Senado argentino derruba veto de Milei e confirma Lei de Emergência em Deficiência
Em meio a escândalo de propinas envolvendo Karina Milei, Congresso impõe derrota histórica ao presidente, a primeira em 22 anos

O Senado argentino aprovou, nesta quinta-feira (4), a insistência na Lei de Emergência em Deficiência, rejeitando o veto presidencial imposto por Javier Milei, do partido La Libertad Avanza. Com 63 votos favoráveis e apenas 7 contrários, a decisão representa a primeira rejeição total a um veto do Executivo em 22 anos, destacando a tensão política no país vizinho. A votação ocorreu em um contexto de mobilizações nacionais pelo setor de deficiência e escândalos de corrupção na Agência Nacional de Deficiência (ANDIS), envolvendo alegações de propinas recebidas pela secretária-geral da Presidência, Karina Milei, irmã do presidente.
A sessão foi presidida por Bartolomé Abdala, uma vez que a vice-presidente Victoria Villarruel assumiu interinamente o Poder Executivo durante a ausência de Milei no exterior. O acordo prévio entre os blocos opositores – incluindo Unión por la Patria, radicalismo, PRO e blocos provinciais – pavimentou o caminho para o resultado, que já era antecipado após a insistência na Câmara dos Deputados em 20 de agosto. Durante o debate, senadores destacaram a urgência da lei para proteger direitos em saúde, educação, trabalho e proteção social para pessoas com deficiência.
O tema da deficiência ganhou centralidade na agenda argentina desde junho, quando a norma foi aprovada pela primeira vez na Câmara Baixa. Paralelamente, explodiu o escândalo dos áudios do ex-diretor da ANDIS, Diego Spagnuolo, que denunciou supostas propinas envolvendo Karina Milei. Durante a sessão, a senadora fueguina Cristina López, de Unión por la Patria, chegou a cantar brevemente: “Alta coimera, Karina es alta coimera”, referenciando um jingle viral nas redes sociais e na mídia nas últimas semanas.
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