PT quer saber quem gravou áudio de Vorcaro na cadeia, divulgado por Veja
Campanha pretende pedir quebra de sigilo telemático de visitantes do ex-banqueiro, após áudio divulgado pela Veja sobre suposto financiamento a documentário de Oliver Stone sobre Lula
📋 Em resumo ▾
- O time jurídico da campanha do PT vai pedir à Polícia Federal e à PGR a identificação de todos que visitaram Daniel Vorcaro na prisão, com foco em quem pode ter entrado com dispositivo de gravação.
- O pedido busca apurar quem gravou um áudio, divulgado pela revista Veja, em que Vorcaro afirma ter financiado o documentário de Oliver Stone sobre Lula com dinheiro de um suposto esquema de propina.
- A PGR já desconfia que a gravação possa ter sido feita ilegalmente dentro do presídio para uso eleitoral — suspeita que a defesa de Vorcaro, em parte, compartilha.
- Por que isso importa: o caso mistura disputa eleitoral, suspeita de crime (violação de sigilo prisional) e acusação ainda não comprovada contra um ex-tesoureiro do PT, exigindo cautela sobre o que é fato e o que é alegação.
O time jurídico da campanha do PT pretende pedir à Polícia Federal e à PGR (Procuradoria-Geral da República) a identificação de todas as pessoas que visitaram Daniel Vorcaro nas unidades prisionais onde ele esteve custodiado — com atenção especial a quem tenha entrado com dispositivos aptos a gravação. A campanha também vai pedir a posterior quebra de sigilo telemático dos identificados, para apurar eventual violação de sigilo funcional e outros crimes relacionados.
O que motivou o pedido
A iniciativa busca identificar quem gravou um áudio, divulgado pela revista Veja, no qual Vorcaro afirma ter financiado o documentário do cineasta Oliver Stone sobre o presidente Lula (PT). No áudio, segundo a reportagem da Veja, o ex-banqueiro diz ter negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto o pagamento de propinas para acessar fundos de pensão de servidores federais — e que parte desse dinheiro, R$ 30 milhões, teria financiado o filme de Stone.
É importante separar o que está em jogo aqui: o conteúdo do áudio é, até o momento, uma alegação atribuída a Vorcaro, divulgada por terceiros — não um fato comprovado por decisão judicial ou documento oficial. Vaccari Neto não teve, neste material, oportunidade de resposta direta às falas atribuídas a Vorcaro, o que o Painel registra como lacuna a ser preenchida antes da publicação.
A suspeita sobre a legalidade da gravação
A PGR desconfia que o áudio de Vorcaro sobre Lula tenha sido gravado ilegalmente dentro da prisão para ser usado na campanha eleitoral. Segundo essa apuração, a gravação, se feita dessa forma, seria ilegal — nenhuma das pessoas recebidas por Vorcaro na Papudinha, em Brasília, onde ele está preso, poderia entrar no estabelecimento com gravador ou celular.
A Polícia Federal nega que Vorcaro tenha prestado depoimento ou entregue documentos sobre um suposto financiamento ao documentário “Lula”, como chegou a ser noticiado pela Veja — uma divergência direta entre a versão da revista e a da PF que ainda não foi esclarecida publicamente.
A desconfiança também está na defesa de Vorcaro
Parte da equipe de defesa de Vorcaro — formada por 23 profissionais de várias bancas de advocacia — também acredita que o áudio foi gravado de forma ilegal, mas há mais tempo, e vazado apenas agora com objetivos eleitorais. Essa é a posição atribuída a uma parte da defesa, não um consenso de toda a equipe, e deve ser lida como tal.
Há desconfiança de que a gravação ilegal possa ter sido feita por agentes públicos, por alguém da própria equipe de defesa, ou por alguma visita que tenha driblado a segurança da prisão. Um detalhe técnico ajuda a entender o cenário: quando Vorcaro estava sob custódia da PF, os advogados podiam entrar com computadores e gravadores para tomar depoimento dele no âmbito de tratativas de colaboração premiada. Já na Papudinha, as conversas ocorrem por vídeo — um formato que, em tese, também poderia ser gravado.
O que diz a equipe de Oliver Stone
A equipe do cineasta Oliver Stone afirma que jamais pediu ou recebeu qualquer recurso de Vorcaro, e que não foi informada de uma suposta solicitação nesse sentido.
O que ainda não se sabe
Até a publicação desta matéria, não há confirmação de quem gravou o áudio, se a gravação foi de fato ilegal, nem decisão da PF ou da PGR sobre o pedido do PT. O caso envolve, portanto, pelo menos três camadas distintas ainda não resolvidas: a veracidade do conteúdo atribuído a Vorcaro sobre o esquema de propina e o financiamento do documentário; a legalidade da gravação; e a identidade de quem a fez e a vazou. Tratar qualquer uma dessas camadas como fato definitivo, neste momento, seria antecipar uma conclusão que nem a PF nem a PGR divulgaram.
🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.