Rondovisão abre debates do Band Eleições 2026 com seis candidatos ao Governo
A afiliada da Band em Rondônia será a primeira a colocar os pré-candidatos frente a frente em 18 de agosto, em transmissão simultânea por TV, YouTube e portal, numa disputa onde as pesquisas mostram liderança de Marcos Rogério, mas com segundo turno indefinido
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- A Rondovisão TV, afiliada da Band, realizará no dia 18 de agosto o primeiro debate do Band Eleições 2026 em Rondônia, com seis candidatos ao Governo
- A transmissão ocorrerá simultaneamente por televisão, YouTube e portal, das 11h às 13h30, com apresentação de Marcelo Reis
- Confirmados: Adaílton Fúria (PSD), Expedito Netto (PT), Hildon Chaves (Federação União Progressista), Marcos Rogério (PL), Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB)
- Pesquisa Real Time Big Data (julho/2026) mostra Marcos Rogério com 36%, mas rejeição de 43% — cenário de segundo turno em aberto
- Por que isso importa: O debate inaugura a fase de confronto direto em um dos estados mais polarizados do país, com potencial para reconfigurar intenções de voto antes da propaganda eleitoral na TV
A Rondovisão TV, afiliada da Band em Rondônia, abre no próximo dia 18 de agosto a série de debates do Band Eleições 2026 no estado, reunindo seis dos principais candidatos ao Governo em um confronto de 2h30 que será transmitido simultaneamente pela televisão, pelo YouTube e pelo portal da emissora. A apresentação será do jornalista Marcelo Reis, âncora do programa Bora Rondônia, e o encontro marca o início da fase de debates na campanha eleitoral de um dos estados mais disputados do país.
"A programação do Band Eleições 2026 começa em 9 de agosto, com debates entre candidatos aos governos de 15 estados e do Distrito Federal", informou a Band em seu calendário nacional de debates.
Os seis candidatos que vão dividir o palco em Porto Velho
Foram confirmadas as participações de Adaílton Fúria (PSD), ex-prefeito de Cacoal; Expedito Netto (PT), ex-deputado federal; Hildon Chaves (Federação União Progressista), ex-prefeito de Porto Velho; Marcos Rogério (PL), senador bolsonarista; Pedro Abib (MDB); e Samuel Costa (PSB). A reunião de representantes partidários para definir as normas e a estrutura do encontro ocorreu em 15 de julho, na sede da emissora em Porto Velho, e as definições foram registradas em ata.
A composição do palco reflete a fragmentação da disputa. Segundo pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada em 16 de julho, Marcos Rogério (PL) lidera o cenário estimulado com 36% das intenções de voto, seguido por Adaílton Fúria (PSD) com 28%. Hildon Chaves (União Brasil) aparece com 13%, e Expedito Netto (PT) com 10%. Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (Rede) registram 1% cada.
Contudo, os números escondem uma dinâmica mais complexa. Marcos Rogério carrega a maior rejeição entre os pré-candidatos: 43% dos eleitores afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. No segundo turno, a vantagem do senador sobre Fúria cai para 44% a 40% — empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Como será o formato do debate de 2h30 na Rondovisão
O programa está previsto para começar às 11 horas e terminar às 13h30, com duração total de 2h30 — um formato mais extenso do que os debates tradicionais em horário nobre. A escolha do horário matutino, diferente do padrão nacional da Band (que realiza seus debates às 20h), pode ser estratégica para a emissora: o público matutino de noticiários regionais tende a ser mais engajado politicamente, e a transmissão simultânea por YouTube amplia o alcance para eleitores fora da grade de programação linear.
A transmissão será em rede estadual, alcançando Porto Velho (canal 9.1), Ariquemes (canal 3.1), Ji-Paraná (canal 11.1), Cacoal (canal 9.1) e Vilhena (canal 13.1). A cobertura abrange as principais regiões de influência política e econômica do estado, da capital à zona da Mata, passando pelo Vale do Jamari e pelo Cone Sul.
"O formato dos confrontos estaduais vai ampliar o espaço para o embate de ideias. Os candidatos poderão administrar o próprio tempo entre resposta e tréplica", informou a Band sobre a estrutura dos debates do Band Eleições 2026.
Por que o primeiro debate pode reconfigurar a campanha em Rondônia
Rondônia entra em 2026 com uma característica rara no cenário eleitoral brasileiro: uma disputa majoritária genuinamente aberta, com quatro candidatos viáveis tecnicamente e um eleitorado ainda fluido. Na pesquisa espontânea do Real Time Big Data, 54% dos entrevistados não souberam ou não quiseram indicar um candidato. Isso significa que mais da metade do eleitorado está em suspenso — e o primeiro debate é, potencialmente, o momento de maior impacto para a definição desses votos.
Para Marcos Rogério, o debate é uma armadilha de ouro. Líder isolado, ele tem o alvo mais visível. Uma performance abaixo do esperado ou um confronto direto com Fúria que minimize sua vantagem pode acelerar a percepção de que a eleição está mais disputada do que os números indicam. Para Adaílton Fúria, a oportunidade é inversa: reduzir a distância de oito pontos no primeiro turno e consolidar a imagem de principal alternativa ao bolsonarismo no estado.
Hildon Chaves e Expedito Netto têm a missão mais difícil. Com 13% e 10% respectivamente, precisam usar o palco para crescer sem que o crescimento seja às custas um do outro — o que beneficiaria Fúria no campo não-bolsonarista. Pedro Abib e Samuel Costa, com 1% cada, têm a liberdade de jogar sem pressão de liderança, mas enfrentam o risco de invisibilidade em um palco com quatro candidatos de maior peso eleitoral.
O calendário completo: do Bora Rondônia ao possível segundo turno
A Rondovisão não se limita ao debate de 18 de agosto. A programação do Band Eleições 2026 prevê também uma rodada de entrevistas com candidatos ao Senado Federal e ao Governo a partir de 28 de agosto, dentro do programa Bora Rondônia, exibido de segunda a sexta-feira, também a partir das 11 horas. Cada candidato terá 20 minutos de participação ao vivo para apresentar propostas — um formato mais controlado que o debate, mas que permite aprofundamento temático.
Caso a eleição para o Governo seja decidida em segundo turno, a emissora prevê a realização de outro debate em 15 de outubro. A data foi definida durante o encontro com representantes partidários em julho, mostrando que a Rondovisão estruturou uma cobertura de longo prazo, e não apenas um evento pontual.
A estratégia da emissora, sediada em Porto Velho e concessionária em Cacoal, posiciona a Rondovisão como protagonista da cobertura eleitoral no estado — um papel que afiliadas regionais raramente assumem com tanta centralidade em relação às geradoras nacionais.
A tradição da Band e a importância do primeiro confronto
A Band mantém uma tradição de quase quatro décadas de realizar os primeiros debates entre candidatos à Presidência da República. Em 2026, essa tradição foi estendida aos governos estaduais, com a abertura do calendário em 9 de agosto. A Rondovisão, ao marcar seu debate para o dia 18, insere Rondônia nessa lógica de antecipação do confronto, em um momento em que a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão ainda não começou.
O estado de Rondônia tem histórico de eleições acirradas e decisões judiciais que alteraram o curso de mandatos. A governança do estado, marcada por alternâncias entre diferentes grupos políticos e por uma recente decisão do TRE-RO que ordenou a remoção de conteúdo deepfake envolvendo a campanha de Marcos Rogério, mostra que a disputa eleitoral em Rondônia não se limita ao terreno das ideias — ela se estende ao campo jurídico e digital. O debate da Rondovisão chega, portanto, como o primeiro momento de normalidade democrática em uma campanha que já registrou tensões excepcionais.
O debate do dia 18 não será apenas um programa de televisão. Será um termômetro da capacidade de cada candidato de articular propostas sob pressão, de responder a ataques em tempo real e de convencer um eleitorado que, em sua maioria, ainda não escolheu lado. Em Rondônia, onde 54% dos votos estão em aberto e a diferença entre primeiro e segundo turno pode ser de apenas quatro pontos percentuais, cada minuto no palco pode valer mais que uma semana de propaganda.
A pergunta que fica é se a Rondovisão conseguirá manter o rigor jornalístico necessário para que o debate não se torne um festival de acusações mútuas — ou se, pelo contrário, o formato de 2h30 e a transmissão multitelas criarão o espaço para que os eleitores de Rondônia, pela primeira vez, enxerguem de fato quem são os candidatos que pedem seus votos. Se isso acontecer, o dia 18 de agosto pode ser lembrado não como o início de uma série de debates, mas como o dia em que a campanha eleitoral de Rondônia, de fato, começou.
Versão em áudio disponível no topo do post.