Quaest: Lula tem 37% e Flávio Bolsonaro 29%; empate técnico no 2º turno
Levantamento Quaest/O Globo aponta o presidente à frente no 1º turno, mas tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro numa eventual disputa final. Escritor Augusto Cury aparece pela primeira vez em terceiro
📋 Em resumo ▾
- No cenário estimulado de 1º turno, Lula (PT) lidera com 37%, seguido de Flávio Bolsonaro (PL) com 29% e do escritor Augusto Cury (Avante) com 10%.
- Na simulação de 2º turno, Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados: 42% a 41%, dentro da margem de erro.
- É a primeira vez que a Quaest testa Augusto Cury num cenário de segundo turno, no qual Lula vence por 40% a 34%.
- A pesquisa traz dois cenários de 1º turno — com e sem Pablo Marçal (PRTB), que segue inelegível e sob análise do TSE.
- Por que isso importa: o levantamento consolida o quadro de 2026 com Flávio como principal nome da oposição e revela um terceiro colocado inesperado
A disputa pela Presidência em 2026 ganhou nesta quarta-feira (2) seu retrato mais recente. Pesquisa Quaest, encomendada pelo jornal O Globo e pela Globo, mostra o presidente Lula (PT) na liderança do primeiro turno com 37%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 29%. A surpresa fica por conta do terceiro lugar: o escritor Augusto Cury (Avante) aparece com 10%, à frente de todos os demais nomes da disputa.
Mas o dado que mais tensiona o cenário está na simulação de segundo turno — onde a vantagem de Lula praticamente desaparece.
O primeiro turno: liderança de Lula, oposição consolidada em Flávio
No cenário estimulado — em que a Quaest apresenta aos entrevistados a lista de candidatos —, abaixo de Lula, Flávio e Cury vêm Renan Santos (Missão), com 3%, e um bloco de nomes com 1% cada: Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP). Os indecisos somam 11%, e brancos, nulos e quem não pretende votar, 7%.
O número de Flávio Bolsonaro merece leitura atenta: ao aparecer com 29% e isolado em segundo, o senador se firma como o principal nome do campo da direita nesta fase da corrida — posição que, meses atrás, ainda era disputada dentro do próprio grupo bolsonarista.
O terceiro nome que ninguém previa
A entrada de Augusto Cury com 10% é o elemento mais inesperado do levantamento. Escritor de grande apelo popular, sem trajetória política tradicional, Cury ocupa hoje um espaço que costuma pertencer a governadores e caciques partidários — e o faz com folga sobre nomes de maior estrutura, como Caiado e Zema. É a primeira vez que a Quaest o inclui num cenário de segundo turno, sinal de que sua candidatura deixou de ser figurante nas medições.
O segundo turno: o empate que muda tudo
É na simulação de returno que o quadro fica mais apertado. Na disputa direta, Lula aparece com 42% e Flávio Bolsonaro com 41% — diferença de um único ponto, dentro da margem de erro de dois pontos. Ou seja: empate técnico. Brancos, nulos e abstenções somam 13%, e os indecisos, 4% — um contingente que decidiria a eleição.
Um ponto de diferença, margem de erro de dois: no segundo turno, Lula e Flávio partem do zero a zero.
Nos demais cenários de returno testados, Lula mantém vantagens mais confortáveis, todas fora da margem: vence Caiado por 42% a 37%, Renan Santos por 43% a 36%, Cury por 40% a 34% e Zema por 44% a 33%. O padrão é claro — contra qualquer adversário que não seja Flávio, o presidente abre distância; contra o senador, a disputa é ponto a ponto.
Espontânea: o tamanho real do "não sei"
Na pesquisa espontânea — em que os nomes não são apresentados e o eleitor responde de memória —, Lula tem 28% e Flávio, 20%, com Cury em 4%. O dado mais revelador aqui é outro: 42% de indecisos. A distância entre o estimulado e o espontâneo mostra que boa parte do eleitorado ainda não fixou candidato, e que há um enorme espaço de definição pela frente.
O fator Marçal
A pesquisa traz dois cenários de primeiro turno porque há uma peça em aberto: Pablo Marçal (PRTB). O influenciador registrou candidatura no último dia do prazo, em 15 de agosto, embora esteja inelegível — sua inelegibilidade foi declarada pelo TRE-SP em 2024. Ele segue na disputa na condição sub judice, e o TSE tem até 14 de setembro para julgar todos os registros. No cenário que o inclui, Marçal aparece com apenas 1%, e Flávio sobe um ponto (30%) — variação dentro da margem. Enquanto o tribunal não decide, a validade de eventuais votos nele fica condicionada ao julgamento.
O que o retrato de setembro diz — e o que não diz
A leitura serena do levantamento é a de um jogo em dois tempos. No primeiro turno, Lula lidera com relativa folga e a oposição já tem um nome consolidado. No segundo, a corrida vira outra: um empate técnico que transforma a eleição numa disputa de mobilização, não de largada. Mas convém a cautela de sempre — falta mais de um ano para o voto, o índice de indecisos na espontânea é altíssimo, e cenários de segundo turno a esta distância medem tendência, não desfecho. O que a Quaest fotografou nesta quarta não é o resultado de 2026; é o ponto de partida a partir do qual a campanha, que mal começou, será disputada.
FICHA TÉCNICA DA PESQUISA
- Instituto: Quaest
- Contratante: Jornal O Globo e Globo
- Registro no TSE: BR-07065/2026
- Período de coleta: 30 de agosto a 1º de setembro de 2026
- Amostra: 2.004 entrevistados
- Público: eleitores de 16 anos ou mais, em todo o país
- Margem de erro: 2 pontos percentuais (para mais ou para menos)
- Nível de confiança: 95%
- Método de coleta e custo: conforme registro no TSE sob o nº BR-07065/2026
Versão em áudio disponível no topo do post.