Secretário-adunto de meio ambiente de Rondônia é ligado a esquema em reserva extrativista
Caso envolvendo Gilmar Oliveira de Souza pode ser uma das maiores grilagens em unidades de conservação da Amazônia

Um caso de proporções alarmantes veio à tona em Rondônia, envolvendo o secretário-adjunto de Desenvolvimento Ambiental do estado, Gilmar Oliveira de Souza, em um esquema que pode configurar uma das maiores grilagens de terras dentro de uma unidade de conservação na Amazônia.
Segundo investigação publicada pela InfoAmazonia, Souza está ligado à venda de um imóvel de 47 mil hectares dentro da Reserva Extrativista (Resex) Rio Cautário para sua esposa, Jacqueline Moreno, além de estar relacionado a outra fazenda de 45 mil hectares na mesma área protegida. As denúncias apontam fraudes em escrituras públicas, identificadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que podem ter forjado a existência de propriedades privadas anteriores à criação da Resex, em 1995.
Origem do caso: fazendas dentro de uma área protegida
A Resex Rio Cautário, localizada nos municípios de Costa Marques e Guajará-Mirim, é uma unidade de conservação de uso sustentável, criada para proteger o modo de vida de 96 famílias extrativistas que vivem na região há mais de um século. A área, de domínio público federal e cedida ao estado de Rondônia, é destinada ao uso coletivo dessas comunidades, que dependem da floresta para atividades como a extração de seringa, castanha e açaí. No entanto, duas fazendas registradas dentro da reserva – Fazenda Lago Brasil e Fazenda Seringal Rio Cautário – somam 92 mil hectares, equivalente a 60% da área total da Resex, ameaçando a integridade da unidade e os direitos das populações tradicionais.
Este conteúdo é exclusivo para assinantes.
Por menos de um café por semana, leia sem limites.