Rejeição a Lula atinge novo recorde com 41% avaliando governo como ruim ou péssimo
Pesquisa Ipsos-Ipec mostra que 58% dos brasileiros não confiam no presidente; aprovação despenca entre eleitores do próprio Lula

Em nova pesquisa divulgada pela Ipsos-Ipec em março de 2025, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registra seus piores índices desde o início da série histórica. Pela primeira vez, a avaliação negativa (41%) supera a positiva (27%), com um aumento de 7 pontos percentuais na rejeição em comparação com dezembro de 2024.
Principais números:
Avaliação do Governo:
Ruim/Péssimo: 41% (↑ de 34% em dezembro)
Regular: 30% (manteve-se estável)
Ótimo/Bom: 27% (↓ de 34% em dezembro)
Não sabem/não opinaram: 1%
Aprovação da gestão:
Desaprovam: 55% (↑ de 46% em dezembro)
Aprovam: 40% (↓ de 47% em dezembro)
Não opinaram: 4%
Confiança no presidente:
Não confiam: 58% (↑ de 52% em dezembro)
Confiam: 40% (↓ de 45% em dezembro)
Não opinaram: 2%
Quedas expressivas entre base de apoio
Um dado preocupante para o governo é a queda significativa do apoio entre seus próprios eleitores. Entre aqueles que declararam ter votado em Lula em 2022, a avaliação positiva caiu de 64% para 52%. No Nordeste, tradicional reduto eleitoral do PT, a aprovação despencou de 50% para 37%.
Perfil da rejeição
A pesquisa indica que a avaliação negativa é mais acentuada entre:
Eleitores de Bolsonaro em 2022 (72%)
Pessoas com renda superior a 5 salários mínimos (59%)
População mais instruída (48%)
Evangélicos (52%)
Metodologia
A pesquisa foi realizada entre 7 e 11 de março de 2025, com 2.000 entrevistas presenciais em 131 municípios brasileiros. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento marca o primeiro estudo realizado após a aquisição do Ipec pela Ipsos, uma das líderes mundiais em pesquisa de mercado, anunciada no final de fevereiro.
Análise Detalhada:
Evolução histórica mostra deterioração constante do Governo Lula
Série histórica (Março/2023 a Março/2025)
1. Avaliação do Governo
Março/2023: 41% ótimo/bom | 30% regular | 24% ruim/péssimo
Março/2025: 27% ótimo/bom | 30% regular | 41% ruim/péssimo
Queda total: 14 pontos na avaliação positiva em 24 meses
2. Aprovação
Março/2023: 57% aprovação | 35% desaprovação
Março/2025: 40% aprovação | 55% desaprovação
Inversão: Queda de 17 pontos na aprovação
3. Confiança
Março/2023: 53% confiavam | 43% não confiavam
Março/2025: 40% confiam | 58% não confiam
Inversão: Perda de 13 pontos de confiança
Perfil detalhado da atual avaliação
Por Região
Nordeste: Maior aprovação (53%)
Norte/Centro-Oeste: 38% aprovação
Sudeste: 37% aprovação
Sul: 32% aprovação
Por Escolaridade
Ensino Fundamental: 51% aprovação
Ensino Médio: 36% aprovação
Superior: 34% aprovação
Por Renda
Até 1 salário mínimo: 50% aprovação
Mais de 5 salários mínimos: 27% aprovação
1 a 2 salários mínimos: 42% aprovação
Por Idade
60 anos ou mais: 49% aprovação
25-34 anos: 35% aprovação
16-24 anos: 40% aprovação
Por Religião
Católicos: 50% aprovação
Evangélicos: 30% aprovação
Outras/Sem religião: 34% aprovação
Por Voto em 2022
Eleitores de Lula: 74% aprovação (queda de 8 pontos desde dezembro)
Eleitores de Bolsonaro: 10% aprovação
Brancos/Nulos: 14% aprovação
Aspectos críticos
Erosão da Base:
Queda entre católicos (tradicionalmente mais favoráveis)
Redução do apoio entre baixa renda
Diminuição da aprovação no Nordeste
Grupos mais críticos:
Evangélicos: 66% desaprovação
Alta renda: 72% desaprovação
Ensino Superior: 64% desaprovação
Tendência Histórica:
Deterioração consistente desde março/2023
Aceleração da queda nos últimos 6 meses
Primeira vez que negativos superam positivos na série histórica
Demografia:
Maior rejeição entre homens (58%)
Forte queda entre jovens
Capitais mais críticas que interior
Esta pesquisa, realizada entre 7 e 11 de março de 2025, com 2.000 entrevistas em 131 municípios, apresenta margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, mostrando um cenário de deterioração generalizada do apoio ao governo, atingindo praticamente todos os segmentos sociais, com quedas mais acentuadas justamente em grupos tradicionalmente mais favoráveis à administração petista.