Projeções fiscais de Rondônia revelam aumento significativo da Dívida Pública para 2025
Estado prevê crescimento de 130% na dívida consolidada; senador Marcos Rogério apontou 'desequilíbrio fiscal', mas problema é bem mais sério

O Senador Marcos Rogério (PL-RO), em discurso no plenário na última segunda-feira, 9, teceu duras críticas ao governador de Rondônia Marcos Rocha (UB). E ele tem razão em suas críticas à gestão estadual, especialmente considerando o atual desequilíbrio fiscal e o crescente endividamento do Estado de Rondônia.
Segundo o senador, a recomendação reflete uma gestão que “desrespeitou a Lei de Responsabilidade Fiscal, adotando práticas irregulares”, como a geração de despesas sem análise de impacto fiscal e a realização de gastos sem prévio empenho ou respaldo contratual.
— Essas práticas não são apenas irregulares, elas são irresponsáveis. Elas representam uma traição à confiança do povo de Rondônia e um risco direto ao equilíbrio fiscal do estado. Eu estou falando aqui não apenas de problemas pontuais e de agora; são problemas que vão comprometer ainda mais o estado no futuro.

Veja abaixo um ponto a ponto sobre a dívida pública de Rondônia e como anda a saúde financeira do Estado com base em dados oficiais disponíveis nos relatórios da Secretaria de Estado de Finanças (Sefin).
Principais pontos de preocupação
O Ministério Público de Contas recomendou a rejeição das contas do governo estadual, apontando graves irregularidades na gestão fiscal:
Desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal
Geração de despesas sem análise de impacto fiscal
Realização de gastos sem prévio empenho
Ausência de respaldo contratual em despesas
Obras prometidas e não realizadas
O cenário se agrava com a ausência de obras estruturantes importantes:
Hospital de Urgências e Emergências de Rondônia (Heuro)
Hospital de Ariquemes
Aeroportos regionais
Impactos futuros
A situação é ainda mais preocupante devido a:
Aumento de despesas contínuas sem planejamento adequado
Ausência de participação nas discussões sobre reforma tributária
Falta de defesa dos interesses regionais junto à bancada federal
Consequências
O atual cenário pode resultar em:
Comprometimento futuro das finanças estaduais
Possível prejuízo ao desenvolvimento econômico
Risco para a manutenção de indústrias no estado
A combinação do endividamento crescente com a falta de investimentos estruturantes coloca o estado em uma posição financeira delicada, demandando atenção imediata das autoridades competentes.Em uma análise detalhada das projeções fiscais do Estado de Rondônia, dados oficiais revelam um cenário desafiador para as contas públicas em 2025, com destaque para um expressivo aumento na dívida pública consolidada, que deve atingir R$ 6,89 bilhões, representando um crescimento de aproximadamente 130% em relação a 2024.
O que é Dívida Pública?
A dívida pública é o dinheiro que o governo deve a terceiros quando precisa tomar empréstimos para financiar suas atividades e despesas. É como se fosse um "empréstimo" que o governo faz, mas em grande escala.
Como funciona?
Origem da dívida:
Acontece quando o governo gasta mais do que arrecada
Quando os impostos e outras receitas não são suficientes para cobrir todas as despesas
Como o governo pega emprestado?
Principalmente através da emissão de títulos públicos
Estes títulos são como "promessas de pagamento" que o governo vende
Quem empresta para o governo?
Fundos de investimento
Bancos
Fundos de pensão
Investidores brasileiros e estrangeiros
Pessoas físicas (através do Tesouro Direto)
Para que serve a Dívida Pública?
O governo usa o dinheiro da dívida pública para:
Construir escolas, hospitais e estradas
Pagar salários de servidores
Financiar programas sociais
Fazer investimentos em infraestrutura
Cobrir déficits orçamentários
Tipos de Dívida Pública
Dívida Interna:
É o que o governo deve em moeda nacional (real)
Principalmente através de títulos públicos
Dívida Externa:
É o que o governo deve em moeda estrangeira
Empréstimos de organismos internacionais ou outros países
Por que é importante?
É um importante instrumento de política econômica
Ajuda a financiar investimentos necessários ao país
Influencia as taxas de juros da economia
Impacta o desenvolvimento econômico do país
Gestão da Dívida
É administrada pelo Tesouro Nacional
Deve ser gerida de forma responsável
O governo precisa manter a capacidade de pagamento
Excesso de dívida pode gerar problemas econômicos
Panorama da Dívida e Receitas
A Secretaria de Finanças (SEFIN) projeta que a dívida pública consolidada do estado seguirá a seguinte trajetória:
2024: R$ 2,99 bilhões
2025: R$ 6,89 bilhões
2026: R$ 6,61 bilhões
2027: R$ 6,29 bilhões
Este cenário indica uma tendência de redução gradual após o pico em 2025, embora os valores permaneçam significativamente elevados em comparação com o patamar atual.

Desempenho das Autarquias e Fundos Especiais
As projeções de receitas das principais autarquias e fundos especiais apresentam um quadro mais estável:
FUMORPGE (Fundo Especial de Modernização da PGE)
2025: R$ 6,07 milhões
2026: R$ 6,17 milhões
2027: R$ 6,13 milhões
AGERO (Agência Reguladora)
2025: R$ 1,14 milhão
2026: R$ 1,27 milhão
2027: R$ 1,41 milhão
IDARON-FESA
2025: R$ 33,56 milhões
2026: R$ 33,47 milhões
Análise de riscos e perspectivas
Um aspecto positivo do cenário fiscal é a ausência de riscos fiscais significativos identificados para 2025 na maioria dos órgãos analisados. No entanto, existem pontos de atenção:
A SEDUC apresenta uma situação particular, com demandas judiciais não quantificadas devido à falta de informações da PGE
A expressiva elevação da dívida consolidada sugere a necessidade de um planejamento fiscal rigoroso
As projeções de receitas das autarquias mostram crescimento moderado, indicando conservadorismo nas estimativas
Capacidade de investimento e perspectivas para Rondônia
Previsão Orçamentária para 2025
De acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aprovada pela Assembleia Legislativa de Rondônia, o estado tem previsão de:
Arrecadação total: R$ 16,78 bilhões
Crescimento em relação a 2024: 4,37%
Distribuição de investimentos por áreas
Infraestrutura e Desenvolvimento
O estado está integrado ao novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
Investimentos previstos próximos a R$ 30 bilhões em projetos estruturantes
Foco em obras de infraestrutura viária e logística
Principais áreas de investimento previstas:
Infraestrutura Viária
Recapeamento de rodovias estaduais (ROs)
Manutenção da malha viária existente
Desenvolvimento Produtivo
Fortalecimento do setor produtivo
Apoio à agricultura e pecuária
Infraestrutura Social
Investimentos em cultura e esporte
Melhorias em equipamentos públicos
Limitações e desafios
Restrições Orçamentárias
Alto comprometimento com a dívida pública (R$ 6,89 bilhões em 2025)
Necessidade de equilíbrio entre investimentos e controle fiscal
Capacidade de Execução
Necessidade de priorização de projetos estratégicos
Gestão eficiente dos recursos disponíveis
Oportunidades de investimento
Parcerias Público-Privadas
Potencial para ampliação de investimentos através de PPPs
Desenvolvimento de projetos estruturantes
Recursos Federais
Integração com programas federais de desenvolvimento
Captação de recursos através de convênios e programas específicos
Perspectivas para o futuro
O cenário para 2025 apresenta desafios significativos, mas também oportunidades de desenvolvimento. A gestão eficiente dos recursos e o equilíbrio entre o pagamento da dívida e a necessidade de investimentos serão cruciais para o sucesso das políticas públicas do estado.
Para maximizar a capacidade de investimento, será fundamental:
Manter o controle rigoroso das contas públicas
Priorizar investimentos estratégicos
Buscar parcerias e recursos externos
Implementar medidas de eficiência na gestão pública
O estado precisará equilibrar cuidadosamente suas prioridades de investimento com a necessidade de manter a saúde fiscal, especialmente considerando o aumento projetado da dívida pública. A capacidade real de investimento dependerá muito da eficiência na gestão dos recursos e da habilidade em atrair investimentos externos e parcerias estratégicas.
Análise de documentos fiscais - Rondônia 2024/2025
Os documentos apresentados são referentes aos demonstrativos de riscos fiscais e providências de diversos órgãos do Estado de Rondônia, incluindo:
Ministério Público do Estado
Assembleia Legislativa
Tribunal de Contas
Defensoria Pública
Procuradoria Geral do Estado
Análise por Órgão
1. Ministério Público (MPRO)
Passivos Contingentes: R$ 2.267.968,14
Principal risco: Demandas judiciais
Providências previstas: Abertura de créditos adicionais
Situação: Equilibrada, com reserva contingencial adequada
2. Assembleia Legislativa (ALE/RO)
O relatório aponta uma margem de expansão negativa de R$ 12.191.641,34, indicando significativas limitações orçamentárias para novos investimentos e despesas.
Os dados demonstram um total de riscos que alcança R$ 7.097.216,63, distribuídos da seguinte forma:
Ações Judiciais: R$ 5.959.557,46 (84% do total de riscos)
Processos Administrativos: R$ 1.137.659,17 (16% do total de riscos)
A situação atual apresenta dois pontos críticos que merecem destaque:
O elevado volume de ações judiciais, que representa mais de 80% do total de riscos, indicando uma significativa exposição a contingências legais.
A margem de expansão negativa superior a R$ 12 milhões, que sinaliza restrições importantes na capacidade de investimento e crescimento.
A combinação destes indicadores sugere a necessidade de medidas de contenção e um plano estratégico para administração dos passivos. A situação demanda um acompanhamento próximo das autoridades fiscais e financeiras, visando a estabilização dos números e a redução gradual dos riscos identificados.
Total de Riscos: R$ 7.097.216,63
Ações judiciais: R$ 5.959.557,46
Processos administrativos: R$ 1.137.659,17
Margem de expansão negativa: -R$ 12.191.641,34
Situação: Preocupante devido à margem negativa
3. Tribunal de Contas (TCE/RO)
Receitas Estimadas:
2025: R$ 5.137.000,00
2026: R$ 5.315.000,00
2027: R$ 5.501.000,00
Situação: Demonstra crescimento sustentável
4. Defensoria Pública
Passivos Contingentes: R$ 1.047.736,59
Previsão de novas DOCC: R$ 9.934.585,00
Situação: Controlada, com provisões adequadas
Pontos de atenção
Riscos Fiscais
Desequilíbrio na ALE:
Margem negativa significativa
Necessidade de ajuste fiscal
Crescimento de Despesas:
Aumento significativo em despesas com pessoal
Necessidade de monitoramento
Capacidade de Investimento
Fontes de Receita:
TCE: Demonstra sustentabilidade
MPRO: Mantém equilíbrio fiscal
Contingenciamentos:
Todos os órgãos apresentam reservas
Previsão de medidas mitigadoras
Análise de Excedentes
Positivos
TCE/RO:
Crescimento projetado de receitas
Gestão fiscal conservadora
MPRO:
Reservas adequadas
Contingenciamento proporcional
Negativos
ALE/RO:
Déficit projetado
Necessidade de ajustes
Recomendações
Curto Prazo:
Revisar despesas discricionárias da ALE
Fortalecer controles de passivos contingentes
Médio Prazo:
Implementar medidas de eficiência fiscal
Desenvolver plano de contingência para riscos
Longo Prazo:
Estabelecer metas de redução de passivos
Criar reservas técnicas adicionais
Considerações Finais
O cenário fiscal de Rondônia para 2025 apresenta desafios significativos, principalmente no que tange ao gerenciamento da dívida pública. Embora as receitas projetadas para os órgãos e fundos especiais demonstrem estabilidade, o expressivo aumento da dívida consolidada demandará atenção especial das autoridades fiscais do estado.
A ausência de riscos fiscais identificados para a maioria dos órgãos é um fator positivo, mas a gestão da dívida pública será crucial para a manutenção do equilíbrio fiscal nos próximos anos. O monitoramento contínuo e a implementação de medidas de controle fiscal serão fundamentais para garantir a sustentabilidade das contas públicas do estado.
