Poder e Bastidores

Reviravolta no Caso Gritzbach: investigação aponta policiais civis como possíveis mandantes do assassinato

Força-tarefa descarta participação direta do PCC e foca em possível retaliação de agentes da lei

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Em uma surpreendente reviravolta nas investigações do assassinato do empresário e delator Antonio Vinícius Gritzbach, ocorrido em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, a força-tarefa responsável pelo caso agora aponta policiais civis como possíveis mandantes do crime, descartando a participação direta do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Novos desdobramentos

A investigação, que já se estende por quase três meses, revelou uma complexa teia de conexões envolvendo agentes da lei. Um dos principais personagens é o delegado Fabio Baena, preso pela Polícia Federal em dezembro de 2024. Baena, que investigava o PCC, é apontado como elemento crucial na ligação entre policiais civis e a defesa de Gritzbach.

Na última terça-feira (4), outro nome de peso entrou na mira dos investigadores: o delegado Alberto Pereira Matheus Junior, de classe especial, foi preso em operação da Corregedoria. Com passagens pelo Deic e Denarc, Matheus Junior é suspeito de manter ligações com o PCC e envolvimento em esquemas de corrupção.

Obstáculos na investigação

O caso enfrenta desafios significativos, incluindo:

Impacto político

O caso ganhou dimensões políticas com o deputado Paulo Fiorilo (PT) articulando a abertura de uma CPI para investigar as relações entre policiais e o crime organizado em São Paulo. Até o momento, foram reunidas 17 das 32 assinaturas necessárias para o protocolo do pedido.

Cronologia dos fatos

  1. 8 de novembro de 2024: Assassinato de Gritzbach no Aeroporto de Guarulhos

  2. 17 de dezembro de 2024: Prisão do delegado Fabio Baena

  3. 30 de janeiro de 2025: Indiciamento de 17 policiais militares

  4. 4 de fevereiro de 2025: Prisão do delegado Alberto Pereira Matheus Junior

Investigação em curso

A força-tarefa continua trabalhando para identificar definitivamente os mandantes do crime, que resultou também na morte do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, 41 anos, atingido durante o ataque. As análises de provas ainda não concluídas podem trazer novos elementos para elucidar quem ordenou a execução do delator em plena área de desembarque do maior aeroporto da América Latina.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo foi procurada para comentar sobre os avanços nas investigações e o envolvimento de policiais, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

O caso continua gerando preocupação tanto para a gestão do governador Tarcísio de Freitas quanto para a sociedade civil, levantando questões sobre a infiltração do crime organizado nas forças de segurança do estado.