusa e o português Helder Macedo. Ao lado deles aparecem escritores que vêm renovando a literatura contemporânea, entre eles uma estreante no romance. Os vencedores serão conhecidos em 11 de dezembro e cada um receberá R$ 150 mil.
Prosa: três portugueses, dois brasileiros e um angolano
O nome mais conhecido da lista de prosa é José Eduardo Agualusa, um dos principais autores da literatura africana contemporânea, que concorre com o romance Tudo sobre Deus. O Brasil está representado por Micheliny Verunschk, com Depois do trovão, e por Julia Codo, que estreia no romance com Caderno de ossos, livro que cruza memória familiar e história do Brasil.
Completam a lista três portugueses: Ana Margarida de Carvalho, com A chuva que lança a areia do Saara; Rui Nunes, com Não é ainda o pânico; e Judite Canha Fernandes, com O mel sem abelhas.
Poesia: quatro brasileiros
Na poesia, o Brasil é maioria. Concorrem Adélia Prado, com O jardim das oliveiras; Adriana Lisboa, com Antes de dar nomes ao mundo; Nina Rizzi, com Diáspora não é lar; e Edimilson de Almeida Pereira, com Porte Étoile. Completam a lista o português Helder Macedo, com Corpos da memória, e o moçambicano Pedro Pereira Lopes, com Tratado das coisas sensíveis.
Segundo a organização, os livros tratam de memória, ancestralidade, deslocamento, espiritualidade e relações humanas.
Anúncio com conversa e poesia
A lista foi divulgada num evento feito em parceria com a Estante Virtual, com transmissão ao vivo pelo YouTube. As finalistas Julia Codo e Micheliny Verunschk conversaram sobre o tema “A literatura como escavação da memória e da história brasileira”. A mediação foi do escritor e tradutor Felipe Franco Munhoz, que integrou o júri de prosa.
O encontro teve ainda a performance “A poesia como discussão do mundo”, com a finalista Nina Rizzi e a poeta Natasha Félix, que fez parte do júri de poesia.

Os júris
Os finalistas foram escolhidos por dois júris internacionais, com especialistas dos quatro países:
- Prosa: os brasileiros Carola Saavedra e Felipe Munhoz, os portugueses José Mário Silva e Sara Figueiredo Costa, o moçambicano Álvaro Taruma e o angolano João Fernando André.
- Poesia: a angolana Leopoldina Fekayamãle, o moçambicano Francisco Guita Jr., os brasileiros Fernando Paixão e Natasha Félix e as portuguesas Maria Antónia Oliveira e Maria João Cantinho.
A escolha dos vencedores ficará com dois júris novos:
- Prosa: as brasileiras Nara Vidal e Silvana Tavano, a angolana Ana Paula Tavares e os portugueses José Riço Direitinho e Marta Lança.
- Poesia: o angolano Ondjaki, as brasileiras Ana Maria Vasconcelos, Juliana Krapp e Maria Esther Maciel e a portuguesa Rita Taborda Duarte.
Há um detalhe na composição dos júris finais: Silvana Tavano e Ana Maria Vasconcelos foram as vencedoras do Oceanos do ano passado, em prosa e poesia.
Sobre o prêmio
O prêmio nasceu em 2003 com o nome de Prêmio Portugal Telecom de Literatura e passou a se chamar Oceanos em 2015, com o patrocínio do Itaú Cultural. Hoje é organizado pela Oceanos Cultura e pela Associação Oceanos e aceita livros escritos originalmente em português, publicados em qualquer país. Neste ano foram 1.808 inscrições em prosa e 1.278 em poesia.
O outro lado
Por se tratar de um anúncio de premiação, não há partes em conflito. As informações foram divulgadas pela Associação Oceanos. (Alan: ajuste esta linha conforme o contato feito.)
A lista de 2026 mostra o equilíbrio que o Oceanos tenta manter entre consagração e renovação. Adélia Prado, aos 90 anos, e Agualusa disputam espaço com uma estreante como Julia Codo. O peso do Brasil, com metade dos finalistas, reflete o tamanho do mercado editorial brasileiro, mas a presença de Angola e Moçambique mantém o prêmio fiel à proposta de ser uma vitrine de toda a língua portuguesa, e não só do eixo Brasil–Portugal. A cerimônia de 11 de dezembro, no Itaú Cultural, em São Paulo, define os vencedores.
🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.