Painel Econômico

Retatrutida: novo medicamento experimental contra obesidade atrai mercado clandestino antes mesmo de aprovação

Droga em desenvolvimento pela Eli Lilly promete ser mais potente que Mounjaro, mas comercialização irregular preocupa autoridades; Anvisa reforça controle sobre medicamentos para emagrecimento

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Mais potente que Mounjaro: Retatrutida é novo alvo de mercado clandestino no Brasil |Contrabando de canetas falsas de Retatrutida começa a desafiar autoridades brasileiras e são alvos de apreensão da Receita Federal (Foto: Divulgação/Receita Federal)(Divulgação/Receita Federal)

Em meio à crescente demanda por medicamentos contra obesidade, um novo fármaco experimental chamado Retatrutida já movimenta o mercado clandestino brasileiro, mesmo antes de sua aprovação oficial. A droga, desenvolvida pelo laboratório americano Eli Lilly, tem chamado atenção por sua ação tripla no organismo e resultados preliminares promissores, que indicam uma redução de até 24,2% do peso corporal em pacientes participantes dos estudos clínicos.

A Receita Federal identificou, no início de junho, uma tentativa de contrabando do produto no Aeroporto Internacional de Salvador. Foram apreendidas 60 unidades de canetas identificadas como "Synedica Retatrutide", nome não reconhecido por nenhum laboratório oficial, além de 30 unidades de Mounjaro. O material, avaliado em R$ 400 mil, estava com uma passageira de 31 anos que desembarcou de um voo procedente da Europa.

Inovação e Riscos

A Retatrutida representa uma evolução em relação aos medicamentos já disponíveis no mercado, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Enquanto o Mounjaro (tirzepatida) atua através de dois mecanismos hormonais, a nova molécula trabalha com três hormônios diferentes para regular apetite, saciedade e níveis de glicose no sangue.

Segundo a Anvisa, o medicamento só tem previsão de liberação para 2026, após a conclusão de todos os estudos clínicos necessários. No entanto, já é possível encontrar versões irregulares sendo comercializadas por até US$ 380 por unidade em sites paraguaios.

Medidas de Controle

Para combater o mercado irregular, a Anvisa implementará, a partir de 23 de junho, novas regras para a dispensação de medicamentos dessa categoria. A Instrução Normativa n⁰ 360/2025 estabelece controles mais rigorosos, incluindo:

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) apoiou a medida e ressaltou a importância da fiscalização sobre o mercado paralelo, que inclui tanto produtos contrabandeados quanto manipulados irregularmente.

Resposta da Indústria

Em resposta ao avanço do mercado clandestino, a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e Wegovy, anunciou recentemente uma redução nos preços de seus medicamentos no Brasil. A estratégia visa tornar os tratamentos mais acessíveis e desestimular o uso de alternativas irregulares.

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