Rapper Oruam é preso por abrigar foragido da Justiça em sua residência no Rio de Janeiro
Artista já havia sido detido anteriormente por direção perigosa; operação atual também envolve investigação de disparo de arma de fogo em São Paulo

O rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, foi preso em flagrante na manhã desta quarta-feira (26) em sua mansão no Joá, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A operação da Polícia Civil tinha como objetivo cumprir mandados de busca e apreensão relacionados a uma investigação sobre disparo de arma de fogo em São Paulo. No entanto, durante a ação, os agentes encontraram o traficante Yuri Pereira Gonçalves, de 25 anos, foragido da Justiça por envolvimento com organização criminosa. Gonçalves estava armado com uma pistola 9 mm equipada com kit-rajada e munição.
Oruam foi autuado por favorecimento pessoal, crime que consiste em auxiliar alguém a escapar da ação das autoridades. Em depoimento, o rapper afirmou desconhecer que seu amigo era procurado pela Justiça e alegou que Gonçalves havia chegado à sua residência na noite anterior para jogar videogame. Além da prisão de Oruam e Gonçalves, os policiais apreenderam na mansão do artista armamentos de airsoft, simulacros e joias. Simultaneamente, a casa da mãe de Oruam, Márcia Nepomuceno, também foi alvo de buscas, resultando na apreensão de celulares.
A investigação que motivou os mandados de busca e apreensão está relacionada a um incidente ocorrido em dezembro do ano passado, quando Oruam teria efetuado disparos com uma espingarda calibre 12 durante uma festa em um condomínio em Igaratá, interior de São Paulo, colocando em risco a integridade física dos presentes. Embora não houvesse mandado de prisão para o rapper nesse inquérito, a Justiça determinou a busca da arma utilizada no episódio.
Esta não é a primeira vez que Oruam enfrenta problemas com a lei. Na semana passada, o artista foi detido por realizar manobras perigosas na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste do Rio. Na ocasião, ele pagou fiança de R$ 60 mil e foi liberado. Oruam é filho de Marcinho VP, apontado pelo Ministério Público como um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho, atualmente preso por crimes como assassinato, formação de quadrilha e tráfico de drogas. O rapper possui tatuagens em homenagem ao pai e ao traficante Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes.
A prisão de Oruam ocorre em meio a debates sobre a "Lei Anti-Oruam", projeto de lei que visa proibir o financiamento público de shows de artistas que promovam apologia ao crime organizado ou ao uso de drogas em eventos destinados ao público infantojuvenil. O projeto foi protocolado no início de fevereiro pela vereadora Amanda Vettorazzo, em São Paulo, e tem gerado discussões sobre a liberdade artística e a responsabilidade social dos artistas.
O caso segue em investigação, e Oruam permanece à disposição da Justiça para os devidos procedimentos legais.
